ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

segunda-feira, setembro 07, 2009

"Horas de limpeza"...

Como muita gente sabe, na maioria das escolas há falta de pessoal auxiliar.
Porque, de há muito, a abertura de quadros não compensa quer as saídas por aposentação ou falecimento ou mesmo, em alguns casos, o aumento da população escolar.
Para "disfarçar" os casos mais gritantes de carências deste tipo, o Ministério de Educação inventou uma solução chamada "horas de limpeza". E isto não é de agora, pois já se passa há largos anos.Eu próprio, como presidente do órgão executivo da escola onde trabalhava, tive de "mendigar" a atribuição dessas horas, para tapar "furos".
No entanto, não se pense, dada a designação, que estas horas se destinam exclusivamente a serviços de limpeza.
Os funcionários admitidos neste regime (sempre em situações de curta duração) podem fazer de tudo um pouco. Designadamente desempenhar funções de responsabilidade, tais como trabalhar na portaria da escola ou acompanhar alunos com Necessidades Educativas Especiais(NEE).
E, para quem não sabe, o pagamento que o estado concede a quem se dispõe a aceitar estes serviços (e há sempre candidatos) é de...3 euros por hora.
Para que fique devidamente comprovado o que digo, aqui vos apresento um exemplo de um concurso que uma escola abriu um destes dias para dois contratos deste tipo.
Assim vai o reino da Educação em Portugal.

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quarta-feira, setembro 02, 2009

Setembro diferente

Desde há três anos que o meu Setembro é diferente.
Antes disso,e num passado mais ou menos recente, quando acabavam as férias de Agosto e era tempo de começar mais um ano de trabalho lectivo, chegava a altura de levar a cabo as tarefas preparatórias de uma nova etapa profissional.
Limpar e arrumar a pasta, que tinha ficado num canto do escritório, carregada de papelada e de saturação.
Preparar as capas das cadernetas das novas turmas.
Seleccionar livros e outros materiais a utilizar.
Chegava, também, a costumada expectativa de conhecer novos colegas de trabalho e, sobretudo, novos alunos.
Como seriam? Como iria relacionar-me com eles? Que dificuldades me iriam colocar?
Nessa altura, sentia sempre que um outro ciclo se iniciava.
Depois de me ter aposentado e, mais do que isso, de ter saído tão descontente e magoado daquela que foi a minha profissão sempre desejada, o meu Setembro já não tem esses ingredientes que o condimentavam.
Mas, querem saber?
Não sinto falta desses Setembros.
Hoje, quando passei à porta de algumas das escolas da zona e vi os parques de estacionamento cheios de carros de colegas que já iniciaram o trabalho, senti-me ...aliviado.
Sem saudades dquela adrenalina de outros Setembros.
Não deveria ser assim.
Nunca esperei que fosse assim.
Mas é o que (ainda) sinto.
Para já.
Será que um dia as saudades virão mesmo?

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terça-feira, setembro 01, 2009

Em desespero de causa...

Leio numa revista:
" O espanhol Gerardo Ruiz Gómez entregou o filho de 10 anos numa esquadra de Egilés, em Navarra, para as autoridades o educarem. O pai desesperou, segundo conta o Diario de Navarra, após o rapaz ter sido expulso da escola, por ter insultado um professor e agredido um colega.Achou que nada podia fazer, até porque, em 2006 fora interpelado pela polícia e multado em 135 euros por ter dado em público uma par de bofetadas ao filho. Agora está de novo a contas com a justiça: por ter deixado o filho na esquadra é acusado de desobediência e abandono da criança."
Este caso pode ser caracterizado como insólito.
Mas, durante a minha carreira de professor, quantas vezes me confrontei com encarregados de educação com comportamentos afins?
Mais do que muitas...
Do género:
-Já não sei que fazer ao rapaz... Senhor professor, dê-lhe nas orelhas! Dê-lhe forte que não consigo fazer nada dele.
Mas nunca passei por nenhum caso de entrega do pimpolho na esquadra mais próxima...

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quarta-feira, agosto 19, 2009

Saber ler ?

Muitas vezes se fala na crescente incapacidade dos nossos jovens estudantes, face à leitura.
À leitura no sentido clássico do termo, ou seja à descodificação do sentido de conjuntos de letras, de frases...
Mas, o que é certo é que a sociedade em que vivemos, cada vez menos nos dispensa dessa necessidade de ler.
Vejam aqui mais um exemplo.
Dantes, as palavras "Entrada" e "Saída", informavam os passageiros dos caminhos a seguir para se utilizar o autocarro.
Agora há símbolos, mais ou menos explícitos, para que não seja preciso apreender o significado das palavras.
Ou seja, parece que, afinal, a capacidade de interpretar linguagem gráfica parece ser mais importante do que a capacidade de ler palavras.
E, depois, espantamo-nos com os resultados que vemos por aí...
foto Peciscas
foto Peciscas

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segunda-feira, agosto 03, 2009

Adeus B.

Conheci o B. no último ano em que estive na direcção da escola onde trabalhei.
Era um "aluno problemático", oriundo de uma "família desestruturada".
Frequentemente, o B. vagueava pela escola (onde vinha sobretudo para almoçar e merendar), não ia às aulas e praticava pequenos delitos. Era agressivo (principalmente quando o tratavam pelha alcunha que já vinha da família, pois pouca gente conhecia o seu nome próprio), subtraía objectos e mentia sobre tudo e nada.
Diga-se de passagem, que os professores da turma onde estava colocado, preferiam vê-lo fora da sala. Por isso, quando eu o apanhava a "vadiar" e o obrigava a ir para a aula,os meus colegas "torciam o nariz".
Quando o B. era conduzido ao meu gabinete, porque tinha atirado mais uma pedra a um colega ou porque tinha roubado uma esferográfica ou um estojo ou um relógio, era certo e sabido que começava por gritar a sua inocência, ao mesmo tempo que tremia quase convulsivamente.
Reparava, então, que na velha e suja mochila, não havia mais do que uma capa de argolas sebenta, com duas ou três folhas com algumas garatujas.
O B. , ao fim de seis anos de escolaridade no 1º ciclo, quase não sabia escrever.
Tive de o castigar, mais do que uma vez, aplicando os regulamentos disciplinares em vigor. Algumas vezes o levei a casa, situada num bairro social.
Mas eu sabia que o B. estar uns dias suspenso da frequência da escola, pouco adiantava. Ele regressava e voltava a prevaricar.
Aliás, este comportamento desviante, era estimulado pela própria família. O pai, alcoólico e a mãe, vivendo apenas do rendimento mínimo, davam cobertura aos "desvios " do filho, de que até tiravam partido.
Recusei-me a acreditar que o B. não tinha solução.
Assim, quando deixei o cargo de Presidente do Conselho Executivo, fiz questão de colocar o B. numa classe. de que seria professor e director de turma.E enfrentar o desafio que o B. constituia.
E aí, com a colaboração da excelente equipa de professores que me acompanhava, com avanços e recuos, conseguimos, pouco a pouco, que o B. se fosse modificando.
Por exemplo, arranjei-lhe um cacifo, de que só eu e uma funcionária tínhamos a chave, para guardar o material escolar que lhe era distribuído. Assim, o B. teve cadernos e livros durante todo o ano pois não os levava consigo no fim das actividades escolares.
Nas aulas, que passou a frequentar assiduamente, todos ajudavamos o B. a superar as imensas dificuldades de aprendizagem que carregava.´Foi transitando de ano. Certamente que, não tenho problemas em o reconhecer, concedendo-lhe o "facilitismo" que era condição básica para que o B. sentisse algum sucesso e subisse um pouco a sua auto-estima.Aliás, ainda um dia hei-de aqui falar sobre essa candente questão do facilitismo...
Estive com ele dois anos.
O B. transfigurou-se. Deixou de cometer esses delitos de outrora. A comunidade escolar deixou de ter motivos para trazer o B. sempre "debaixo de olho". "Quem o viu e quem o vê" dizia muita gente.
Ultimamente estava a tentar concluir um Curso Profissional.
Mas, decididamente, o B. nasceu do lado errado da vida.
Na semana passado, foi até à praia. A notícia que veio no jornal, falava de um jovem, aparentando 18 anos, que para ali fora sozinho, sem qualquer documento. Morreu afogado e foi conduzido para o Instituto de Medicina Legal. Só mais tarde seria identificado.
Ao fim do dia, uma colega ligou-me a dar a triste novidade.
O B. chegara ao fim da sua rápida e atribulada existência.
Fui levar-lhe um ramo de flores.
O B. estava com ar sereno. De gravata.
Terá sido a única vez que usou gravata.
Adeus B.
Tentámos ajudar-te. Mas há coisas que parecem não se poder contrariar.

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quinta-feira, junho 18, 2009

Recomendações pouco menos do que inúteis

Estamos em plena época de exames do 12º ano.
O GAVE, gabinete do Ministério da Educação que superintende nesta área, achou por bem divulgar um conjunto de informações e recomendações dirigidas aos alunos, que, muitas vezes, raiam a menorização das capacidades intelectuais dos jovens a quem é suposto exigir um mínimo de maturidade à entrada para um curso superior (p. ex."visitar a página do GAVE para verificar a hora a que tem início o exame" ...).
Por outro lado, a quem está nesse gabinete, falta a experiência de campo para entender que , na esmagadora parte dos casos, os alunos não ligam grande coisa a discursos e recomendações, que mal escutam ou mal lêem.
Vejam, por exemplo em
"avaliar criticamente o resultado a que se chegou (a resposta que vai ser apresentada é razoável?)."
Era bom que o aluno comum, ainda por cima, nas condições de tensão determinados pela situação de exame, possuísse, bem apurada, a capacidade de avaliar criticamente a resposta. Aliás, a aquisição dessa capacidade só pode ocorrer perante metodologias de ensino abertas, estimuladoras do exercício do raciocínio, da argumentação, da investigação, da liberdade de contraditar. Ora, o que cada vez mais predomina nas nossas escolas é a repetição monocórdica de informações, em exposições unilaterais que tendem a transformar os jovens em passivos depositários de conhecimentos.
Mas isto o Ministério (e muitos professores, por arrasto ou por imposição) , está longe de entender, pois o que lhe interessa fundamentalmente, são números, estatísticas.
Por tudo isto, estas "recomendações" do GAVE, até poderão ficar "bem na fotografia" para quem está menos informado sobre a realidade do Ensino. Mas, de facto, para quem sabe o que se passa, só poderão merecer um sorriso condescendente.

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quinta-feira, maio 28, 2009

O meu Quim

Estamos em 1971.
Entre os meus meninos da primeira classe estava o Joaquim.
Era dos mais novos de quase um dúzia de filhos. O pai era mineiro, no Pejão. A mãe era mãe. E Deus sabe como era Mãe.
Viviam perto do cemitério de Rio Mau, numa coisa chamada casa, feita de lajes sobrepostas e coberta de telhas portuguesas, tão gastas como os carreiros que nos deixavam chegar ao Alto de S. João.
O homem chegava com o nascer do Sol e encontrava a mulher no aido do porco ou no galinheiro, dando de comer à bicharada. Era aí que, amiudadas vezes, se "servia" dela. Aí tinham o seu espaço de intimidade.
Os "bichos" não tinham linguagem de gente e o seu testemunho não tinha força de lei.
Na "casa" os cachopos começavam a acordar. Antes da escola, havia erva para dar aos coelhos, estrume para tirar dos aidos e a bacia de zinco cheia de roupa suja para levar até à margem do Rio Mau, porque a mãe levava um carrego de filhos pequenos.
Um ao colo, outro pela mão, outro ainda numa giga à cabeça, deitado sobre a roupa menos suja e, se calhar, um outro na barriga, porque Deus a fizera boa parideira e viver em pecado...nunca!
Todos os filhos desta casa eram lindos e não se lhe encontravam piolhos nem "colares" de ferradelas de pulgas no pescoço. Brilhavam de asseio. Mas o Quim tinha um ar angelical que fazia dele "o meu" Quim.
Aprendia com alguma lentidão e desesperou-me algumas vezes.
Um dia achei-o demasiado calmo e ainda mais bonito, mas a sua palidez arrepiou-me. Levei-o ao posto médico, que ficava mesmo ao lado da escola. O doutor Amorim olhou-me assustado e mandou chamar a mãe do menino.
O Quim foi levado para o Hospital de S. João no mesmo dia.
Estava muito doente. Terrivelmente doente.
Isolaram-no durante algumas semanas. Ia visitá-lo ao sábado à tarde. Perguntava-me pelos pais, pelos irmãos, pelos amigos. Queria muito a sua mãe, mas não havia dinheiro para pagar a "carreira" para o Porto, depois o táxi até o hospital e ainda o bilhete de ingresso para a visita.
A pobreza era tão pobre que, hoje, tudo isto é impensável, quase ridículo.
A minha angústia crescia com o sofrimento do Quim, mas havia barreiras que não podia transpor.
Chegou o tempo de férias.
Casei num domingo de Agosto.
Faltei dois sábados à visita.
Quando voltei ao hospital, procurei o meu rapaz e não o encontrei. Regressara a casa naquela semana, mas teve ainda tempo, antes da partida, para falar à enfermeira sobre a "sua professora" e da saudade que sentia dela.
Enterraram-no junto do muro que separava o cemitério da leira dos seus pais, onde tantas vezes brincou e foi menino e, onde, de foicinha na mão, cortou erva para os animais e foi homem.
Não consegui deixar, na pequena sepultura, as flores brancas que levava. O meu Quim não estava ali. Não podia ser a sua última morada. Fui levá-las à sua mãe.
Pousei-as na soleira da cozinha.Sei que as encontrou e adivinhou logo que eram da professora do seu menino.
Tenho a certeza de que, desde então, o presépio da capela de S. João de Rio Mau (Sebolido) tem um Menino Jesus lindo, lindíssimo, e eu sei que ganhei um Anjo Protector.
Sinto-o muitas vezes.

Maria de Lourdes dos Anjos
Professora Aposentada do 1º Ciclo e escritora
(in "Nobre Povo" ed. Gailivro 2008)

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quinta-feira, maio 21, 2009

Mais uma

Para quem ainda não conheça, aqui vai mais uma pérola literária da inefável Directora Regional de Educação do Norte.
Desta vez, utilizou um estilo poético que ainda torna mais hilariante este chorrilho de calinadas.
Ora vejam parte do mail que a senhora enviou às escolas quando está a atingir o quarto ano de mandato (ufff!!).
Só transcrevi uma parte, deixando de lado um poema da Fiama Hasse Pais Brandão que a Senhora Directora teve a desfaçatez de misturar com o seu "português" de refugo. A qualidade da obra da Fiama e o respeito à sua memória merecem que a aparte destas coisas tenebrosas.
Assunto: 4 ANOS DE MANDATO

Caras e caros colegas
Faz hoje 4 Anos.
Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.
Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.
Contudo há algo que o tempo tem os limites certos:
-Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso profissionalismo e apoio.
Em nome da Direcção o nosso muito obrigado.Margarida Moreira”
Quando é que a senhora perceberá que, antes de enviar estas coisas às escolas, deveria submeter-se à "censura prévia" de quem domine minimamente as artes de escrever em português?

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quinta-feira, maio 14, 2009

Mais uma de um autarca

O filho de Macário Correia, presidente da Cãmara Municipal de Tavira, feriu-se na cara, com algum aparato, durante um exercício ocorrido na Escola de Santa Luzia.
O monitor da actividade, ao que se sabe muito querido pelas crianças, foi imediatamente suspenso. Actualmente, as aulas de Expressão Corporal, estão ser conduzidas por uma Professora de Expressão Plástica, embora os alunos reclamem o regresso do anterior docente.
É claro que o autarca negou que a suspensão do monitor se devesse ao facto de o acidente ter acontecido com o seu filho.
O argumento invocado foi, transcrevo, "para bem das crianças foi sugerida outra actividade mais segura, com outro monitor naquela escola".
Pois. pois... A gente sabe como é...

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quinta-feira, abril 30, 2009

Um exemplo

foto Peciscas
No passado dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, estive na Biblioteca Municipal de Valongo a assistir a uma sessão com a antiga professora (aposentada tal como eu) Maria de Lourdes dos Anjos.
Esta colega, que é também escritora, falou para um auditório em que predominavam jovens alunos do terceiro ciclo de uma das escolas da cidade.
Quando entrei na sala, confesso que tive algum receio de que o evento viesse a correr menos bem, já que falar de livros e de escritos para os nossos alunos, nem sempre é tarefa fácil.
No entanto, a Lourdes é uma pessoa singular. Eu já sabia que os seus alunos (leccionou 34 anos, dos quais quase 25 em S. Pedro da Cova) a adoravam.
E quando começou a sessão entendi melhor porquê. Porque a Lurdes tem um tal poder de comunicação, uma tal capacidade de adequar o discurso aos seus destinatários, que os jovens ouvintes ficaram "agarrados" desde o primeiro minuto.
Escutaram as histórias e as mensagens da palestrante, com atenção e respeito, rindo e emocionando-se com as cambiantes que a autora ia colocando no ar. Desde o humor à lágrima ("nunca peço desculpa quando choro, porque procuro ser autêntica e não tenho vergonha de o ser", disse), desde o "recado" à confidência, durante uma hora e meia que decorreu sem que ninguèm desse conta, tudo a Maria de Lourdes fez chegar ao seu auditório.
Este foi mais um exemplo de que, para lá da habitual irrequietude das novas gerações, há "segredos " de comunicação que nem todos dominam mas que são a chave que pode abrir a porta da educação, da aprendizagem e da cultura, a que alguns, inicialmente, resistem.

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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Vejam só o nível literário

Como veio nos jornais, a Directora Regional de Educação do Norte, obrigou os professores do Agrupamento de Paredes de Coura a participarem no desfile de Carnaval com os alunos ( o que fizeram apresentando-se amordaçados e de correntes nos pulsos), actividade que tinham, em Conselho Pedagógico, decidido suspender, tendo em conta a sobrecarga de trabalho actualmente exigida nas escolas, para cumprimento de uma extensa mancha de teias burocráticas.
Mas, para lá do que representa esta atitude da representante do Ministério, o que aqui quero mostrar é a "pérola literária" que constitui o ofício enviado ao Agrupamento, para comunicar a decisão. Leiam (sobretudo as partes que eu sublinho) e pasmem-se.
Como é que pode, uma dirigente superior de um Ministério da Educação, subscrever uma prosa com tal falta de qualidade e, em certos passos, quase indecifrável?A Senhora Directora, haveria, depois, de desvalorizar a situação dizendo, primeiro, que os professores não foram obrigados a participar no desfile e que tudo isto fora, "coisas de Carnaval". Será que nestas "coisas" inclui o seu próprio ofício? Nem admissível a um aluno médio do 5º ano de escolaridade, quanto mais a uma responsável pela tomada de decisões educativas?

Como é que pode?Pode, porque a nomearam.

E nomearam-na, porque... tem cartão, claro!

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terça-feira, novembro 11, 2008

Ainda se lembra de mim?

Ontem, na sala de espera do meu centro de saúde, entra uma mulher, ainda jovem, que, sorridente, me interpelou:
-Olá, professor! Ainda se lembra de mim?
Nestas situações pressinto logo que estou perante uma ex-aluna. Mas, entre tantos milhares, é impossível que reconheça todas. Ainda para mais, após as inevitáveis transformações físicas que o decorrer do tempo acarreta.
-A cara não me é estranha, mas...
-O senhor foi meu professor de Matemática há mais de 20 anos. Eu sou a J.
E ali ficou a conversar longamente comigo. Disse-me o que fazia, qual foi o seu percurso escolar (abandonou o ensino "normal" para depois o retomar em curso nocturno) mostrou-me a fotografia do filho. Falou das diferenças entre a escola do seu tempo e a de hoje.
Há uma semana , tinha encontrado, a vender na rua, uma outra ex-aluna que não reconheci, mas que também falou comigo amigavelmente, dando a entender que me recorda com alguma simpatia.
Num momento em que tanto se fala de avaliação dos docentes, não serão estes acontecimentos, também, uma forma de um professor (ou ex-professor) se sentir avaliado? Sentir que "deixou algo pelo caminho"?

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segunda-feira, novembro 10, 2008

Este é um problema nacional

Este não é apenas um problema laboral que se confina aos professores.
Quando cerca de 80% da classe docente manifesta nas ruas o seu descontentamento, a sua amargura, a sua desilusão, nenhum cidadão pode ficar alheio.
Os professores, no passado sábado, vieram dizer que estão a ser desviados da sua mais importante missão: ensinar e educar.
O que se passa hoje nas escolas é demasiado grave para que se fique indiferente e alheio.
Deixar que as questões se limitem às paredes dos estabelecimentos de ensino é contribuir para que, um dia destes, se acorde para a dura realidade de estar hipotecada, durante muitos anos, a qualidade da nossa Escola Pública.
Que ninguém se alheie porque se trata de um problema nacional.

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Ainda a procissão vai no adro e já recomeçam os actos de violência...

Mal o ano lectivo está a começar, e as notícias sobre actos de violência em escolas já aparecerem em jornais.
Há dias, numa escola EB2.3 do concelho de Lousada, um grupo de cinco "estudantes" com idades entre os 15 e os 17 anos, agrediu um outro aluno, mais jovem, sobre o qual exerciam o denominado bullying.
O aluno agredido queixou-se em casa. Resultado: no dia seguinte, um grupo de familiares e amigos, esperou o tal grupo e "deu-lhes forte e feio". De tal modo que todos os 5 tiveram de passar pelo hospital.
Deve referir-se que estes alunos dos CEF (cursos de Educação e Formação) estão incluidos nos tais 500 mil cidadãos que o Primeiro Ministro tanto refere terem voltado à escola, que tinham abandonado precocemente, para obterem qualificações escolares que os tornarão mais felizes e socialmente melhor sucedidos .
Como princípio, não há dúvidas de que tudo o que se fizer para melhorar a educação e formação dos portugueses, é de aplaudir.
Mas no que se refere à qualidade destas formações é que temos de conversar.
Com efeito, no caso destes CEF ( e já não falando, p. ex. nos célebres cursos de jogador de futebol), na maioria dos casos, eles estão integrados em escolas habitadas fundamentalmente por alunos de níveis etários muito mais baixos. Assim, alunos com 17 anos podem conviver com alunos de 10.
Em vários casos de que tenho conhecimento, estes "estudantes" passeiam-se pelas escolas, causam distúrbios, vandalizam materiais, incomodam professores e funcionários. Não respeitam os direitos dos mais novos, passam-lhes à frente nas filas, humilham-nos...
Por exemplo, esta colega professora tem muito para contar sobre os CEF´s a que leccionou no ano passado. E este ano vai ter uma experiência com os cursos profissionais das escolas secundárias.
Mas, no fim, estes "repescados" para a escola, saem com um diploma.
Terão adquirido novas competências ou o que apenas vais contar é que vão contar simplesmente para a melhoria das estatísticas do abandono escolar?

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segunda-feira, setembro 29, 2008

Não tenho bem presente...

Um destes dias, a Ministra da Educação, em entrevista à Antena 3 e confrontada com a percentagem de reforço do orçamento para o seu ministério no próximo ano, respondeu, visivelmente embaraçada:

-Não tenho presente... Mas sei que vai ser o necessário e suficiente...

Quer dizer, que ter mais ou menos dinheiro, não a preocupa. Tanto que nem sabe quanto vai ter. Outros saberão. E ela aceitará, obedientemente, o que a "His master´s voice" lhe determinar.
Mas, a partir de agora, se seguirem o exemplo da Ministra, os nossos alunos já poderão responder às perguntas que lhe fizerem, com outro à-vontade.

Por exemplo:

-Quem foi o primeiro rei de Portugal?
-Não tenho presente... Mas sei que já morreu...
- O que escreveu, de mais importante, Luiz de Camões?
-Não tenho presente...Mas sei que foi um livro...
-E quanto é 8X7 ?
-Não tenho presente...Mas sei que é um número...

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terça-feira, setembro 16, 2008

CARTA ABERTA AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES

Porque representa, em grande medida, aquilo que sinto no início de mais um ano lectivo em que já não tenho de comparecer na escola; porque este sentimento é comum, actualmente, a milhares de colegas;porque é mais um documento que espelha o estado de desânimo, desespero e frustração a que chegou a classe docente.
Por tudo isto, aqui transcrevo uma carta aberta que um colega, no dia 1 de Setembro, foi afixar na Sala de Professores da escola onde trabalhou durante 37 anos.

CARTA ABERTA AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES

Pela primeira vez em muitos anos não retomo a actividade docente no
início do ano lectivo. Mas não o lamento e é isso que me dói. Sempre
disse que queria ficar na escola mais alguns anos para além do tempo da
reforma, desde que tivesse condições de saúde para tal. Contudo, vi-me
'obrigado' a sair mais cedo, inclusive aceitando uma penalização de 4,5%
sobre o vencimento.
Não sou protagonista de nada: o meu caso é apenas mais um no meio de
milhares de professores a quem este Governo afrontou. Só quem não
conhece as escolas e tem uma ideia errada da função docente é que não
entende isto.
É doloroso ouvir pessoas que sempre deram o máximo pela sua profissão,
que amam o ensino e têm uma ligação profunda com os alunos, a dizerem
que estão exaustas e que lamentam não serem mais velhas para poderem
reformar-se já. Vejo com enorme tristeza estes colegas a entrarem no ano
lectivo como quem vai para um exílio. Compreendo-os bem…
Este estado de coisas tem responsáveis: são a equipa do Ministério da
Educação e o Primeiro-ministro. A eles se deve a criação de um enorme
factor de desestabilização e conflito nas escolas que é a divisão
artificial da carreira docente entre 'professores titulares' e os outros
que o não são. Todos fazem o mesmo, a todos são pedidas as mesmas
responsabilidades, mas estão em patamares diferentes, definidos segundo
critérios arbitrários. A eles se deve um sistema de avaliação de
desempenho que não é mais do que a extensão administrativa daquele erro
colossal. A eles se deve a legislação que não reforça a autoridade dos
professores na escola, antes os transforma em burocratas ao serviço de
encarregados de educação a quem não se pedem responsabilidades e de
alunos a quem não se exige que estudem e tenham sucesso por mérito próprio.
No ano passado 100 000 mil professores na rua mostraram que não se
conformavam com este estado de coisas. O Governo tremeu. Mas os
Sindicatos de professores não souberam gerir esta revolta legítima.
Ocupados por gente que não dá aulas, funcionalizados e alienados pelo
sistema, apressaram-se a assinar um acordo que nada resolveu, antes
adiou um problema que vai inquinar o ano lectivo que hoje começa.
Todos os que podem estão a vir-se embora das escolas, é a debandada
geral. Gente com a experiência e a formação profissional de muitos anos,
que ainda podiam dar tanto ao ensino, retiram-se desgostosos,
desiludidos, magoados. Deixaram de acreditar que a sua presença era
importante e bateram com a porta. O Governo não se importa, nada faz
para os segurar: eram gente que tinha espírito crítico e resistia. «Que
se vão embora, não fazem cá falta nenhuma!»
Não, não tenho pena de não voltar à escola. Pelo contrário: entro em
Setembro com um enorme alívio. Mas não me sinto bem. Estou profundamente
solidário comos meus colegas de profissão e tenho a estranha sensação de
que os abandono, embora saiba quanto isso é pretensioso da minha parte.
Vejo com apreensão e desgosto que, trinta e sete anos depois de começar
a ser professor, a escola não está melhor. Sim, regressarei hoje à
escola. Mas só para dar um imenso abraço àqueles que, corajosamente,
como professores no activo, enfrentam um novo ano lectivo.
Torres Vedras, 1 de Setembro de 2008
JMD»

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quarta-feira, setembro 10, 2008

Aí estão as esperadas "melhorias" educativas.

O Primeiro Ministro e a Ministra da Educação, acabam de anunciar aos quatro ventos " os bons resultados obtidos no ano passado no ensino básico e secundário".
Por exemplo, no 9º ano, a taxa de reprovações desceu 7,5%, fixando-se agora em 14,5%.
Quem anda por perto das coisas da Educação (designadamente professores, alunos e pais) já estava à espera destas "novas".
Os governantes, é claro, atribuem estas supostas melhorias, às suas políticas.
"É isso que se espera das escolas, é isso que se espera dos professores, foi isso que as escolas e os professores fizeram nos últimos anos: trabalhar intensamente, de uma forma diligente, esforçada, para melhorar os resultados", disse, aliás, a ministra da Educação.
Mas quem conhece a realidade e não embarca em ficções, sabe que entre os discursos políticos e a verdade dos factos, vai uma grande distância.
É evidente que os professores estiveram mais horas na escola. Mas será que trabalharam mais com os alunos, investiram mais na relação pedagógica? Será que foram mais respeitados, sentiram os alunos mais motivados para aprender?
Não! Os professores foram essencialmente ocupados com trabalho burocrático. Com a elaboração de resmas de relatórios, fichas, planos. E também com a produção de documentos tendo em vista a avaliação do desempenho docente. E não se mistifiquem as questões, falando nas "aulas de substituição" . Na maior parte dos casos, essas actividades pouco mais fazem do que manter os alunos dentro de uma sala de aula, para não andarem a fazer tropelias pela escola. Não estão a aprender mais; estão, apenas "ocupados".
A melhoria das estatísticas? Era evidente que tal iria acontecer.
Porquê?
Repare-se que o Ministério vai dizendo que as classificações a obter pelos docentes estarão relacionadas com os resultados escolares dos alunos e da própria escola ( as famosas quotas para as menções de excelência, dependem desses resultados). Aliás, os Conselhos Executivos, subtilmente pressionados "de cima"(designadamente a nível de orçamentos) vão, por sua vez, instalando nos professores a ideia de que a escola onde trabalham tem de "ficar bem vista", para não perder benesses.
Por outro lado, com a criação das famosas "Novas Oportunidades" e "os exames de recurso" para os faltosos, começa-se a instalar nas escolas a convicção de que não vale a pena reprovar quem , passados uns meses, estaria a tirar um curso de formação acelerado (por exemplo de futebolista), ser "repescado" e ficar certificado.
Por outro lado, é preciso não esquecer a indisfarçável facilidade das provas de exame de 2008, designadamente no 9º ano de Matemática.
Tudo isto conjugado, aponta para um clima de facilitismo que não poderia deixar de se reflectir no melhoria do "números".
Se o Ministério quisesse ser um pouco mais rigoroso, poderia, por exemplo, mostrar a evolução dos resultados ao longo dos três períodos lectivos. No 1º período, é bem sabido que o número de negativas é esmagadoramente superior que acontece no final do ano. Porque os alunos melhoraram decisivamente, aprenderam o que não tinham aprendido, esforçaram-se mais? Só quem quiser iludir a realidade é que suporá que os resultados finais traduzem melhor a verdadeira dimensão das aprendizagens do que os intermédios.
Como antigo professor, como alguém que se empenhou, ao longo da sua vida profissional, em lutar por uma escola pública de qualidade , muito gostaria que estas "melhorias" fossem reais,.
Que os jovens do meu país, fossem cada vez mais cultos, escrevessem cada vez malhor, fossem cada vez mais ágeis na matemática.
Mas sei que não é assim. Os nossos alunos não estã a progredir. Antes pelo contrário.
Mas vêm aí novos estudos internacionais . O PISA 2009, vai certamente tirar muitas dúvidas.
Aí se comecerá a ver se estas tão cantadas melhorias de aprendizagens serão assim tão gritantes como agora (que se aproximam eleições) se está a fazer crer.

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sexta-feira, julho 18, 2008

No final de mais um ano lectivo...

Depois de um ano sempre a olhar para o relógio
Sempre a correr
Sempre à procura de fórmulas mágicas

Para que os meninos e meninas aprendessem umas coisinhas

Mesmo que os meninos e as meninas não estivessem minimamente interessados em tal


Apesar do uso das sacrossantas novas tecnologias...

E não só a aturar meninos e meninas...





A ter que preencher muita papelada


Mais do que ensinar, preencher montes de papelada...


Depois de tudo isto, é bem natural que apeteça gritar



com
e dizerÉ tempo de recobrar o fôlego

de pensar em cenários mais agradáveis

Para todos os colegas e as colegas que, estoicamente, se mantêm no activo, a minha solidariedade e votos de
BOAS

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quarta-feira, junho 25, 2008

Acertei na previsão !

Há não muito tempo, falava aqui sobre as provas de aferição de Matemática realizadas aos alunos dos 4º e 6º anos.
E, lá para o fim do post fazia uma previsão:

Com um teste deste grau de dificuldade, não será arriscado prever que, lá mais para diante, se vão apregoar loas à acção do ministério.

Não era muito difícil acertar.
Os resultados agora anunciados, com toda a pompa e circunstância pela Ministra, aí estão:

"Apenas" 18,3% dos alunos tiveram negativa no teste (contra 0s 41% do ano passado).

Ou seja, de um ano para o outro, os resultados negativos desceram para menos de metade...O que significa que o sucesso... mais que duplicou!
E não era de esperar outra coisa, dada a facilidade da quase da totalidade das questões apresentadas aos alunos.
A título de exemplo, deixo aqui alguns fac-simile (se necessário clicar na imagem para aumentar):



Na questão que se segue, o aluno teria de efectuar o complicadissimo cálculo de 100X100 (e poderia usar calculadora...)

Mesmo as pessoas para quem a Matemática não será a ciência preferida, não deixarão de concordar que se trata de qustões simples, para alunos que já têm 6 anos de aprendizagem da disciplina.
É claro que a Ministra tentou rebater as críticas que desde logo se ouviram, e que referiam a extrema facilidade da globalidade do teste, como razão essencial que justificava tão radical melhoria de resultados. E disse esta coisa espantosa: "Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade do teste".
Quem sabe, minimamente, construir um teste, consegue dissimular a facilidade, colocando uma ou outra pergunta menos acessível no meio de uma floresta de elementaridades.
No caso desta prova, para a mim (e para muitos outros colegas) seria esta a questão que obrigaria a um pouco mais de raciocínio (mas com cálculos ridiculamente elementares, ou seja 20X5, desde que se descobrissem as dimensões desejadas):


Quem trabalha em Educação, sabe bem que não se conseguem melhorias deste tipo de um ano para o outro. Aliás, no ano passado, a maioria dos alunos submetidos a estas provas estava a concluir o 5º ano, já com um ano de aprendizagem deste programa.
E arrisco-me a fazer outra previsão: do que já veio a lume sobre os exames de Português do 9º ano, se calhar também vamos ter melhorias significativas nesta área.
É por essas e por outras que eu digo que até um mero exame escolar pode ser uma arma política.



PS - Já depois de ter escrito este post , tive conhecimento da prova do exame de Matemática do 9º ano. O cenário de incrível facilitismo, repete-se. Há, designadamente questões que se resolveriam com toda a facilidade, com uma simples contagem pelos dedos.Quem quiser confirmar vá aqui
Assim sendo, esperem-se espectaculares "melhorias" nestes alunos(14/15 anos) que concluirão a escolaridade obrigatória. Eles aí estarão nas páginas dos jornais dentro de dias.
E, pelo que li, algo de semelhante se passará com os exames de Matemática do 12º ano.

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segunda-feira, maio 26, 2008

Provas de aferição?

Há dias realizaram-se provas de aferição para os alunos dos 4º e 6º anos de escolaridade.
Quero, antes de mais dizer que tenho uma opinião muito crítica sobre os exames, como modo de avaliação quer dos alunos. quer do sistema educativo.
Não quero com isto dizer que eles devam pura e simplesmente ser banidos, mas apenas que estes instrumentos não devem ser sacralizados, a tal ponto que se faça depender deles (como alguns defendem) a credibilidade e a qualidade do Ensino.Há muitas mais formas de avaliar, mais rigorosas e mais fiáveis.
Entretanto, os exames, por estranho que pareça, podem até ser uma arma política.
Estou a ser exagerado?
Então vejamos.
Como ex-professor de Matemática, tive a curiosidade de dar uma vista de olhos à prova de aferição desta disciplina, para o 6º ano.
Fiquei surpreendido pela extrema facilidade do teste. Tirando uma ou outra pergunta a exigir um pouco mais de reflexão, as questões colocadas eram tão elementares que, qualquer aluno, mesmo dqueles que, normalmente não são lá muito bem sucedidos em matemática, alcançaria um resultado positivo.
E porquê esta facilidade?
Como se sabe, no ano passado, os resultados obtidos neste tipo de prova, apontaram para um elevado grau de insucesso, designadamente, ao nível dos 2º e 3º ciclos.
Isto, apesar de estar em marcha um Plano Nacional de Matemática.
Então, há que, este ano, mostrar que houve melhoria e que as coisas estão a funcionar.
Com um teste deste grau de dificuldade, não será arriscado prever que, lá mais para diante, se vão apregoar loas à acção do ministério.
Estão agora a entender como um mero exame até pode ter significado político?

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