segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Os "periquitos" de Cavaco

Nos tempos do Américo Tomás,o Presidente da República era designado nos órgãos de comunicação social por "venerando Chefe do Estado".
As atribuições do "venerando" eram, sobretudo, andar por aí a fazer inaugurações, a abrilhantar cerimónias, acenar às pessoas e a fazer discursos.
Ficavam na história esses discursos. Não porque fossem excelentes peças oratórias ou porque o que dizia se revestisse de decisiva importância política. Antes pelo contrário. Essas charlas eram, em geral, perfeitamente anedóticas.Tomás era perito em falar sem dizer nada.
Por exemplo, depois de dizer que era a décima sétima vez que visitava aquela cidade (frase com que, invariavelmente iniciava o uso da palavra, divagava, por exemplo, sobre os periquitos do senhor presidente da câmara ( foi mesmo verdade, acreditem) ou algo do mesmo teor.
Os tempos passaram e hoje o Presidente da República já não se confina a esse papel decorativo.
No entanto, por vezes, dou por mim a recordar essa época. Porque o actual Presidente também, com certa frequência, vai falando de minudências, ignorando as questões fundamentais.
Assim, ou se refere detalhada e dramaticamente às preversidades do novo estatuto autonómico dos Açores ou às graves consequências das recentes alterações da lei do divórcio. Sobre a crise económica profere vulgaridades e sobre os problemas políticos do país, acha sempre uma forma de se desviar.
Ou seja, os "periquitos" de Cavaco poderão não ser os mesmos do Tomás, mas, no fundo, acabam por ter um significado semelhante.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

A contrada do Dragão


Há anos estive em Itália e uma das terras de que mais gostei foi Siena.
Local onde decorre, anualmente, na praça principal, uma alucinante corrida de cavalos.
A competição é disputada por dez das dezassete contradas da cidade. Cada contrada equivale a um bairro e tem uma designação própria: Pantera, Tartaruga, Torre, Águia... A nossa guia local, por exemplo, era fervorosa seguidora da contrada da Loba.
A rivalidade é grande.
Como turista que se preza tratei de adquirir um souvenir de Siena e, então, trouxe a bandeira de uma contrada.
Depois de observar as bandeiras disponíveis, acabei, obviamente, por me decidir pelo símbolo da contrada do Dragão. Claro! Só poderia ser.
Esta bandeira está em local de destaque na minha casa. Aqui vos deixo a imagem.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Um ilustre desconhecido


Há tempos estreou em Londres uma peça de teatro destinada a divulgar, junto dos ingleses, esse grande português que foi Aristides de Sousa Mendes. Homem que, apesar da apregoada “neutralidade” de Salazer, pagou bem caro o facto de ter salvo dos campos de extermínio nazis, dezenas de milhar de judeus.
Acabou a vida ignorado, com graves problemas económicos. A casa onde viveu, está em ruínas, sem que apareça alguma entidade capaz de recuperar o imóvel para aí instalar um museu que recordasse a figura deste insígne compatriota.
É claro que se Sousa Mendes tivesse sido jogador ou treinador de futebol ou cantor mais ou menos “pimba” ou ainda político habilidoso, teria concitado as atenções gerais, designadamente, de órgãos de comunicação.
Mas, como não foi nada disso e o mérito que teve foi “apenas” o de salvar umas quantas “insignificantes” vidas, a única coisa que conseguiu foi o estatuto de “ilustre desconhecido”. Apenas fugazmente interrompido por aquele bizarro concurso(“Os Grandes Portugueses”) em que , apesar de ter obtido alguns milhares de votos,foi largamente suplantado pelo ditador de Santa Comba.
O que é triste em tudo isto é que são todos os dias elevadas à categoria de “heróis”,personalidades que, comparados com Aristides têm a dimensão de um mosquito.
E, neste caso, é preciso vir de Inglaterra um exemplo de divulgação da obra de um homem que deveria ser considerado como um vulto grande da nossa história.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O Move Rio Tinto continua


Já aqui vos tenho falado no Movimento em Defesa do Rio Tinto. Aliás,ali na barra lateral, tenho um selo que encaminha para o blog oficial do Move Rio Tinto.

Este movimento de intervenção cívica,como muito outros, vive da dedicação e empenhamento de gente que rouba à família e ao lazer as horas que dedica à sua missão de cidadania. Que, para além do mais, terá que ser conciliada com actividades profissionais exigentes. E sem que, com isso, se obtenham dividendos económicos ou de poder que muitos outros conquistam em actividades “mais lucrativas”

Por tudo isso, o Move Rio Tinto esteve, durante alguns meses, aparentemente adormecido.

Mas só aparentemente.Porque o rio continua a correr. Com os problemas que ainda não foram resolvidos. Apesar das promessas “escritas em papel molhado”(como canta o Sérgio Godinho).

Por tudo isso, aí está de novo o Move Rio Tinto em acção mais visível.Com ideias e projectos.

Aqui vos deixo, então, o convite para uma visita ao blog do Movimento.Mesmo quem não vive em Rio Tinto ou perto, com a sua presença deixará um incentivo bem importante para quem pretende prosseguir uma acção em prol de um ambiente mais saudável que cada vez mais decisiva se torna em prol do nosso futuro colectivo.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Notícias do exílio


Enquanto a máquina está no hospital, de onde, ao que parece, só terá alta lá para a semana (sabe-se lá em que estado...) vou fazendo uns serviços mínimos com um velho portátil que, além de lento como um caracol, já tem falta de um dente, perdão de uma tecla. Precisamente a d. Em seu lugar está um pequeno obelisco preto de borracha que, quando tocado, faz cógegas no dedo.
E reparem que, para escrever este post tive de tocar o dito obelisco, exactamente 11 vezes (se não me enganei... confiram!)

terça-feira, janeiro 27, 2009

Mais, uma vez...

Mais uma vez, a máquina "pifou"...
Por isso, não se espantem se não me virem andar tanto por aqui e por aí.
Estou a usar, apenas em emergência, um velho e escavacado portátil que, também, nem sempre funciona.
Logo que estiver recomposto tentarei retomar o "trânsito".
Até lá!

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Para reflectir...

Recebi, de uma amiga, o texto de uma longa entrevista com o médico Miguel Srougi, 60 anos, considerado como o maior especialista em cirurgia da próstata, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos.Tem 35 anos de carreira, lecciona na Faculdade de Medicina e, para além de ser um grande cirurgião mostra uma enorme capacidade de entender o que significa a doença para os pacientes que trata.
Porque há muitos médicos que, mesmo sendo tecnicamente muito dotados, não conseguem relacionar-se com o doente de modo a motivá-lo para lutar pela recuperação da saúde.
Da extensa entrevista, transcrevo uma passagem que a qualquer um de nós motivará uma reflexão bem necessária sobre a nossa existência:

"Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal.A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física,à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apoia o doente nas fases difíceis - é a família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado."