terça-feira, fevereiro 26, 2008

Ainda as manifestações...

Na sequência daquilo que aqui escrevi no post anterior, quero ainda registar que, no final da concentração espontânea de professores no Porto, a polícia identificou algumas docentes, precisamente as que prestaram declarações à televisão.
Agora estamos nesta. Se houver algum ajuntamento que cheire a crítica ao governo, lá vem identificação/intimidação.
Mas é curioso que, aqueles que tão solicitamente defendem que, perante uma "manifestação" não autorizada, há que cumprir a lei, não têm um critério uniforme.
Pois, se o tivessem, também exigiriam que fossem identificados os cidadãos que se juntam para apaludir o PR ou o PM. Ou, então, os utentes de serviços de saúde que, perante a dificuldade de marcar uma consulta, se lamentam, em voz alta, à porta do centro de saúde. Ou os que, em grandes ou pequenas multidões, manifestam o seu contentamento perante uma vitória desportiva.
Tudo isto me faz rebobinar o filme e voltar aos tempos da "velha senhora" em que mais do que três pessoas juntas, na rua, era já considerada "uma multidão".
Havia, mesmo, uma frase, que ficou na história, usada por solícitos agentes da autoridade, quando o facto de algumas pessoas estarem juntas juntas lhes parecesse inconveniente:
-Vamos lá andar. É proíbido circular parados!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Manifestações, espontâneas, porquê?

Conforme foi amplamente noticiado, no sábado, milhares de professores, reuniram-se, em três localidades, de forma espontânea, para protestarem contra o modo como o Ministério da Educação está a afrontá-los.
Desta vez, nem o argumento que insinua estarem por trás de tudo isto os sindicatos ou as oposições, é minimamente credível.
Com efeito, esta foi uma manifestação convocada por SMS, e-mail ou blogues.
Neste vídeo, pude comprovar este distanciamento de intenções políticas, porque reconheci alguns colegas (designadamente um que até fez estágio sob a minha orientação) que sempre assumiram posições muito discretas, nomeadamente não aderindo às greves.
Por outro lado, está também lançado um movimento (Associação Nacional de Professores em Defesa da Educação), para além de partidos ou sindicatos, com o objectivo de lutar contra uma série de medidas gravosas para os professores e, por isso mesmo, contra a escola pública.
Quem não está por dentro daquilo que se está a passar nas escolas, poderá interrogar-se sobre as razões destas movimentações. Eventualmente poderá até, considerar que se trata do estrebuchar de interesses corporativos de quem quer eximir-se ao trabalho.
Não é, de facto, assim.
Para que se saiba, há neste momento, uma grande parte dos professores, perdida em horas e horas de incontáveis reuniões, muito para além do horário legal de trabalho.
Para preparar melhor as aulas? Para descobrir e planificar, em conjunto, estratégias para a superação do insucesso escolar do aluno? Para ampliar a sua própria formaçãp profissional?
Não! Essas horas estão a ser gastas em trabalho burocrático e administrativo.
Invenção de fichas e mais fichas para avaliação dos docentes (num caso que conheço, uma escola já chegou às 25 páginas...). Fichas essas que irão dar origem a mais papelada, pois vão obrigar, por exemplo, os docentes, em cada aula, a fazer, por escrito, análise de resultados dos instrumento de avaliação utilizados ; e por aí fora. Horas também consumidas a preencher planos de recuperação para os alunos em dificuldades, em muitos casos para disfarçar problemas estruturais que fazem com que eles estejam em permanente insucesso.
Mas, como há que inventar indicadores de sucesso, cria-se esta burocracia, para se fingir que se está a actuar.
Ou seja, em grande medida, nos dias que passam, os professores têm de ter tempo e disponibilidade psíquica para tudo, menos para aquilo que deveria ser essencial: ensinar, educar, formar os alunos.
E isto, para não falar de um clima de animosidade entre docentes, que se começa a instalar e que está a dividir a classe. Em titulares e não titulares.Entre avaliadores e avaliados.
Entretanto, há já muitos jovens, que, perante a insistência do professor para que trabalhem e estejam nas aulas com um mínimo de atenção, respondem algo como:
-Quero lá saber... Os professores vão ter que dar positiva aos alunos para que não tenham negativa e sejam castigados!
É que a miudagem já "apanhou" o clima de intimidação subjacente a todo o processo do novo Estatuto da Carreira Docente, em particular com o regime de avaliação.
O que, no meio disto tudo, é trágico, é que, no final, quem vai "pagar as favas" é a qualidade do próprio ensino.
Em 2009, vai haver um novo estudo PISA. Este será um indicador, tantas vezes citado pela ministra e sua equipa, que poderá contribuir para se desfazerem dúvidas sobre a eficácia de toda esta panóplia de reformas ( algumas delas que até partem de uma base lógica e justificada), precipitadamente despejadas sobre a escola portuguesa. Só que os resultados do estudo apenas serão conhecidos em 2010, altura em que, muito provavelmente, a actual ministra já estará fora de cena, resguardada num qualquer cargo que não tenha visibilidade pública.
É por isso que um largo movimento de opinião, que congregue, muito para além da classe docente, encarregados de educação e famílias, pode, ainda, fazer inverter este amontoado de erros que, a continuar, pode comprometer, gravemente, o futuro educacional dos nossos jovens.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Viagens na minha blogosfera 5

