quinta-feira, junho 26, 2008

Isso é... fazer de nós parvos...



Como já sabem, gosto de futebol. Mas confesso que já me falta a pachorra para ouvir as declarações das gentes ligadas a esta ramo, sobretudo no final doos jogos.
Porque, invariavelmente, usam sempre os mesmos chavões que nada dizem.
Quando ganham:

- Estamos de parabéns!
O mais importante foi o clube ter vencido!
Blá Blá Blá!
E quando perdem? Quando não fazem o seu trabalho bem feito? Quando falham o golo certo ou dão um "frango"? Quase sempre sai uma expressão que é um espanto:
- Isso é futebol!
Bom, se a moda se propagar a outras profissões, passaremos a ter situações bem curiosas.
Na oficina, o automóvel sai ainda pior do que entrou. Rsposta do responsável:
- Isso é mecânica...
Se o professor ensinou mal:
- Isso é ensino...
Se o médico faz um mau diagnóstico:
- Isso é medicina...
Se o computador vem da "clínica"cheio de virus e não arranca:
-Isso é informática...
Quem pode, ensine lá a essa gente a mudar de discurso.
Que tal, por exemplo:
-Falhei. Peço desculpa. Vou procurar fazer melhor o meu trabalho!

quarta-feira, junho 25, 2008

Acertei na previsão !

Há não muito tempo, falava aqui sobre as provas de aferição de Matemática realizadas aos alunos dos 4º e 6º anos.
E, lá para o fim do post fazia uma previsão:

Com um teste deste grau de dificuldade, não será arriscado prever que, lá mais para diante, se vão apregoar loas à acção do ministério.

Não era muito difícil acertar.
Os resultados agora anunciados, com toda a pompa e circunstância pela Ministra, aí estão:

"Apenas" 18,3% dos alunos tiveram negativa no teste (contra 0s 41% do ano passado).

Ou seja, de um ano para o outro, os resultados negativos desceram para menos de metade...O que significa que o sucesso... mais que duplicou!
E não era de esperar outra coisa, dada a facilidade da quase da totalidade das questões apresentadas aos alunos.
A título de exemplo, deixo aqui alguns fac-simile (se necessário clicar na imagem para aumentar):



Na questão que se segue, o aluno teria de efectuar o complicadissimo cálculo de 100X100 (e poderia usar calculadora...)

Mesmo as pessoas para quem a Matemática não será a ciência preferida, não deixarão de concordar que se trata de qustões simples, para alunos que já têm 6 anos de aprendizagem da disciplina.
É claro que a Ministra tentou rebater as críticas que desde logo se ouviram, e que referiam a extrema facilidade da globalidade do teste, como razão essencial que justificava tão radical melhoria de resultados. E disse esta coisa espantosa: "Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade do teste".
Quem sabe, minimamente, construir um teste, consegue dissimular a facilidade, colocando uma ou outra pergunta menos acessível no meio de uma floresta de elementaridades.
No caso desta prova, para a mim (e para muitos outros colegas) seria esta a questão que obrigaria a um pouco mais de raciocínio (mas com cálculos ridiculamente elementares, ou seja 20X5, desde que se descobrissem as dimensões desejadas):


Quem trabalha em Educação, sabe bem que não se conseguem melhorias deste tipo de um ano para o outro. Aliás, no ano passado, a maioria dos alunos submetidos a estas provas estava a concluir o 5º ano, já com um ano de aprendizagem deste programa.
E arrisco-me a fazer outra previsão: do que já veio a lume sobre os exames de Português do 9º ano, se calhar também vamos ter melhorias significativas nesta área.
É por essas e por outras que eu digo que até um mero exame escolar pode ser uma arma política.



PS - Já depois de ter escrito este post , tive conhecimento da prova do exame de Matemática do 9º ano. O cenário de incrível facilitismo, repete-se. Há, designadamente questões que se resolveriam com toda a facilidade, com uma simples contagem pelos dedos.Quem quiser confirmar vá aqui
Assim sendo, esperem-se espectaculares "melhorias" nestes alunos(14/15 anos) que concluirão a escolaridade obrigatória. Eles aí estarão nas páginas dos jornais dentro de dias.
E, pelo que li, algo de semelhante se passará com os exames de Matemática do 12º ano.

terça-feira, junho 24, 2008

Estou ainda na ressaca...

Para quem não saiba, esta é uma foto de um alho-porro


Como ainda estou a dormir após a noitada de S. João e como aqui tresanda a odor do típico
alho- porro do Porto, o melhor é não entrarem...

segunda-feira, junho 23, 2008

Lá vou eu pró S. João





É noite de S. João
Vamos lá pr´ás Fontainhas.
Mas ao preço a que estão,
não posso comer sardinhas.

Com a "gasosa" a subir,
eu cá já sei como é.
Se à festa quero ir,
tenho mesmo d´ir a pé.

Ó santinho está na hora!
Se dos milagres és rei
manda lá daqui p´ra fora
uns gaijinhos que eu cá sei.

Com tanta asneira que vemos
a nossa vida azarar
já nem mais ânimo temos
p´ra ir à festa brincar.

Mas mesmo assim lá vou eu
talvez só p´ra disfarçar.
Se alguém à porta bateu
espere até eu voltar.

sexta-feira, junho 20, 2008

Viagens na minha blogosfera 6


Retomo hoje, após algum tempo de interregno, as viagens por blogs de que gosto particularmente.
Desta vez vou passar por amigos e amigas que chegaram mais recentemento ao meu comvívio virtual.
Devido ao processo de captação usado, as imagens não são muito nítidas.
Mas o que me move, essencialmente, é dar conta de blogs de que gosto.


quinta-feira, junho 19, 2008

Dependências

Segundo um estudo do ISCTE recentemente dado a conhecer, 60% dos alunos mantêm os telemóveis ligados durante as aulas e 70% dizem mesmo que se não tiverem o telemóvel disponível, ficam extremamente ansiosos.
Hoje, li no jornal a opinião de especialistas que afirmam que os pais devem, desde cedo, intervir na educação dos seus filhos, no que se refere ao uso destes aparelhos e de outros utensílios de uso mais ou menos lúdico, tais como consolas de jogos e computadores.Para que façam uso deles de modo equilibrado e racional.
É claro que também me preocupa que os jovens estejam, cada vez mais cedo, a cairem neste tipo de dependências, digamos, tecnológicas.
No entanto, há que ser cuidadoso na análise destas questões.
De facto, de hoje em dia, quem se pode afirmar livre de qualquer dependência, deste tipo ou semelhante?
Eu, pecador me confesso.
Se esta maquineta que me permite, neste momento, arengar sobre esta problemática, pifa, fico logo pouco menos do que enraivecido.
Se o meu pópó avaria, já me sinto quase órfão.
E a televisão, o telefone, a máquina de lavar, o..., a... ???
É que a sociedade actual, envolve-nos num subtil círculo de necessidades imperiosas que, muitas vezes, só temos consciência que existem e são poderosas, quando, por algum motivo, elas deixam de poder ser atendidas.