ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

sexta-feira, julho 31, 2009

O gosto do "grande público" também se pode formar

Muitas vezes se supõe que determinados produtos culturais, como, por exemplo, a ópera e o canto lírico em geral, não têm vocação para chegarem ao chamado "grande público".
Esta é uma ideia feita que carece de rigor.
Sabemos de muitos países em que concertos de música clássica ou récitas de ópera concitam a atenção e o entusiasmo de grandes multidões.
Dir-se-à que isso "é lá fora".No entanto, penso que, entre nós, também se poderão ter espectáculos de música "dita clássica", sem serem servidos a um público "erudito"e "conhecedor".
É claro que um investimento na formação cultural de base dos cidadãos (com as escolas na primeira linha) daria aqui muito jeito. Mas, ainda assim, é possível "dar uma certa volta à situação".
Tudo depende da forma como esses produtos são apresentados.
Aqui vos deixo um exemplo. Trata-se de uma noite de ópera e canções napolitanas, que o Município de Valongo apresenta, há alguns anos, em auditórios ao ar livre, onde comparecem os munícipes que o desejam. Não há selecção. Mais novos ou mais velhos,com formações culturais diversificadas, ali vão.
E participam. E aderem. E "comportam-se" correctamente.
Ou seja, o gosto do "grande público" também se pode formar, para que não seja apenas preenchido por Carreiras, Emanueis ou Sintras.

Nota- No sábado, 1 de Agosto, realiza-se a edição 2009 desta iniciativa.

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segunda-feira, abril 13, 2009

O Barquinho

foto António Peciscas
Volta do mar, desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul, ilhas do sul
E o barquinho, coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz
Tudo isso traz
Uma calma de verão
E então
O barquinho vai
E a tardinha cai

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sexta-feira, outubro 31, 2008

Porque é fim de semana...

e porque gosto muito da Adriana e desta canção em particular.

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sexta-feira, junho 06, 2008

Mulheres ao Espelho


Quem por aqui passa com alguma regularidade, sabe que, entre as minhas tão diversificadas preferências musicais, incluo o fado.
Mas, como em tudo na vida, há música boa, há música má, há música assim-assim. O fado não foge a essa regra.
Assim, de acordo com os meus próprios critérios, faço uma filtragem que só deixa ficar o fado que cumpre os requisitos de qualidade poetica e musical que funcionam como "as minhas referências".
Entre os fadistas que amo, a Aldina Duarte ocupa um lugar especial.
Não só porque tem um
espaço na blogosfera, onde passo com muita frequência, pois ali há sempre poesia de excelente qualidade, criteriosa e diligentemente seleccionada pela autora do blog
A Aldina Duarte tem sabido percorrer os degraus da sua carreira, de uma forma particularmente digna. Nem sempre fácil, pois a artista não escolhe os caminhos da facilidade.
Exigente na selecção dos textos que interpreta. Muitos deles da sua autoria. Que quase sempre coloca sobre músicas tradicionais de fado.
Aldina acaba de lançar o seu terceiro disco: “MULHERES AO ESPELHO”. Que, é, para além de tudo, em si mesmo um acto de coragem, pois resulta de uma produção independente, já que a fadista criou a sua própria editora.É que as chamadas "grandes editoras" parecem entender a arte musical,unica e simplesmente, como um mero "produto de mercado".
É um trabalho para ouvir, devagar; para saborear.
Para sentir o crescimento artístico desta mulher que aqui nos surge mais madura, mais segura de si e dos seus objectivos no campo musical que é o seu.
Interpreta os temas que seleccionou, de uma forma digamos, depurada, sem recurso a jargões estilísticos que, muitas vezes, vemos e ouvimos associar a uma "autenticidade fadística" que a mim, particularmente, não me convence.
“Mulheres ao Espelho”, com belíssimas palavras de apresentação de Maria João Seixas, vale pelo seu todo artístico. Poderia, entretanto, destacar, um poema de Maria do Rosário Pedreira, dito pela autora e que Aldina Duarte incluiu no seu disco. É um texto intenso, dramático, que me tocou particularmente.
Para quem gosta de fado, aqui fica a viva recomendação para que descubra este disco. E, mesmo para quem não costuma gostar, a sugestão de que, talvez, ao ouvi-lo, possa começar a mudar de opinião.
“E, para provar o que digo”, aqui vos deixo a faixa 1:
Letra de Aldina Duarte, música de Alfredo Duarte (Marceneiro)
“No fim”


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segunda-feira, setembro 17, 2007

A resposta ao teste

Pelos vistos, o pessoal que por aqui passou e escutou o som do clip que gravei na feira medieval de Mangualde, não identificou a música interpretada pelo agrupamento que por lá andou.
No entanto, se calhar, muitos já ouviram este cântico religioso.
Em igrejas, em procissões, era cantado, muitas vezes, quando eu era miúdo.
Penso que ainda hoje ele é entoado em cerimónias religiosas, designadamente, em Fátima.
Chama-se "Miraculosa Rainha dos Céus" e surge aqui numa versão interpretada pela Isabel Silvestre, como sendo um tema de cariz popular.
Comparem este som com o do post anterior e verificarão que se trata da mesma música.
Fiz algumas buscas para tentar aclarar a origem desta canção, mas não cheguei a conclusões definitivas. Encontrei, por exemplo, uma partitura, que mencionava a autoria de F.Naves, mas com um ponto de interrogação.Por outro lado, aparece integrada em diversas páginas onde se listam cânticos religiosos.
De qualquer modo, tenho grandes dúvidas de que seja uma música medieval, tal como foi apresentada na Feira.
Mas, nestas coisas da história, nunca se sabe...

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sexta-feira, setembro 14, 2007

Um teste de cultura...

Ouve o tema que se segue, captado numa feira medieval e tenta identificá-lo.
Se não conseguires, é porque a tua cultura histórica ainda tem lacunas.
Mas, se assim for, não desanimes, pois nunca é tarde para aprender...

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terça-feira, julho 24, 2007

Continuas a ter razão, Paco Ibañez

O Paco diz, ainda hoje, que a poesia é uma arma.
Continua a ter razão.
As palavras desta canção têm, pois, uma enorme actualidade.
Aqui e agora, também!


LA POESÍA ES UN ARMA CARGADA DE FUTURO

Poema de Gabriel Celaya

Cuando ya nada se espera personalmente
exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.

Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades ;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.

Maldigo al poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido,
partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas. Siento en mi a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto y canto y cantando más allá de mis penas
de mis penas personales,
me ensancho, me ensancho.

Quiero daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso, con técnica que puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España,
a España a sus aceros.

No es una poesía gota a gota pensada,
No es un bello producto. No es un fruto
perfecto,
es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejen
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un
adorno
Estamos tocando el fondo,
Estamos tocando el fondo.

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sexta-feira, abril 20, 2007

Fiquem lá com mais uma musiquinha do Chico, para este fim de semana

sexta-feira, março 16, 2007

Canções da minha vida 5

A escolha com que encerro esta série de canções que marcaram a minha vida, (e que poderia incluir muitas outras) assume para mim um valor sentimental e emotivo bastante particular.


Nos anos sessenta, a juventude do meu tempo, onde me incluía, começou a ter que despertar para a crua realidade da guerra.
Qualquer um de nós estava sempre na iminência de ter que ir, algures, pegar numa arma e matar ou morrer. Por razões que não eram as nossas.
Por isso, este Le Déserteur do Serge Reggiani sobre um poema de Boris Vian (e que aqui surge numa versão ilustrada por obras de Gauguin) , para muitos de nós, era, essencialmente, uma forma de contestação à guerra em geral (e à colonial, em particular). Era escutada e entoada em grupo, sempre de modo clandestino, pois era obviamente incómoda para o regime e, por isso, censurada,No texto, da canção, fala-se no contrasenso que consiste em um qualquer político decidir sobre a vida e o futuro de jovens a quem impõe o sacrifício decisivo das suas próprias vidas.

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quinta-feira, março 15, 2007

Canções da minha vida 4

As razões da inclusão desta canção na minha selecção, poderá, de certo modo ligar-se às que determinaram a opção pelo "Imagine" do J. Lennon.


Com efeito, "What A Wonderful World" transmite-nos uma ideia de optimismo e de que, afinal, há muitas coisas que justificam que queiramos viver neste planeta, que vale a pena preservar e defender.
Por outro lado, a voz, estranha mas única do Louis "Satchmo" Armstrong, ficará na história da música, marcada de modo indelével.

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quarta-feira, março 14, 2007

Canções da minha vida 3

Na selecção que tenho vindo a apresentar esta semana, incluo mais uma das minhas escolhas, muito discutíveis e pessoais.


Franck Sinatra era, no mínimo, uma personalidade muito controversa.
Sobre ele pesaram sempre suspeitas de ligações não muito claras a determinados submundos da sociedade americana.
Mas se não aprecio o Sinatra "pessoa", não posso deixar de considerar o Sinatra "artista", um predestinado. Ele conseguia pegar numa canção e "interpretá-la" com toda a densidade que pode ter este termo.
Por exemplo, este My Way que aqui vos trago, na sua VOZ, transformou-se num ícone da música ligeira de todos os tempos.
Tendo nascido pela mão do compositor e cantor francês Claude François, foi transformada por Paul Anka, mas seria o Sinatra que lhe transmitiu a projecção de quase "hino nacional" como, em certos espectáculos, o próprio cantor a designava.

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terça-feira, março 13, 2007

Canções da minha vida 2

Continuo a apresentar, nesta semana, as 5 canções estrangeiras que coloco no topo das minhas preferências.



Este Imagine do John Lennon ( para mim o mais talentoso dos Beatles) está muito associado à minha visão do mundo e da vida.
Podem chamar-lhe utopia, idealismo, romantismo ou sei lá o quê, mas é bom acreditar que as coisas podem ser melhores e que, pouco a pouco, podemos engrossar a corrente daqueles que caminham no sentido de um mundo mais justo, mais saudável, mais fraterno e mais pacífico.
No mínimo, vale a pena imaginar...

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segunda-feira, março 12, 2007

Canções da minha vida 1

Há tempos, através da série "Variações sobre o mesmo tema", aqui vos falei sobre o meu gosto pelo fado.
Agora, durante esta semana,irei dar-vos conta das canções que, de algum modo me marcaram e que elejo como "canções da minha vida" . É claro que, como sempre, os gostos são relativos e discutíveis.Estas são, apenas, "as minhas escolhas".
Serão, por motivos operacionais, apenas 5 as que, por agora selecciono.
E deixo de lado as que são oriundas de artistas portugueses. Mais tarde, irei pegar nessa área.

No topo , coloco aquele que, para mim, foi o maior de sempre: Jacques Brel.
Nascido na Bélgica, nunca o seu país o amou como ele merecia. Foi, afinal, a França que o acolheu e que projectou, no mundo, a enorme dimensão do seu génio único.
Brel, tinha, na música, diversas facetas, onde se destacam, por um lado, a intensidade dramática e poética das suas canções de amor e por outro, a crítica social, mordaz, satírica e certeira.
Não cultivou, em vida, o vedetismo gratuito, que esconde, tantas vezes, a falta de um real talento. Quando soube que a morte se aproximava, retirou-se discretamente, e soube acabar os seus dias com uma enorme dignidade.
Para representar a sua obra inesquecível, aqui vos deixo aquela que considero a mais bela canção de amor jamais escrita.
Ne me quitte pas
Escolhi esta versão em clip de video, por me parecer que, jogando sempre com o grande plano, o realizador expressa aqui bem toda a carga dramática que o grande Brel, transmitia, quando, em palco, soltava toda a sua alma!

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