Vejam lá como eu fui parar a blogs ocultos ou até mesmo secretos, cujos autores, provavelmente, nunca sonharam que alguém os iria descobrir...


quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Tudo se vende...

Quando vim morar para o Porto, estava em voga uma célebre versão do "conto do vigário", que consistia em um espertalhão apanhar, à saída da estação de S. Bento, um cidadão mais incauto e vender-lhe... um carro eléctrico!
E havia quem caísse na esparrela.
Hoje, os tempos são outros e já quase não existem os "amarelinhos" desse tempo.
Mas, pelos vistos, existe uma nova variante do "conto".
" Vai um postezinho telefónico?"


foto Peciscas

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Surrealismos

Ao que parece, há em Portugal, no politécnico e universitário, cerca de 5400 cursos.
Destes, 1742 não tinham inscrito nenhum aluno.
Mesmo sabendo que estes números irão diminuir um tanto, quando terminar a fase de transição do Processo de Bolonha, não podemos deixar de considerar esta situação como surrealista.
Muitos destes cursos foram criados para alimentarem negócios de instituições, públicas ou privadas, que tinham pouco a ver com as reais necessidades nacionais. E grande parte deles até foi criada durante o consulado governamental do actual PR.
Num país de "fracos recursos", terá algum sentido, inventarem-se cursos e mais cursos, para, ou formarem licenciados sem qualquer serventia ou ficarem muito simplesmente "às moscas"?
Não será tudo isto surreal e incompreensível?
Ou será que o burro sou eu?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

6 músicas da minha juventude

A Wind passou-me um desafio- escolher seis músicas que, na minha juventude, faziam "abanar o capacete".
Normalmente, sou um bocado avesso a responder aos "picanços" que frequentemente por aí circulam.
Mas a este acho uma certa piada e por isso, lá vai...
Como irão ver, pela ancestralidade das escolhas e das imagens, a minha juventude já lá vai há uns anitos..
De realçar que os exemplos que trago, nem sempre reflectem preferências.De acordo com o teor do desafio, seleccionei músicas de algum modo representativas dos gostos "dançáveis"dos anos 60 e 70.

Aos dezassete, Marino Marini, uma banda (ou um conjunto, como então se dizia) italiana, ouvia-se e imitava-se por todo o lado.



Depois, os Beatles. Incontornáveis !



E os Rolling Stones, que, na altura vieram na esteira dos anteriores, mas que só vingaram, verdadeiramente, quando os de Liverpool desapareceram



Entre nós, os Sheiks, tiveram momentos de glória...



Roberto Carlos. Quem não dançou ao som do seu rock brasileiro?



E termino a amostragem com aquele que foi um ícone , e ainda hoje tem seguidores.
"King" Elvis





E agora, a parte mais difícil.
Passar a "batata quente".
Como sei (por mim próprio) que pegar nestas coisas nem sempre é muito aliciante, vou deixar aqui cinco propostas, mas, é claro que é "sem compromisso". Quem não alinhar, está no seu pleno direito e terá toda a minha compreensão.
E seja o que Deus quiser... :
Lúcia
Mushu
Addiragram
Kalinka
Miguel