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sexta-feira, novembro 30, 2007

Poema para Galileu revisitado 5 - Post sonoro 16










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quinta-feira, novembro 29, 2007

Poema para Galileu revisitado 4

Galileu, foi julgado por heresia, por, entre outras coisas, afirmar que era a Terra que girava em volta do Sol e não o contrário, como afirmava, dogmaticamente, a "ciência oficial" de então. Mas, haveria, como se sabe, de se provar que era o sábio quem tinha razão.
Este acontecimento deveria ficar como lição para a subsequente história da Humanidade.
Mas, não ficou.
Por isso, continuamos a esbarrar, a cada passo, com situações em que aquilo que parece evidente, afinal não o é.
Não só na ciência (e as contradições entre as opiniões médicas são um exemplo), como na vida de todos os dias.
Vou relatar dois casos em que estive envolvido, na semana passada.

Num deles, ao procurar um medicamento que tomo há algum tempo, o farmacêutico, porque tinha uma dúvida acerca da legibilidade da receita, mostrou-me, de longe, uma embalagem, para eu confirmar se era aquele.Respondi que não era, pois havia lá um pormenor gráfico que não reconhecia. Como o homem insistia que talvez fosse aquele, fui dizendo que, então teriam alterado a embalagem.
Acabei por trazer o medicamento, já que no interior lá estava o produto a que já estava habituado, mas sempre a insistir, convictamente, que a embalagem não tinha o mesmo desenho.
Ao chegar a casa, fui logo verificar a embalagem que ainda tinha e logo vi que tinha "metido água". Era exactamente igual à que tinha acabado de comprar.
É claro que, no dia seguinte, fui à farmácia pedir desculpa ao paciente funcionário.

O outro caso passou-se numa bomba de gasolina.
Após liquidar a importância devida pelo consumo, estava a agurdar que se processasse no respectivo cartão magnético, os pontos que a Galp atribui aos seus clientes para ulterior aplicação em brindes e outras benesses (questões de marketing...).
Ouço então, atrás de mim, uma voz, bastante impaciente:
-Saia daí, que há mais gente à espera de ser atendido!
Ou seja, o indivíduo, estava convicto de que, eu estava ali parado, a olhar para o funcionário, porque me apetecia...
Depois de perceber que se tinha enganado, o homem, algo contrariado, lá foi pedindo "mil perdões".
Ou seja, mais uma vez, aquilo que parecia, não era o que realmente acontecia.
E nunca nos devemos sentir "dispensados de buscar a verdade".

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quarta-feira, novembro 28, 2007

Poema para Galileu revisitado 3

Tenho para mim que há duas qualidades que assumem particular relevância na formação do carácter e personalidade individuais.
Essas qualidades podem parecer contraditórias, mas, em boa verdade, não o serão.
Uma é a perseverança na defesa das convicções em que sinceramente se acredita.
A outra é a humildade para, permanentemente, se porem em questão essas próprias convicções.
Durante a minha vida como professor, procurei, crescentemente, adoptar estes dois princípios, como base essencial do meu trabalho.
Assim, perante os alunos, tentei assumir a posição de alguém que ali está para abrir caminhos de crescimento, mas também, para ouvir e aprender.E quantas coisas fui aprendendo com as centenas de jovens que tive perante mim...
E posso dizer que sai da profissão com mais dúvidas do que certezas.
Mas encontrei muitos colegas cujo discurso passava por uma grande dose de auto-suficiência, como se fosse sinónimo de "fraqueza" o admitir insuficiências na sua própria actuação.
Assim, perante o insucesso dos alunos, a resposta era, por parte desses colegas, o recurso, quase invariável, a velhos chavões : "eles não estudam nada", "não sabem nada" "os pais não ligam nenhuma"...
É bem verdade que, muitas vezes, essas são razões a ter em conta.
Mas, um bom professor, é, sobretudo, aquele que é capaz de questionar a própria actuação, no sentido de descobrir os aspectos em que pode melhorar e, assim, contribuir para que os seus alunos também melhorem.
Era por isso, que, muitas vezes, em reuniões, em acções de formação, ou em simples conversas informais, recorria à frase que retirava do poema de Gedeão que me tem servido de referência para os posts desta semana: "é que a nenhum de nós Deus pode dispensar de procurar a verdade".

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terça-feira, novembro 27, 2007

Poema para Galileu, revisitado 2


Conforme disse em post anterior, durante esta semana, revisito um dos "poemas da minha vida", o "Poema para Galileu", de António Gedeão.
D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas, é um prelado "a quem Deus não dispensou de procurar a verdade", conforme diz o poeta.
Numa longa entrevista concedida a Maria Flor Pedroso, emitida pela Antena 1 ( quem quiser ouvir a peça integral, pode encontrar aqui, a sua reprodução em formato podcast; em alternativa, pode-se ler aqui um resumo das suas declarações mais importantes).
Pois, este membro da hierarquia da igreja católica portuguesa, manifesta as suas preocupações a propósito de muitas situações, num espírito de procura da verdade que não se compadece com ideias feitas e inquestionáveis.
Por exemplo, interrogado sobre se considerava o uso do preservativo como "um pecado", o Bispo respondeu, sem hesitações "NÃO".
O que nos leva a concluir que a noção de pecado, na religião católica ou em outras religiões, tem a ver essencialmente com concepções humanas e, como tal, falíveis e discutíveis.
Faria falta, digo eu, haver muitos bispos como D. Januário.
Talvez assim a igreja católica se aproximasse mais da vida real dos homens e mulheres deste tempo.

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segunda-feira, novembro 26, 2007

Poema para Galileu, revisitado 1




António Gedão é um dos meus poetas preferidos.
E, dentro da sua obra, o "Poema para Galileu", é, para mim, um dos mais belos e mais fortes.
A quem, eventualmente não conheça este belo texto, recomendo, vivamente, a leitura pausada e integral (deixo aqui um link a partir do qual se pode encontrar o poema).
Por agora, transcrevo a parte final, que irá servir de mote, aos posts que irei publicar ao longo da semana:

Ai, Galileu!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andava a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileu Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.


Por isso, estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão direta dos quadrados dos tempos.

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