ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Como lhes chamar?

foto Peciscas Energúmenos, imbecis, marginais, pulhas, idiotas, criminosos, anti-sociais... ou simplesmente "burros" (com muito respeito por esses simpáticos animais que, se calhar envergonhados por usarem o nome da sua espécie para denominarem esta gentalha, já caminham para a extinção...).

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sexta-feira, agosto 14, 2009

Cranças refugiadas em Moçambique- Um drama de África

Mão amiga fez-me chegar, em amável oferta, o livro "Crianças refugiadas em Moçambique- Um drama na África" de Grace Olsson.
A autora, uma brasileira nordestina radicada na Suécia, onde vive com o marido, apresenta-nos, nesta obra, um trabalho, misto de pesquisa e de reportagem, que constitui a sua tese de graduação em Direito.
Grace não é, no entanto, alguém que se fica pelo trabalho teórico em torno de uma problemática que tem sido pouco tratada. Isso já seria importante. Mas esta nossa colega de blogosfera (que é também uma excelente fotógrafa), vai bastante mais além. Desloca-se a campos de refugiados e convive com a dura realidade que estes cidadãos tão desprotegidos suportam no dia a dia.Assim, passou algum tempo no campo de Maratane, no norte de Moçambique (onde se deslocou diversas vezes).
Os dados e relatos que nos traz deste recanto de um país que sempre estará ligado à nossa história , são impressionantes.
Entretanto, mais do que aquilo que eu poderia dizer sobre esta importante obra, serão as próprias palavras retiradas do livro, que poderão ilustrar o seu alcance e valor humano.
Transcrevo:
"A realidade é que de cada 10 refugiados no mundo, sete são aceites por países pobres e que os países ricos reagem fechando fronteiras dificultando a aceitação de refugiados no meio social, excepção feita à Suécia, que "em 2005 recebeu 9339 refugiados", mais do que todos os países da União Europeia juntos. "Temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos" já dizia o líder americano Martin Luther King."
E , mais adiante, falando do Campo de Refugiados de Maratane:
" O dia por lá parece não ter fim. E, com excepção de alguns refugiados, a maioria não tem conhecimento de que há Convenções, Tratados e Estatutos a protegê-los. Moçambique, apesar de um país pobre, é solidário e não fecha as suas fronteiras para nenhum refugiado que bata à sua porta".
E, ainda, na conclusão do livro:
" Sonhar, para a criança refugiada é um verbo conjugado sempre no presente, de forma confusa embaçada de cenas em preto e branco e com as cores do arco-íris que somente as mentes infantis são capazes de criar. Se navegar é preciso, no mundo infantil da criança refugiada, SONHAR é o melhor remédio para a cura de males que um dia, quiçá, deverão ficar para trás".
Estas breves citações poderão ajudar-nos a compreender a grande dimensão humana de Grace Olsson, que abraçou a causa dos refugiados de forma totalmente altruísta, bem diferente daquela que sustenta a actividade oficial na ONU de um político bem nosso conhecido, que foi chefe de governo , do qual fugiu para hoje ocupar um cargo que é bem remunerado.
Aliás, os proventos da venda deste livro de que hoje vos falo, reverterão para o auxílio das crianças refugiadas em Moçambique.
Fazem falta no mundo, muitas Grace Olsson.

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sexta-feira, julho 31, 2009

O gosto do "grande público" também se pode formar

Muitas vezes se supõe que determinados produtos culturais, como, por exemplo, a ópera e o canto lírico em geral, não têm vocação para chegarem ao chamado "grande público".
Esta é uma ideia feita que carece de rigor.
Sabemos de muitos países em que concertos de música clássica ou récitas de ópera concitam a atenção e o entusiasmo de grandes multidões.
Dir-se-à que isso "é lá fora".No entanto, penso que, entre nós, também se poderão ter espectáculos de música "dita clássica", sem serem servidos a um público "erudito"e "conhecedor".
É claro que um investimento na formação cultural de base dos cidadãos (com as escolas na primeira linha) daria aqui muito jeito. Mas, ainda assim, é possível "dar uma certa volta à situação".
Tudo depende da forma como esses produtos são apresentados.
Aqui vos deixo um exemplo. Trata-se de uma noite de ópera e canções napolitanas, que o Município de Valongo apresenta, há alguns anos, em auditórios ao ar livre, onde comparecem os munícipes que o desejam. Não há selecção. Mais novos ou mais velhos,com formações culturais diversificadas, ali vão.
E participam. E aderem. E "comportam-se" correctamente.
Ou seja, o gosto do "grande público" também se pode formar, para que não seja apenas preenchido por Carreiras, Emanueis ou Sintras.

Nota- No sábado, 1 de Agosto, realiza-se a edição 2009 desta iniciativa.

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terça-feira, julho 28, 2009

Cidadãos com necessidades especiais- 2

(conclusão do post ontem iniciado)

Ainda estamos muito longe de corresponder, em legislação e em acção, à obrigação de respeitarmos os direitos dos cidadãos com necessidades especiais.
No entanto, pouco a pouco e mercê da intervenção de activistas que defendem esses direitos e, em particular, das associações que integram esses cidadãos, algumas medidas, aqui e ali, vão sendo tomadas.
Um destes dias, ao ver uma reportagem na televisão, fiquei a saber, com particular satisfação que a Ópera de Paris tem, nos seus espectáculos, previsto o apoio a cidadãos com limitações auditivas e visuais.
Assim, para, aos cegos, emprestam-se, no início da récita, uns auscultadores, através dos quais, eles têm acesso a uma descrição audio do que se passa em cena (cenários, evolução das personagens, ...).
Para os cidadãos de baixa visão, os programas e os textos de apoio são fornecidos em ampliações convenientes.
Para os surdos, estão previstos pequenos monitores onde, através da linguagem gestual são transcritas as palavras interpretadas pelos artistas.
Este é um bom exemplo de que, num mundo onde a tecnologia "pula e avança" a cada dia que passa, muito se pode fazer para ajudar a que os cidadãos com necessidades especiais fiquem mais perto de uma integração equilibarda na sociedade de que fazem parte.

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segunda-feira, julho 27, 2009

Cidadãos com necessidades especiais - 1

Não concordo com o termo "deficiente" para designar pessoas que têm limitações de ordem física, sensorial ou mental.
Porque, no fundo, se calhar a maioria de nós teria de ser considerada dessa forma.
Por exemplo: eu uso óculos. Portanto,nessa perspectiva, serei portador de uma deficiência visual.
Prefiro usar "cidadão com necessidades especiais" para falar dessas pessoas.
Poder-se-á dizer que isso se será um eufemismo. Mas eu sustento que não, pois ao falarmos nestes termos estamos a manifestar a atitude de considerarmos estes homens e mulheres como seres com direitos, dignidade e não como alguém que merece comiseração.
Há quem encare estes cidadãos como alguém a quem apenas se concedem pequenos gestos de "caridade" tais como ajudar a atravessar uma rua, ceder o lugar num transporte ou empurrar uma cadeira de rodas.
Quem assim encara a situação, não se indigna quando vê as cidades e as construções cheias de obstáculos que impedem a circulação desses cidadãos. Ou constata serem ocupados os lugares destinados a essas pessoas por outras que deles não necessitam.Ou sente que há descriminação negativa na maioria de serviços que não prevêem o correcto atendimento desses indivíduos com necessidades especiais.
Fui professor de alunos com algum tipo de limitações e aprendi muito com eles. A descobrir as potencialidades de que qualquer ser humano dispõe para vencer, com mais ou menos facilidade, desafios e obstáculos.
Por isso fui levado, cada vez mais, a respeitá-los e a considerá-los como credores de carinho e apoio.

(para não tornar o post demasiado extenso, publicarei, amanhã, a parte restante deste texto).

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terça-feira, maio 05, 2009

Por coincidência, no Dia da Mãe...

"A PSP não paga os suplementos remuneratórios às agentes que se encontram com licenças de gravidez de risco , de maternidade ou em períodos de baixa médica. Um parecer da Procuradoria Geral da República dá-lhes razão mas o Ministério da Administração Interna ainda não modificou a situação."
Esta notícia veio a lume no...Dia da Mãe.
Quer dizer, por mais palavrinhas bonitas que se digam, por mais quotas que se estabeleçam para o acesso aos cargos políticos, o que é certo é que a Mulher contunua a ser discriminada. E, na maior parte dos casos, porque a natureza a dotou da mais mágica e nobre capacidade vital: a de ser mãe.
Por isso, bem se podem inventar medidas de incentivo à natalidade, bem se pode clamar que o país está a envelhecer e que as famílias têm cada vez menos filhos. Enquanto persistirem estes atentados ao direito de as mulheres poderem ter os seus filhos com o apoio, o carinho e o aplauso da sociedade, estaremos sempre em face da mais cínica das hipocrisias.
Deixem de criar um Dia da Mãe e permitam que as mulheres possam ser mães todos os dias.

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segunda-feira, maio 04, 2009

Contrastres

Nestes tempos de crise, nem tudo são más notícias.
Ouvi, na televisão, falar-se do caso de uma senhora, na Régua, que deixou, em testamento, 30 mil euros, às suas três cadelas, para que lhe fossem proporcionados, até ao fim da vida, os cuidados necessários à sua digna subsistência.
Na zona onde moro, a cada passo, pessoas sem escrúpulos abandonam animais que por aí ficam a deambular, magros, sujos e tristes.
O contraste destas situações permitem-nos concluir da veracidade do velho aforismo:
- Até para se ser cão é preciso ter sorte.

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quinta-feira, abril 09, 2009

Os sindicatos serão dispensáveis?

Muitas vezes se ouve por aí dizer mal dos sindicatos, designadamente a nível de governantes.
É claro que, os sindicalistas não estão a salvo de quaisquer críticas, que muitos deles evidentemente merecem.
No entanto, dizer, por exemplo "que os sindicatos não servem para nada" pode ser uma afirmação instintiva ou emocional, mas que tem subjacente uma perspectiva algo perigosa..
Creio que um dos pilares da democracia é mesmo o sindicalismo, responsável e construtivo. Mas não encarado apenas como uma retórica figura social.
Reparemos numa coisa: se, por acaso, um destes dias acabassem todos os sindicatos, quem corporizaria os descontentamentos que hão-de permanecer nas sociedades?
Se eles não existissem, deixariam todo o campo livre à ocorrência de manifestações mais ou menos expontâneas, mais ou menos selvagens, que desencadeariam episódios de extrema violência. Seriam, afinal, hordas desenquadradas e à margem de qualquer lei, que tomariam conta das ruas.
Aliás, na presente crise que assola o mundo, o risco dese tipo de manifestações, já começa a ser bastante real. Aqui e ali, vão-se acendendo pequenos (por agora) rastilhos.
Há vozes, até oriundas de insuspeitas personalidades, que têm uma longa experiência de navegação nas águas políticas, que vão alertando para esse problema.
E essas mesmas vozes avisam que, enfraquecer a imagem dos sindicatos, pode trazer alguns dividendos a curto prazo, mas pode, a breve trecho, acarretar consequências que todos depois lamentariam.
Os sindicatos, continuam, pois, a ser necessários, para poderem corporizar frustrações, queixas, desencantos, mas de uma forma institucional, organizada e, sobretudo, legal.
Não deixemos de reflectir em tudo isto quando, em determinados momentos, ouvimos "deitar abaixo" do sindicalismo.

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segunda-feira, abril 06, 2009

Um insulto!

Um jovem, recém-licenciado, vai a uma entrevista para um eventual emprego numa conhecida firma de comercialização de automóveis.
As funções tinham a ver como o apoio à direcção. Ou seja, o jovem teria de ser uma espécie de "moço de recados" para andar, de um lado para o outro, a levar a cabo aquelas tarefas pouco aliciantes de que os grandes executivos não gostam, mas que são essenciais ao progresso das firmas.
Mas, na altura de saber o que a empresa tinha para lhe oferecer como retribuição do trabalho, o jovem abriu a boca de espanto.
- O seu salário vai ser de 6 euros por dia.
Não é gralha mesmo. SEIS EUROS POR DIA!
Uma empregada de limpezas domésticas ganha, no mínimo, essa importância numa hora...
Enfim! Crise é crise, mas há quem se esteja a aproveitar dela para insultar quem necessita de ganhar a vida.

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segunda-feira, março 02, 2009

A propósito de Darwin

Há personalidades que ficam na História porque marcam viragens decisivas no pensamento colectivo da Humanidade. Porque, para além da inteligência, tiveram a coragem de afrontar o que era impensável pôr em dúvida. Por vezes, com inegáveis riscos pessoais.
Aristóteles, Galileu, Einsten, Jesus Cristo, por exemplo.
E Darwin, de que se comemoraram recentemente os duzentos anos de nascimento.
Este cientista, ao criar a teoria da "Evolução das Espécies", veio mostrar que, afinal, o homem não era o centro das coisas, mas sim mais um elo de uma longa cadeia de transformações vitais, num mundo em permanente mudança.
Ora, essa teoria, foi, na altura, considerada como subversiva e, mesmo o próprio Darwin, conciente de que estava a colidir com valores bem poderosos,designadamente religiosos, reservou a divulgação das suas teses apenas a amigos mais próximos.
Com o decorrer dos tempos, sucessivas contribuições da ciência, haveriam de, por um lado, confirmar a justeza da teoria e, por outro, corrigi-la em alguns aspectos.
Ainda hoje, a teoria do Criacionismo, que se opõe ao Evolucionismo, não se dá por vencida e contrataca com argumentos a seu favor.
E, afinal, a história do pensamento, tem sido sempre um pouco assim. Feita de génios visionários que, de onde a onde surgem a rasgar clarões, mas que têm que lutar contra os dogmas e poderes estabelecidos. Que bem melhor fariam se fossem capazes de ouvir, reflectir, avaliar das razões dos outros, em vez de tentar sufocá-los com a imposição do silêncio e do obscurantismo.

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Os tempos de crise são bons para alguma gente...

Na passada quarta-feira, a Fatyly referia-se á crise que se vive e à forma como alguma gente habilidosa e sem escrúpulos se aproveita dela para "se encher".
É bem verdade.
As épocas de crise, são sempre excelentes oportunidades para se fazerem bons negócios.
Eu nasci num tempo em que a Segunda Guerra Mundial ainda grassava na Europa (vejam lá como sou cota...).
Pois, embora Portugal (graças ao "nosso" Salazar) não vivesse directamente o conflito, foi claramente afectado por carências várias, designadamente em bens de primeira necessidade.
Ouvi várias vezes os meus pais falarem do racionamento do azeite, do açúcar, do pão.
Havia senhas que eram distribuídas às famílias, para irem às lojas comprarem o que aparecesse.
É claro que tais carências foram aproveitadas para alguma gente vender esse tipo de artigos no "mercado negro" obtendo com isso chorudos lucros.
Lembro-me também de me contarem que tinham um amigo proprietário de uma padaria. Vivíamos, então no Alentejo. E sabe-se como o pão é essencial aos alentejanos.
Então, o povo acorria a essa padaria, onde se formavam filas de gente á espera de poder levar alguns nacos de pão para matar a fome.
O meu pai ia ajudar o amigo. Este, ao reparar que o meu progenitor deixava parar a balança onde pesava o pão, logo lhe fez ver que esse procedimento não deveria ser seguido. Ou seja, o pão deveria ser posto no prato da balança e ser retirado quando o ponteiro atingia o máximo. Assim se ganhavam mais uns gramas que o cliente , afinal, não levava para casa.
Esse amigo do meu pai, quando a guerra acabou, ainda teve o desplante de dizer:
-Se a guerra tivesse durado mais uns dois anitos, ninguêm tivesse pena de mim!
Mesmo assim, acabado o conflito, já era proprietário de um bairro inteiro na cidade onde vivia.
E, quando o conheci, já só vivia dos rendimentos.

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quinta-feira, janeiro 08, 2009

Corrupção, um fenómeno socialmente aceite?

Há tempos, falando com uma amiga que tem um conhecimento directo das realidades que se vivem num país que foi em tempos uma colónia portuguesa, manifestava-lhe alguma estranheza pelo facto de, em recentes eleições, o povo desse país ter renovado, esmagadoramente, o mandato aos dirigentes que ali governam há longos anos.
E a razão da minha perplexidade tinha a ver com o facto de ser voz corrente que tais governantes, "se têm governado", acumulando grandes fortunas, certamente obtidas à custa de recursos públicos.
Pois essa amiga brandiu-me com este argumento:
-Pois é. Mas sabes o que o povo diz? É que estes que lá estão, já roubaram tanto que agora já precisam menos. Por isso, já vão fazendo umas coisas para bem da população. Se viessem para cá outros, teriam que começar a roubar "do zero" e isso iria dar-nos muito mais prejuizo.
Ou seja, como dizia hoje o Manuel António Pina no JN, a corrupção é já um fenómeno socialmente tão aceite, que dificilmente será erradicado.

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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Afinal...

Na passada sexta-feira, fui até ao Porto, porque precisava de levantar uns exames médicos.
Ao atravessar a cidade, dei conta de que o trânsito estava anormalmente fluido, sem qualquer engarrafamento.
Por outro lado, ia verificando que a maioria dos estabelecimentos comerciais, das obras de construção civil e outras actividades do sector privado, estavam, na generalidade, paralizados.
Quando cheguei ao consultório onde esperava levantar os ditos exames, dei com o nariz na porta. Quer dizer que só na segunda-feira é que abriria, para voltar a encerrar no último dia do ano, retomando apenas a actividade plena no dia 5 de Janeiro.
Por que é que falo nisto?
Simplesmente pelo facto de haver por aí muita gente que insiste em fazer passar a ideia de que, só há pontes e fins de semana alargados no sector público.
Quando o Governo decretou a tolerância de ponto (mas neste caso abrangendo um só dia da semana de cada uma das festas) não estava só...
Como se comprova, também no sector privado existem estas benesses. Aliás, li algures, um empresário a dizer que era melhor conceder estas tolerâncias, porque a produtividade nesta época reduz-se drasticamente.
Devo acrecentar, como nota final, que, nesse dia, fui à Loja do Cidadão do Porto, onde há balcões de bastantes serviçõs públicos e, todos eles estavam a funcionar...

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Pudera!

Numa das suas imperdíveis crónicas de última página do JN, o velho amigo Manuel António Pina, falava, um destes dias, na forma como, muitas vezes, se encaram as personalidades políticas, ignorando o que dizem para se ter mais em atenção o seu aspecto físico.
E é mesmo assim. Temos, entre nós, muito o hábito de, quando alguma dessas figuras aparece na televisão (por exemplo), começarmos logo a comentar a maneira como está vestida, o modo como agita as mãos, o penteado. De tal modo que as palavras que estão a ser ditas ficam logo soterradas por esses comentários laterais.
É claro que esses procedimentos têm algo a ver também com as técnicas de imagem que cada vez mais se usam para se "imporem" essas figuras.
Não será por acaso que, há tempos, apareceu uma notícia dizendo que o nosso Primeiro Ministro foi considerado uma dos homens mais bem vestidos do mundo (graças aos seus fatos Armani ou aos sapatos Prada).
Também nãoterá sido por acaso que, no dia seguinte a uma entrevista da Ministra da Educação à jornalista Judite de Sousa, muita gente (designadamente nas salas de professores de escolas) comentava a inesperada cor dos olhos da senhora, muito provavelemnet alterada pelo uso de lentes de contacto. Confesso que, na altura em que visionei o programa, eu próprio dei comigo a pensar:" Afinal esta mulher tem uns olhos bem bonitos; nunca tinha reparado".
Tudo isto aponta para uma crescente valorização da forma com que a mensagem nos chega, em detrimento do conteúdo.
Depois fala-se na crise de valores e ideias.
Pudera!

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terça-feira, outubro 28, 2008

Três citações pra reflectir antes de agir

A regra é a seguinte:compota amanhã e compota ontem...
...mas nada de compota hoje.
L. CARROL.

Escolhe o trabalho de que gostes e não terás de trabalhar nem um dia na tua vida
CONFÚCIO

Os ditadores nascem em casas onde ninguém se atreve a dar ordens à criada
H. de MONTHERLANT

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segunda-feira, outubro 27, 2008

A resistência á mudança

Uma das características comportamentais que mais está presente na maioria das pessoas é a chamada "resistência à mudança".
Somos animais de hábitos e, por isso mesmo, tudo aquilo que implicar uma alteração nos nossos esquemas de pensamento, nas nossas rotinas ou tudo aquilo que sentimos estar a modificar-se à nossa volta, vai provocar reacções mais ou menos significativas da nossa parte.
Com maior ou menor dificuldade, é possível superar esse sentimento de resisência. Mas há, também, quem nunca o chegue verdadeiramente a conseguir. E, assim, mantém juízos de valor, apreciações morais ou éticas, rigidamente indexadas a um passado de que não quer afastar-se um mílimetro.
Há muitos exemplos que podem ser invocados para testemunhar esta resistência à mudança. Quando apareceram os Beatles houve muita gente a não entender o que significava e o que trazia de novo o "grupo dos guedelhudos de Liverpool" como depreciativamente os tratavam.
Hoje, são já considerados como "clássicos". Mas demorou o seu tempo
Há muitos anos, ver-se um casal beijar-se nas ruas de Portugal, era mais ou menos um escândalo. Hoje já é mais do que normal, embora haja ainda quem se incomode em assistir a esse tipo de cenas.
Nos anos sessenta conheci um francês que vestia calças de ganga manchadas e rotas. Era lautamente gozado por todo o lado.
Hoje, esse tipo de calças está na moda. Embora não deixe de haver quem olha essas peças, de soslaio e com olhar trocista.
Não há muito tempo, a abordagem de temas relacionados com a sexualidade e a reprodução humana nas escolas era um tabu gerador de graves tensões. Hoje, a maioria da população já acha bem. Muito embora persistam ideias contrárias.
É costume designarem-se por temas "fracturantes" estas questões que podem implicar a alteração de hábitos, preconceitos, rotinas. Mas, quer queiramos quer não, mais tarde ou mais cedo, há que enfrentar essas questões.
Com honestidade intlectual, com liberdade,com tolerância, em suma, com espírito de abertura.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

Uma original forma de protesto

Já há bastante tempo, mostrei-vos aqui imagens de um grande prédio, de construção recente,com a fachada bastante estragada. Grande parte do revestimento caíra ou ameaçava cair.
Os moradores do imóvel, devem, entretanto, ter tentado os posíveis e os impossíveis para que os construtores do prédio reparassem as anomalias.
Mas deve ter acontecido o costume: quando é para vender, tudo são sorrisos. Quando é para assumir responsabilidades por danos, alto lá, já cá não estou.
Até que, se calhar, cansados de utilizarem outras vias, os moradores resolveram recorrer à forma de protesto que estas minhas imagens documentam.
Pelo menos, a empresa construtora (por sinal uma das mais conceituadas do país), no mínimo, ficou com a imagem algo degradada.
Tão degradada como o próprio edifício que levantou.

foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas

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segunda-feira, setembro 22, 2008

A culpa vai, como sempre, morrer solteira?

Quando se ouve falar dos chorudos (e por vezes absurdos) salários e outras benesses dos administradores das grandes empresas, a justificação é, em regra, que eles têm de ser bem pagos, porque são os principais responsáveis pela geração de riqueza.
Ou seja, se produzem grandes lucros terão de ser generosamente pagos.
Quando essas grandes personalidades se retiram, com enormes indemnizações ou mesmo reformas antecipadas, sempre afirmam que apenas estão a usufruir das normas vigentes na empresa onde trabalharam. Esquecem-se, no entanto, de revelar que, muitas vezes foram esses mesmos administradores que implementaram essas mesmas regras de que acabam por usufruir.
Mas, agora, que a economia mundial está a dar estouros um pouco por todo o lado, porque quem detém (ou deteve) as rédeas do mundo e dos grandes potentados económicos, cometeu enormes disparates de gestão e de planificação, ocorre perguntar:
-Afinal, se esses dirigentes de topo, esses gestores de elite, desempenharam tão mal o seu trabalho, se, em vez de criarem riqueza estão a gerar pobreza, desemprego, falências, não deveriam repor os tão dilatados dinheiros e regalias de que indevidmente usufruiram ?
Ou será que eles, que tanto se pavoneavam, cheios de ciência e sabedoria, a apregoarem as suas teorias como se de verdades inquestionáveis se tratassem pura e simplesmente desaparecem, fazem uma pequena "travessia do deserto" para, daqui a uns tempos, quando as coisas serenarem mais um pouco e as pessoas se esquecerem deles, emergirem novamente, num outro qualquer cargo ou empresa, voltando a auferir os tais fabulosos salários e benesses que são um autêntico insulto para a comunidade em geral?
Ou, ainda: será que aqueles que recorrem invariavelmente aos "mexilhões"do costume, para fazerem pagar as crises que eles próprios provocam, sairão sempre airosamente do barco, sacudindo a água do capote e com a sua culpa eternamente solteira?

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quinta-feira, setembro 18, 2008

Deficiente mental?





No parque de estacionamento de uma bomba de abastecimento de combustíveis, estaciona, num local reservado a cidadãos com deficiência (não gosto deste termo, mas ele é mesmo usado oficialmente...), um "todo-o-terreno".
Da viatura sai um sujeito, alto, bronzeado, desembaraçado, passo ágil, de calção e sapatilhas.
Como sempre me incomodam as demonstrações de desrespeito dos direitos dos outros, olhei de lado o indivíduo, algo irritado com a desfaçatez.
No entanto, rapidamente a minha ira acalmou. De facto, o expedito automobilista seria mesmo deficiente. Deficiente mental, com um QI comparável ao do Bush. Portanto, tinha mesmo direito a parar ali.

Mas é curioso que, ao preparar este post e ao procurar uma ilustração condizente, acabei por encontrar a que vos mostro e que me fez concluir que, afinal, a minha reflexão sobre o tal cidadão oportunista não era assim tão original como isso.

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quinta-feira, setembro 11, 2008

Estudos e mais estudos 2

"Os traços de personalidade anti-social persistem na população humana e isso dever-se-á a uma estratégia de sobrevivência que usa armas eficazes: os "maus rapazes" têm muitos parceiros sexuais e reproduzem-se também muito mais.
Centrados neles mesmos, impulsivos e roçando o comportamento psicopáticos, capazes de magicar formas de explorar os outros. Estes traços são comuns a pessoas que têm dificuldade em manter relações estáveis, mas que têm uma vida sexual prolífica, apesar das suas características anti-sociais e de na maior parte das vezes não se importarem com o acompanhamento daqueles que geraram. Um grupo de investigadores da Universidade do Novo México, Estado Unidos, analisou estas personalidades e encontrou uma explicação para o facto de "serem os maus rapazes a conseguir ter a maior parte das raparigas".
Segundo eles, trata-se de uma estatégia de sobrevivência de acordo com as leis da evolução e que coloca em desvantagem os "bons rapazes
."
(in Jornal de Notícias 2008-08-25)
Ora aí está mais um desses estudos que abundam por aí e a que me referia um destes dias.
As conclusões de mais este estudo não são para mim (e para muitos outros professores) novidade nenhuma.
Quando ensinava, observava, com algum espanto, o sucesso que determinados "alunos" tinham jundo das raparigas.
Algumas destas jovens, que até eram "certinhas", boas alunas, bonitas, encantavam-se com uns malandrotes, cábulas, "chungosos", de boné ao lado. "Gunas" para usar o calão corrente.
Disputavam mesmo a preferência do indivíduo, por vezes, quase "oferecendo-se".
É claro que estas conquistas duravam o arder de un fósforo.
Estes sujeitinhos exibiam os "engates" como troféus de caça.
O pior é que, com frequência, vinham para a "praça pública" gabar-se do que tinham feito (ou não tinham, mas inventavam) com essas jovens.
Jovens que, em regra, saiam dessas aventuras, com marcas emocionais mais ou menos severas.
Afinal, de acordo com os cientistas, isso faz parte das "estratégias de sobrevivência".
Será mesmo? Ou não haverá, por baixo de tudo isto, graves problemas sociais, culturais e educacionais?

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