ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Procuro, mas não encontro!




Etiquetas:

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Relíquias

foto Peciscas
Quando tanto se fala em energias renováveis, bem se deveria cuidar de preservar estas relíquias de um passado não muito distante, que poderiam ensinar aos mais novos, que a natureza, no seu estado mais puro, pode-nos fornecer movimento e trabalho.
Sem custos nem consequências adversas.

Etiquetas:

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Peciscando acerca de ... coragem.

Há conceitos que assumem conotações diversas, de acordo com as perspectivas ou com os contextos que os determinam.
Por exemplo, o conceito de coragem.
É um termo que se usa a cada passo, para caracterizar vários comportamentos.
Mas o que será, verdadeiramente, ter coragem?
Há muitos anos, conheci um homem, que até viria a ter algum relevo na vida pública, que, como muitos outros, combateu na guerra colonial. Pois ele foi distinguido com o prémio Governador Geral de Angola, por feitos em combate.
No entanto, ele, ao referir-se ao episódio que lhe outorgou a distinção, referia que, perante um ataque ao seu aquartelamento, num acto de desespero e não de coragem, se agarrou a uma metralhadora e começou a disparar um pouco à toa. Só que o seu superior, resolveu relatar o facto e lá se criou mais um herói.
É claro que há, actos que, em meu entender ( e o meu entender vale tanto como outros entenderes...), merecem essa designação. Por exemplo, alguém que se lança a um rio revolto, para tentar salvar alguém, é corajoso.
Para dar outro exemplo, que aliás nos está próximo, a Odele, mãe da Flavia, é uma mulher corajosa. Quem conhece a sua história, concorda comigo.
Mas, banalizar o conceito, pode conduzir a deturpações .
Um condutor que, deliberadamente entre em contra-mão numa auto-estrada, é corajoso? Ele pensará que sim. Mas eu chamo-lhe criminoso.
Um operário da construção civil que, sem qualquer protecção se encavalita em telhados escorregadios, será corajoso? Eu chamo-lhe inconsciente.
Por isso, acho que há conceitos que precisam de ser clarificados.
Designadamente ao nível da comunicação social.
Ouve-se, muitas vezes, falar de políticos corajosos. O que significará, em muitos casos essa designação? Que põem em risco a sua integridade física, lutando, desinteressadamente, pelo bem dos seus semelhantes? Às vezes, sim! Mahatma Gandhi e Luther King foram corajosos e pagaram por isso.
Mas, actualmente, com grande frequência, a coragem é, afinal, a obstinação de ser insensível aos problemas de outros. É estar escudado numa confortável situação de poder, que usa enquanto pode e, quando as condições que o sustentam se esvaem, desaparece, apagando responsabilidades por erros e desmandos que cometeu.
Nesses casos, aquilo que a muita gente pode parecer coragem, não passa, afinal de uma tão vulgar como corriqueira, teimosia.

Etiquetas:

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Ainda as manifestações...

Na sequência daquilo que aqui escrevi no post anterior, quero ainda registar que, no final da concentração espontânea de professores no Porto, a polícia identificou algumas docentes, precisamente as que prestaram declarações à televisão.
Agora estamos nesta. Se houver algum ajuntamento que cheire a crítica ao governo, lá vem identificação/intimidação.
Mas é curioso que, aqueles que tão solicitamente defendem que, perante uma "manifestação" não autorizada, há que cumprir a lei, não têm um critério uniforme.
Pois, se o tivessem, também exigiriam que fossem identificados os cidadãos que se juntam para apaludir o PR ou o PM. Ou, então, os utentes de serviços de saúde que, perante a dificuldade de marcar uma consulta, se lamentam, em voz alta, à porta do centro de saúde. Ou os que, em grandes ou pequenas multidões, manifestam o seu contentamento perante uma vitória desportiva.
Tudo isto me faz rebobinar o filme e voltar aos tempos da "velha senhora" em que mais do que três pessoas juntas, na rua, era já considerada "uma multidão".
Havia, mesmo, uma frase, que ficou na história, usada por solícitos agentes da autoridade, quando o facto de algumas pessoas estarem juntas juntas lhes parecesse inconveniente:
-Vamos lá andar. É proíbido circular parados!

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Manifestações, espontâneas, porquê?

Conforme foi amplamente noticiado, no sábado, milhares de professores, reuniram-se, em três localidades, de forma espontânea, para protestarem contra o modo como o Ministério da Educação está a afrontá-los.
Desta vez, nem o argumento que insinua estarem por trás de tudo isto os sindicatos ou as oposições, é minimamente credível.
Com efeito, esta foi uma manifestação convocada por SMS, e-mail ou blogues.
Neste vídeo, pude comprovar este distanciamento de intenções políticas, porque reconheci alguns colegas (designadamente um que até fez estágio sob a minha orientação) que sempre assumiram posições muito discretas, nomeadamente não aderindo às greves.
Por outro lado, está também lançado um movimento (Associação Nacional de Professores em Defesa da Educação), para além de partidos ou sindicatos, com o objectivo de lutar contra uma série de medidas gravosas para os professores e, por isso mesmo, contra a escola pública.
Quem não está por dentro daquilo que se está a passar nas escolas, poderá interrogar-se sobre as razões destas movimentações. Eventualmente poderá até, considerar que se trata do estrebuchar de interesses corporativos de quem quer eximir-se ao trabalho.
Não é, de facto, assim.
Para que se saiba, há neste momento, uma grande parte dos professores, perdida em horas e horas de incontáveis reuniões, muito para além do horário legal de trabalho.
Para preparar melhor as aulas? Para descobrir e planificar, em conjunto, estratégias para a superação do insucesso escolar do aluno? Para ampliar a sua própria formaçãp profissional?
Não! Essas horas estão a ser gastas em trabalho burocrático e administrativo.
Invenção de fichas e mais fichas para avaliação dos docentes (num caso que conheço, uma escola já chegou às 25 páginas...). Fichas essas que irão dar origem a mais papelada, pois vão obrigar, por exemplo, os docentes, em cada aula, a fazer, por escrito, análise de resultados dos instrumento de avaliação utilizados ; e por aí fora. Horas também consumidas a preencher planos de recuperação para os alunos em dificuldades, em muitos casos para disfarçar problemas estruturais que fazem com que eles estejam em permanente insucesso.
Mas, como há que inventar indicadores de sucesso, cria-se esta burocracia, para se fingir que se está a actuar.
Ou seja, em grande medida, nos dias que passam, os professores têm de ter tempo e disponibilidade psíquica para tudo, menos para aquilo que deveria ser essencial: ensinar, educar, formar os alunos.
E isto, para não falar de um clima de animosidade entre docentes, que se começa a instalar e que está a dividir a classe. Em titulares e não titulares.Entre avaliadores e avaliados.
Entretanto, há já muitos jovens, que, perante a insistência do professor para que trabalhem e estejam nas aulas com um mínimo de atenção, respondem algo como:
-Quero lá saber... Os professores vão ter que dar positiva aos alunos para que não tenham negativa e sejam castigados!
É que a miudagem já "apanhou" o clima de intimidação subjacente a todo o processo do novo Estatuto da Carreira Docente, em particular com o regime de avaliação.
O que, no meio disto tudo, é trágico, é que, no final, quem vai "pagar as favas" é a qualidade do próprio ensino.
Em 2009, vai haver um novo estudo PISA. Este será um indicador, tantas vezes citado pela ministra e sua equipa, que poderá contribuir para se desfazerem dúvidas sobre a eficácia de toda esta panóplia de reformas ( algumas delas que até partem de uma base lógica e justificada), precipitadamente despejadas sobre a escola portuguesa. Só que os resultados do estudo apenas serão conhecidos em 2010, altura em que, muito provavelmente, a actual ministra já estará fora de cena, resguardada num qualquer cargo que não tenha visibilidade pública.
É por isso que um largo movimento de opinião, que congregue, muito para além da classe docente, encarregados de educação e famílias, pode, ainda, fazer inverter este amontoado de erros que, a continuar, pode comprometer, gravemente, o futuro educacional dos nossos jovens.

Etiquetas: