ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

segunda-feira, outubro 26, 2009

O Mundo é a casa de todos.

O que vou escrever tem muito a ver com alguns acontecimentos, mais ou menos recentes que me chegaram através da internet e não só. Em alguns casos (pelo menos dois), relacionados com gente amiga ou amiga de gente amiga.E que me deixaram algo apreensivo.
Vivemos num mundo que se torna gradualmente mais globalizado e multicultural, onde as fronteiras políticas , pouco a pouco, mais se esbatem.
Ou seja, o Mundo, vai-se tornando, cada vez mais "a casa de todos".
Por tudo isto, faz pouco sentido que se olhe para os outros (países, povos) com um sentimento de superioridade que não fica muito distante do chauvinismo.
Assim, senti, por aí, diversas manifestações (algumas até surpreendentes) desta atitude que leva a considerar como atrasados ou ignorantes, aqueles que, com base em pressupostos mais ou menos dogmáticos, consideramos menores do que nós.
Seria bem melhor que, em vez de se fazerem juízos de valor apriorísticos e infundamentados, se tentasse compreender a realidade social e cultural do povo que se critica, para não se cometerem tão injustos como grosseiros erros de apreciação.
É claro que, em todo o lado há gente boa, gente assim-assim e gente má. Em todo o lado, repare-se.
Temos um mundo inteiro para "por em ordem" de tão desarrumado que anda.
Mas isso não se conseguirá fazer, se persistirem sentimentos de superioridade de uns para com os outros.
É que, além do mais, há não muitas décadas, tivemos por aí um trágico exemplo de uma ideologia que afirmava a superioridade de uma raça e que conduziu a uma das maiores barbáries da História.

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segunda-feira, julho 27, 2009

Cidadãos com necessidades especiais - 1

Não concordo com o termo "deficiente" para designar pessoas que têm limitações de ordem física, sensorial ou mental.
Porque, no fundo, se calhar a maioria de nós teria de ser considerada dessa forma.
Por exemplo: eu uso óculos. Portanto,nessa perspectiva, serei portador de uma deficiência visual.
Prefiro usar "cidadão com necessidades especiais" para falar dessas pessoas.
Poder-se-á dizer que isso se será um eufemismo. Mas eu sustento que não, pois ao falarmos nestes termos estamos a manifestar a atitude de considerarmos estes homens e mulheres como seres com direitos, dignidade e não como alguém que merece comiseração.
Há quem encare estes cidadãos como alguém a quem apenas se concedem pequenos gestos de "caridade" tais como ajudar a atravessar uma rua, ceder o lugar num transporte ou empurrar uma cadeira de rodas.
Quem assim encara a situação, não se indigna quando vê as cidades e as construções cheias de obstáculos que impedem a circulação desses cidadãos. Ou constata serem ocupados os lugares destinados a essas pessoas por outras que deles não necessitam.Ou sente que há descriminação negativa na maioria de serviços que não prevêem o correcto atendimento desses indivíduos com necessidades especiais.
Fui professor de alunos com algum tipo de limitações e aprendi muito com eles. A descobrir as potencialidades de que qualquer ser humano dispõe para vencer, com mais ou menos facilidade, desafios e obstáculos.
Por isso fui levado, cada vez mais, a respeitá-los e a considerá-los como credores de carinho e apoio.

(para não tornar o post demasiado extenso, publicarei, amanhã, a parte restante deste texto).

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segunda-feira, abril 20, 2009

A dignidade

Na semana passada soube-se que a Assembleia da República gastou quase um milhão de euros na renovação da frota automóvel para o Presidente actual e para o anterior(?...?), bem como para os Vice-Presidentes e Secretária.
Começo por dizer que compreendo que chega sempre uma altura em que manter veículos com muitos anos de serviço fica demasiado dispendioso e será melhor mesmo proceder à sua substituição.
No entanto, no caso presente, ao que parece, foram adquiridas viaturas (BMW) bem mais caras do que outras disponíveis no mercado, também consideradas como "topo de gama" e que cumpririam eficazmente as funções que têm de desempenhar.
É claro que não estou a defender que, para o serviço a que se destinam se comprem pequenos utilitários que se desgastariam rapidamente.
O que eu quero aqui realçar é o argumento que frequentemente é invocado para se defender a compra de carros luxuosos para os altos titulares e que afirma que está em causa a "dignidade do Estado".
Ora, aí, eu terei de perguntar : como se afere, verdadeiramente, a dignidade de um estado? Pela marca dos fatos e carros dos governantes ou pelas condições de vida dos cidadãos?
Qual será a dignidade de um estado que acumula desemprego, pobreza, exclusão?
Será verdadeiramente digno um estado em que muitos dos seus integrantes, vivem uma existência de todo indigna da condição humana?

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quarta-feira, abril 08, 2009

Lá como cá...

Sou geólogo de formação, embora nunca o tenha sido de profissão, já que enveredei pela carreira docente.
Mas sei como a geologia tem sido considerada como uma ciência de segunda, muitas vezes apenas dirigida à prospecção e exploração de riquezas minerais.
A intervenção prévia deste tipo de técnicos, por exemplo no estudo dos terrenos onde vão assentar construções, evitaria muitos desperdícios financeiros ou até preveniria a ocorrência de acidentes lamentáveis. Há muitos exemplos destes factos.

Na recente tragédia acontecida com o sismo em Aquila, mais uma vez, foi ignorado um aviso de um geólogo, que previu, semanas antes, "um grande terramoto " naquela região.
De seu nome Giampaolo Giuliani, investigador do Laboratório Nacional de Física de Gran Sasso, chegou mesmo a mandar carrinhas com altifalantes para a cidade que viria a ser atingida, pedindo à população que se retirasse dali.
O autarca local, bem como os responsáveis da Protecção Civil ficaram irados e apelidaram o cientista de "idiota", acusando-o de estar a provocar o pânico. Denunciaram-no, mesmo, à polícia, como sendo um "alarmista".
Lá como cá, há autarcas e outros responsáveis pela nossa segurança, que, do alto da sua boçal ignorancia, cometem actos verdadeiramente irresponsáveis, para não dizer criminosos.
E ainda têm a "lata" de aplicarem rótulos que a eles próprios servem como a ninguém.
Sim, porque, afinal, os idiotas são mesmo eles.

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segunda-feira, abril 06, 2009

Um insulto!

Um jovem, recém-licenciado, vai a uma entrevista para um eventual emprego numa conhecida firma de comercialização de automóveis.
As funções tinham a ver como o apoio à direcção. Ou seja, o jovem teria de ser uma espécie de "moço de recados" para andar, de um lado para o outro, a levar a cabo aquelas tarefas pouco aliciantes de que os grandes executivos não gostam, mas que são essenciais ao progresso das firmas.
Mas, na altura de saber o que a empresa tinha para lhe oferecer como retribuição do trabalho, o jovem abriu a boca de espanto.
- O seu salário vai ser de 6 euros por dia.
Não é gralha mesmo. SEIS EUROS POR DIA!
Uma empregada de limpezas domésticas ganha, no mínimo, essa importância numa hora...
Enfim! Crise é crise, mas há quem se esteja a aproveitar dela para insultar quem necessita de ganhar a vida.

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segunda-feira, março 16, 2009

Tentar sempre o melhor!

Há bastante tempo, li, numa entrevista com a grande pianista Maria João Pires, algo que me ficou na memória.
Dizia a artista que quando se entregava a uma tarefa, tentava cumpri-la o melhor que lhe fosse possível. E não queria referir-se apenas à sua profissão ou aos mais elevados ofícios. Por exemplo, quando, na cozinha, lavava uma panela, tinha "que a deixar a brilhar".
Há mais tempo, ainda, esta frase, já não sei a quem pertence : "Qualquer coisa que faças, supremamente a faças".
Este desejo de sempre se tentar a perfeição, seja no que for que tenhamos de realizar, pode, para muitos, ser considerado como uma paranóia.
No entanto ele pode ser, afinal, a diferença entre uma vida realizada e uma existência pouco gratificante.

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terça-feira, março 10, 2009

Afinal, não sou totalmente a favor da liberdade de expressão!

Há por aí cidadãos e cidadãs (mais dãos que dãs) que, talvez por falta de capacidades naturais para exprimirem, em discurso oral, opiniões, usam o tubo de escape dos seus veículos (automóvel, mota, moto-4, ...) para dizerem o que pensam do mundo e dos outros. E, para que não restem dúvidas sobre as suas convicções, fazem-no usando todo um potencial sonoro, que literalmente subjuga os nossos pobres tímpanos.

Julgo que há por aí umas leis que limitam o ruído desses veículos, mas, ao que parece, para as autoridades intervirem fazendo cumprir as regras, há que medir, em decibéis, a intensidade da poluição sonora. E, segundo tenho ouvido, não há, em quantidades suficientes, máquinas para realizar essa tarefa.
Por tudo isto, dei comigo a pensar que, afinal, eu não sou tanto a favor da liberdade de expressão como supunha...


Pelo menos, a que usa os escapes como aparelho fonador...

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terça-feira, março 03, 2009

Hoje, em Brasília, esperemos que se comece a fazer JUSTIÇA PARA FLAVIA:


Hoje, dia 3 de Março, estará, finalmente, em julgamento, no Superior Tribunal de Justiça de Brasília, o caso de Flavia, que se arrasta há mais de dez anos nos tribunais.

Hoje, vamos dar todos as mãos, estabelecendo uma corrente de energia solidária, que, ultrapassando mares e continentes, possa iluminar a consciências dos Juízes que vão apreciar este recurso, levando-os a uma decisão humana e justa.

Hoje, 3 de Março, estamos ainda mais próximos da Flavia e da Odele, na expectativa de notícias que, de algum modo, nos compensem por tanta espera e tanta ansiedade.

Mas também fica a certeza de que, seja o que for que aconteça em Brasília, a nossa presença junto da Flavia e da Odele, nunca esmorecerá. Elas contarão sempre connosco!

Força e coragem, amigas!

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Mais, uma vez...

Mais uma vez, a máquina "pifou"...
Por isso, não se espantem se não me virem andar tanto por aqui e por aí.
Estou a usar, apenas em emergência, um velho e escavacado portátil que, também, nem sempre funciona.
Logo que estiver recomposto tentarei retomar o "trânsito".
Até lá!

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Mais um caso com um ralo de piscina

Transcrevo parte de uma notícia do JN de 28 de Outubro”:

“O tribunal de Leiria manteve a decisão de absolver a gerente de uma piscina da cidade, onde, em Fevereiro de 2002 um menino ( na altura com nove anos)ficou gravemente ferido, depois de sugado pelo ralo do fundo.
….
Para o magistrado, a gerente do espaço “Físico-Leiria” “nada sabia sobre a sucção” e, por isso, “confiou em entidades que conhecem o procedimento de segurança e exigência técnica”. “Há pois a mais completa imprevisibilidade por parte da arguida no acontecimento”, considerou ainda o tribunal.
No final da audiência, a advogada da família do jovem que ficou ferido anunciou que vai avançar com um pedido de indemnização cível ao senhorio do espaço onde se situava a piscina, à gerente (arguida neste processo) e aos responsáveis da empresa que colocou as bombas de sucção de água naquela piscina.”


Quem conhece o caso da Flavia, compreende a razão da transcrição que agora faço.
Os acidentes com ralos de piscinas com poder de sucção anormalmente elevado, são, infelizmente, mais comuns do que se imagina.
As consequências, para o jovem português (quando sofreu o acidente tinha idade semelhante à da menina de S.Paulo quando igualmente foi vitimada) foram menos gravosas, mas, ainda assim muito sérias. Esteve em coma, estado do qual saiu com graves consequências de ordem física, neurológica e psicológica. A Flavia, permanece em coma, com o seu belo, luminoso e gaiato sorriso escondido dos nossos olhos.
E o que impressiona nestas notícias é que parece que as responsabilidades são sacudidas como quem sacode uma mosca do casaco.
Eu posso ser muito ignorante, tanto em matéria jurídica como em matéria técnica. Mas não me consegue entrar na cabeça que exista um dispositivo numa piscina que é capaz de aprisionar, qual armadilha sinistra, um corpo humano, de modo a causar-lhe lesões graves, sem que haja alguém que seja culpado.
Já andei pela Internet e verifiquei que há possibilidades de colocar sensores nesses ralos de modo a fazerem parar automaticamente a sucção, quando algo fica aprisionado na grelha. Isto, para além da obrigatoriedade da observação de normas sobre a graduação do poder de sucção das bombas de limpeza.
E mais: sendo as zonas das piscinas onde há ralos, potencialmente perigosas, por que não estão devidamente assinaladas e por que não há aviso a alertar para esses perigos? E por que esses ralos não estão protegidos por qualquer uma armação exterior que impeça um corpo de ficar aderente ao ralo?
São perguntas que um ignorante como eu gostaria de ver esclarecidas.
Se o Meritíssimo Juiz diz que a arguida de Coimbra não sabia de sucção, como pôde estar à frente de um equipamento onde esse dispositivo estava montado?
Será que o gerente de um restaurante, é dispensado de conhecer as normas de segurança contra incêndios, por exemplo? Ou o gerente de uma discoteca pode ignorar planos de evacuação?
E se for assim, o que me parece, com o devido respeito, algo de muito questionável, quem será, então responsável? Quem monta os equipamentos? O promotor do espaço? O gerente?
Não sei quem será. Mas alguém há-de ser.
Há vidas em perigo, há vidas destroçadas e isto não pode ficar impune.

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segunda-feira, setembro 22, 2008

A culpa vai, como sempre, morrer solteira?

Quando se ouve falar dos chorudos (e por vezes absurdos) salários e outras benesses dos administradores das grandes empresas, a justificação é, em regra, que eles têm de ser bem pagos, porque são os principais responsáveis pela geração de riqueza.
Ou seja, se produzem grandes lucros terão de ser generosamente pagos.
Quando essas grandes personalidades se retiram, com enormes indemnizações ou mesmo reformas antecipadas, sempre afirmam que apenas estão a usufruir das normas vigentes na empresa onde trabalharam. Esquecem-se, no entanto, de revelar que, muitas vezes foram esses mesmos administradores que implementaram essas mesmas regras de que acabam por usufruir.
Mas, agora, que a economia mundial está a dar estouros um pouco por todo o lado, porque quem detém (ou deteve) as rédeas do mundo e dos grandes potentados económicos, cometeu enormes disparates de gestão e de planificação, ocorre perguntar:
-Afinal, se esses dirigentes de topo, esses gestores de elite, desempenharam tão mal o seu trabalho, se, em vez de criarem riqueza estão a gerar pobreza, desemprego, falências, não deveriam repor os tão dilatados dinheiros e regalias de que indevidmente usufruiram ?
Ou será que eles, que tanto se pavoneavam, cheios de ciência e sabedoria, a apregoarem as suas teorias como se de verdades inquestionáveis se tratassem pura e simplesmente desaparecem, fazem uma pequena "travessia do deserto" para, daqui a uns tempos, quando as coisas serenarem mais um pouco e as pessoas se esquecerem deles, emergirem novamente, num outro qualquer cargo ou empresa, voltando a auferir os tais fabulosos salários e benesses que são um autêntico insulto para a comunidade em geral?
Ou, ainda: será que aqueles que recorrem invariavelmente aos "mexilhões"do costume, para fazerem pagar as crises que eles próprios provocam, sairão sempre airosamente do barco, sacudindo a água do capote e com a sua culpa eternamente solteira?

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segunda-feira, junho 16, 2008

Adeus, M.

A vida , por vezes, prega-nos partidas de todo inesperadas e injustas.
Conheci-te, M., há 25 anos, quando entrei para a tua família, através de uma das tuas irmãs.
A princípio, houve alguma reserva da tua parte, relativamente ao "intruso" que se ia acrescentar a esse pequeno clã que vocês constituiam e que funcionou, ao longo de muitos anos, como uma defesa, perante as ondas e marés por onde teve de navegar.
Mas, pouco a pouco, fomo-nos entendendo. Porque fui "entrando na tua pele" e, também, porque concluiste que eu não correspondia à ideia, que inicialmente formulaste, de que devido à pequena diferença das nossas habilitações académicas, te iria manter "à distancia".
E fomo-nos aproximando. Até porque descobrimos um gosto comum pelo futebol e pelo clube que ambos escolhemos.
Mas, há cerca de um ano, a vida pregou-te (pregou-nos) uma dessas absurdas partidas que são difíceis de aceitar. A ti, um dos membros mais novos da família.
E neste último ano foi muito doloroso conviver com a degradação física que a implacável doença te trouxe.
Acabas, M. de partir. Quando ainda tinhas tantos sonhos por cumprir. Agora que tinhas estabilizado na profissão. Agora que tinhas uma vida mais calma e fazias projectos para acompanhar mais os teus pais e o teu sobrinho.
Não poderás concretizar mais nenhum desses projectos.
A tua cadeira no Estádio do Dragão, ali mesmo ao pé da minha, vai ficar estupidamente vazia da tua presença. Já não te terei ali para te abraçar quando o nosso clube marcar um golo.E para conversar sobre as incidências do jogo, quando me davas boleia para casa.
Nunca mais poderemos repetir aquela aventura que foi termos ido a Sevilha ver o nosso FCP vencer a taça UEFA e virmos, de regresso, numa alucinante e eufórica viagem de quase oito horas, comigo ao volante e tu ao meu lado, tentando desesperadamente não dormir e a cada passo a recomendar-me que parássemos para eu descansar, enquanto os companheiros de viagem iam a sono solto.
Custa muito acordar para a realidade da tua ausência. Para o lugar vazio (mais um) que vai sobrar na próxima mesa de Natal.
Mas a vida é assim. Por vezes, prega-nos partidas tão inesperadas como injustas.
Adeus, M.

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segunda-feira, junho 09, 2008

A relatividade dos nossos problemas

Um destes dias ouvi uma entrevista com o jornalista Luis Castro que, se não estou em erro, trabalha para a televisão.
Ele tem actuado, designadamente, em cenários de guerra e em zonas onde ocorrem catástrofes.
Segundo disse, já assitiu à morte de um soldado que se esvaia em sangue e já teve uma criança a agonizar nos seus braços. Sem nada poder fazer, acrescenta.
E disse mais.
Depois dessas ocorrências, quando regressa a Portugal e "à vida de todos os dias" nota que reformula o seu modo de encarar as ocorrências desse quotidiano.
Aquilo que antes considerava como "problemas", como, por exemplo, a atitude do espertalhão que o ultrapassa numa manobra suicida, ou aquela avaria inesperada do computador, passam a ser meros contratempos sem grande significado.
Porque, acrescenta, problemas autênticos são mesmo aqueles que presenciou directamente: a miséria, a fome,a doença, a guerra.
E têm razão. É claro que cada um de nós tende a dimensionar as vicissitudes com que se depara, de acordo com os contextos particulares e pessoais em que ocorrem. E quem sou eu para dizer que aquilo que o outro está a sentir, não é, verdadeiramente, "um problema"?
No entanto, devo confessar que, depois de ouvir aquela entrevista, também eu acabei por sentir alguma modificação no meu comportamento.
Perante as chamadas "chatices" com que me vou defrontando dou por mim a pensar:
-António, não dramatizes ! Olha que há coisas bem piores!Dá graças por não as estares, neste momento, a viver!

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terça-feira, maio 27, 2008

Eu apoio!

Cá por mim, o boicote já começou há muito .

Há largos meses que não meto uma gota de combustível na Galp.

Mesmo que tenha de esperar algum tempo numa fila mais ou menos longa.

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quarta-feira, maio 21, 2008

Indispensável?

foto Peciscas Está sempre aqui à mão.
Quando escrevo, nomeadamente na blogosfera, com muita frequência me levanto e vou ali à estante consultá-lo. Para tirar dúvidas da grafia de uma palavra, para obter o sinónimo de um termo.
É o melhor dicionário que conheço.
No entanto, com essa história de um acordo ortográfico que é, no mínimo, precipitado, excessivo, por vezes até caricato, corro o risco de ficar com uma peça de museu na prateleira.
Eu acho que uma língua é um modo de comunicação dinâmico, que está em constante evolução. Mas, no caso presente, o que se está a tentar fazer é uma "revolução" tão radical e tão estapafúrdia, que, invalida, desde logo, a vontade de mudar seja o que for.
Se calhar, um outro acordo, mais realista, mas ponderado, mexendo apenas naquilo que for imperioso, para que a língua portuguesa continue a poder ser usada como meio de expressão usado por muitos povos que se compreendam entre si, fosse uma solução a encarar.
De qualquer modo, espero bem que esta tolice não vá para a frente, até porque a aquisição desta obra tão bem elaborada quanto completa e que tão útil me tem sido, ficou um tanto carota...

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terça-feira, maio 20, 2008

Basta!

Vi, na televisão, uma reportagem macabra que mostrava uma vítima do terramoto na China, que já estava soterrado há cinco dias.
As equipas de salvamento tentavam retirá-la dos escombros, mas com as equipas de televisão sempre de câmaras apontadas. Chegaram mesmo a filmar o momento em que o homem falou, através de um telemóvel, com a mulher, numa dramática e pungente última mensagem de amor.
Depois, faleceu e as televisões captaram imagens do corpo inerte.
Tudo isto demonstra que há um certo tipo de "jornalismo" que está a "bater no fundo".
Imagens de sofrimento são passadas com um realismo e uma crueldade quase obscenas, para gáudio das audiências.
De tal forma isto se está a repetir, que mais parece que os media estão a "vulgarizar o sofrimento".
E perante esta vulgarização, não há que admirar que as sociedades se tornem cada vez mais insensíveis perante a dor alheia.
É claro que, no meio disto tudo, lá aparecem umas campanhas de solidariedade, para "aliviar consciências". Mas é sempre uma minoria que adere, pois a maior parte fica-se apenas pelo voyeurismo, quando muito acompanhado por umas frases de comiseração.
Sempre defendi a liberdade de expressão como um valor fundamental de qualquer sociedade. Bati-me pela existência dessa liberdade, nos tempos em que ela era ferozmente condicionada no meu país.
Mas, tudo tem limites.
Os limites da decência.
Os limites do repeito pela dignidade da vida humana.
Ganhar audiências à custa de macabros e dantescos espectáculos de sofrimento?
Isso não!
Há tanta coisa para falar, tanto problema a resolver, tanta injustiça a denunciar, tanto erro a corrigir e a generalidade dos media prefere ocupar os seus tempos "de antena" com esta forma primária de "informar"?
Já chega!

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quarta-feira, abril 23, 2008

O que é que fazes agora?

Depois de me ter aposentado, quando me deparo com alguém que me conhece e sabe do meu estado laboral, não deixa de me perguntar:

-E agora, o que é que fazes?

Confesso que tenho cada vez mais dificuldade em responder.
Porque dizer que continuo a levantar-me cedo, que, todos os dias faço quase uma hora de marcha, que leio calmamente os jornais ou um livro, que ouço música, que, à tarde, passo algumas horas na internet, a actualizar o Peciscas, a visitar blogs amigos, a ler e escrever e-mails, a conversar com gente amiga, com o Google Talk ou o MSN não convence ninguém. De facto, depois de enunciar todas estas actividades, o comentário é, normalmente:

-Quer dizer, não fazes nada!

E logo a seguir, vem o conselho:
-Tem cuidado. Tens de arranjar alguma coisa para fazer, porque a inactividade é perigosa!
É que as pessoas parece que interiorizaram que só continua activo quem, de algum modo, desempenha uma actividade profissional, remunerada ou não. Ou seja, no meu caso, continuar a dar umas aulitas, uma explicações, ou coisa do género.
O poder usufruir do resto dos meus dias, de um modo mais livre e gostoso (este é um termo brasileiro que aprecio), parece que não é lá muito bem visto.
E ainda causa muita confusão, a muita gente, esta coisa de andar na internet, de aqui construir amizades ( a que chamam virtuais, mas que, se calhar, são tão reais como as outras - e ainda vou ter de falar nisso um destes dias), como se isto fosse um pecado, um vício, uma limitação de relacionamento.
Mas, na fase da vida a que cheguei, já não dou demasiada importância a estas apreciações críticas que me vão aprecendo.
O que quero, verdadeiramente, e o mais possível, é sentir-me bem naquilo que faço, respeitando o que os outros dizem, mas seguindo o meu próprio caminho.
Mesmo sem fazer nada...

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terça-feira, abril 01, 2008

Má educação, com boas maneiras?

O Psicólogo Eduardo Sá escreveu no Destak de 31 de Março, ainda sobre o caso “telemóvel no Carolina”.
Diz diversas coisas, mais ou menos óbvias, sobre o exercício da autoridade, mas, às tantas, entra num emaranhado de considerações que deixam o leitor perplexo e confuso.
Assim, afirma que “é importante que se estabeleça uma diferença entre o direito à má educação (com maneiras), própria da insolência do adolescente, e a violência verbal e o mau trato físico a um professor. Se a primeira merece a condescendência que, acto a acto deve merecer, a segunda e a terceira não”. (sublinhados meus).
Haverá alguém que me explique o que é esta história da “má educação com maneiras”?
Até porque, mais adiante, no referido artigo, Eduardo Sá, escreve: “Começando pelas regras de boa educação, que a respeito de uma incompreensível tolerância, são maltratadas no dia-a-dia de uma escola” ou “…mas a função da escola (que deveria ser o lugar onde se constroem pessoas melhores e não uma “linha de montagem” de jovens tecnocratas razoavelmente instruídos e mal educados) “.
Então em que ficamos? A má educação, “com maneiras” deve merecer condescendência ou não pode ser objecto de tolerância ?
Não haverá aqui uma incontornável contradição, senhor psicólogo?
A não se que, com aquele ar meiguinho mas superior que sempre exibe, me “dê a volta” e me convença, mais uma vez, que, afinal, “ o burro sou eu”.

Nota- O texto a que me refiro , não é ficção do 1º de Abril.

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terça-feira, março 25, 2008

Reciclar e votar...

Há quem diga que não colabora na reciclagem de resíduos domésticos, porque "não vale a pena". Argumenta que os grandes poluidores (automóveis, indústrias,...) é que são os principais responsáveis pela destruição da saúde do planeta. Por isso, "reciclar não vale a pena".
Há quem diga que votar não altera nada e "não vale a pena", porque, no fundo, são os políticos profissionais os que se vão alternando no poder, e a nossa vida não melhora com as mudanças. Por isso, "votar não vale a pena".
No entanto, cá por mim, apesar de tudo, continuo a separar os resíduos domésticos e coloco-os no ecoponto da minha rua. Porque acho que vale a pena reciclar.
No entanto, continuo a ir votar. Porque acho que, se não for votar, alguém o fará e, no fim, somos todos responsáveis pelas escolhas , por acção ou por omissão. Porque acho que vale a pena tentar reciclar estas políticas que já estão fora do prazo de validade...

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terça-feira, março 18, 2008

A minha noção de cultura

Ouve-se, muitas vezes dizer, a propósito de determinadas pessoas.
-Este homem tem uma grande "cultura geral".
Que significará esta designação.
Para muitos, isto quer dizer que a personagem sabe muitas coisas. Por exemplo, não hesita quando lhe perguntam quem foi George Whashington ou qual é a capital do Peru. Ou sabe muito sobre assuntos específicos tais como pintura ou música clássica.
No entanto, tenho para mim que não é verdadeiramente culto, quem só acumula conhecimentos, mais ou menos enciclopédicos, que podem esmagar e impressionar os semelhantes, mas que, pouca influência têm no modo de ser e de estar dessa pessoa.
Nesse sentido existe até a expressão "cultura de Selecções" inspirada na velha revista Selecções do Reader’s Digest, a qual fala sobre isto, aquilo e aqueloutro, com um tom mais ou menos (quase sempre menos) sério e científico.
Pois acho que só é culto quem é capaz de compreender o mundo que o rodeia, situar-se perante a vida e os outros, de modo a assumir , atitudes e comportamentos racionais, lúcidos, construtivos e solidários.
Assim, por exemplo, será culto, aquele que compreende por que é necessário reciclar os resíduos domésticos. Será culto aquele que, perante calamidades naturais, em vez de responsabilizar "o destino" pelas ocorrências, procura inteirar-se das suas razões, para conhecer eventuais soluções e exigi-las. Será culto aquele que, observando comportamentos sociais imprevistos, inteira-se das suas razões, para melhor poder lidar com eles.
No fundo porque, para mim, a cultura deve ser um instrumento para nos adaptar ao mundo e não uma mera decoração que gostamos de exibir.

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