terça-feira, setembro 08, 2009

Para valer?

Em Matosinhos, quem for apanhado a cuspir para o chão na via pública fica sujeito a pagar uma multa entre 45 a 4500 euros.


São, obviamente, de aplaudir medidas como esta.
Assim como punir os donos dos cãezinhos que deixam os seus "caracóis" em tudo quando é passeio ou jardim.



Mas eu pergunto: estas leis são mesmo para cumprir ou aparecem apenas "para a fotografia"?
Já viram muita gente a cuspir, alarvemente, para o chão. Mas já viram alguém ser multado por isso?
Já viram muitos cães a deixarem o cócózinho no chão. Já viram algum dos seus donos a ser multado por tal facto?

segunda-feira, setembro 07, 2009

"Horas de limpeza"...

Como muita gente sabe, na maioria das escolas há falta de pessoal auxiliar.
Porque, de há muito, a abertura de quadros não compensa quer as saídas por aposentação ou falecimento ou mesmo, em alguns casos, o aumento da população escolar.
Para "disfarçar" os casos mais gritantes de carências deste tipo, o Ministério de Educação inventou uma solução chamada "horas de limpeza". E isto não é de agora, pois já se passa há largos anos.Eu próprio, como presidente do órgão executivo da escola onde trabalhava, tive de "mendigar" a atribuição dessas horas, para tapar "furos".
No entanto, não se pense, dada a designação, que estas horas se destinam exclusivamente a serviços de limpeza.
Os funcionários admitidos neste regime (sempre em situações de curta duração) podem fazer de tudo um pouco. Designadamente desempenhar funções de responsabilidade, tais como trabalhar na portaria da escola ou acompanhar alunos com Necessidades Educativas Especiais(NEE).
E, para quem não sabe, o pagamento que o estado concede a quem se dispõe a aceitar estes serviços (e há sempre candidatos) é de...3 euros por hora.
Para que fique devidamente comprovado o que digo, aqui vos apresento um exemplo de um concurso que uma escola abriu um destes dias para dois contratos deste tipo.
Assim vai o reino da Educação em Portugal.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Sem problemas...

foto Peciscas Ali ao lado, máquinas e homens, numa azáfama constante, vão edificando um novo troço do Metro.
Mesmo em frente, uma concorrida via de comunicação, sempre pejada de trânsito, não concede um segundo de silêncio.
Bem perto, amontoados de cartazes de propaganda eleitoral, quase não deixam espaço para a vista alcançar outros horizontes.
Indiferentes a tudo, ao ruído de máquinas e homens, alheios a politiquices, estas duas criaturas, apenas têm uma preocupação: armazenar a maior quantidade possível de erva, para garantirem a incontornável subsistência.
Fora de quaisquer problemas existenciais ou metafísicos.
Quantas vezes as não invejamos...

quinta-feira, setembro 03, 2009

Uma história real

Já aqui vos falei do meu barbeiro, o Manel.
Utilizo os seus serviços há mais de trinta anos.
O seu estabelecimento era pequeno e modesto, mas muito limpo.
E digo era, porque, há tempos, ao passar pelo local onde funcionava a barbearia vi, com surpresa, que estava fechada, sem móveis, abandonada.
Cheguei a temer o pior. Que teria acontecido ao Manel?
Felizmente, no dia seguinte, dei com o homem no passeio fronteiro e fui falar com ele.
Ao perguntar-lhe o que tinha sucedido, esclareceu-me que tinha sido, pura e simplesmente, despejado da minúscula sala que tinha alugada há mais de quarenta anos. Pelos vistos, havia pendências em tribunal entre a família propietária do terreno (originalmente com fins agrícolas) e a família proprietária da habitação (que ali foi construída à revelia da legalidade, como aconteceu muitas vezes no século passado). E, como é de se supor, neste caso, quem se tramou foi "o mexilhão". Ou seja, o Manel.
E, de um momento para o outro, o barbeiro via-se sem meios de subsistência.
Dispunha-se, mesmo, a vir a casa dos clientes, para cortar os cabelos. Fiquei com o seu número de telemóvel, porque queria, de algum modo, ajudar.
Entretanto, e porque o Manel é muito popular naquela zona e tem ali muita freguesia que o estima, conseguiu-se arranjar uma solução (provisória) para ele continuar a trabalhar. Ontem, fui lá "à tosquia".
Trata-se de um salão enorme (com mais de 200 metros quadrados de área) onde funcionou a exposição de uma fábrica de candeeiros.
Num canto do compartimento, o Manel colocou a cadeira, um espelho e uns móveis improvisados. Todo o espaço restante está deserto.
A sala é tão grande, que, quando se conversa, as palavras perdem-se no espaço.
Agora, que o tempo está quente, transpira-se, pois as janelas não têm persianas nem cortinas ( O Manel pôs umas toalhas para disfarçar). No Inverno vai ali fazer um frio de rachar.
Mas, enquanto puder, continuarei a utlizar os serviços do meu barbeiro.
Acho que ser solidário com quem é atingido por uma contrariedade séria na vida, não pode ficar fora de moda...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Setembro diferente

Desde há três anos que o meu Setembro é diferente.
Antes disso,e num passado mais ou menos recente, quando acabavam as férias de Agosto e era tempo de começar mais um ano de trabalho lectivo, chegava a altura de levar a cabo as tarefas preparatórias de uma nova etapa profissional.
Limpar e arrumar a pasta, que tinha ficado num canto do escritório, carregada de papelada e de saturação.
Preparar as capas das cadernetas das novas turmas.
Seleccionar livros e outros materiais a utilizar.
Chegava, também, a costumada expectativa de conhecer novos colegas de trabalho e, sobretudo, novos alunos.
Como seriam? Como iria relacionar-me com eles? Que dificuldades me iriam colocar?
Nessa altura, sentia sempre que um outro ciclo se iniciava.
Depois de me ter aposentado e, mais do que isso, de ter saído tão descontente e magoado daquela que foi a minha profissão sempre desejada, o meu Setembro já não tem esses ingredientes que o condimentavam.
Mas, querem saber?
Não sinto falta desses Setembros.
Hoje, quando passei à porta de algumas das escolas da zona e vi os parques de estacionamento cheios de carros de colegas que já iniciaram o trabalho, senti-me ...aliviado.
Sem saudades dquela adrenalina de outros Setembros.
Não deveria ser assim.
Nunca esperei que fosse assim.
Mas é o que (ainda) sinto.
Para já.
Será que um dia as saudades virão mesmo?

terça-feira, setembro 01, 2009

Em desespero de causa...

Leio numa revista:
" O espanhol Gerardo Ruiz Gómez entregou o filho de 10 anos numa esquadra de Egilés, em Navarra, para as autoridades o educarem. O pai desesperou, segundo conta o Diario de Navarra, após o rapaz ter sido expulso da escola, por ter insultado um professor e agredido um colega.Achou que nada podia fazer, até porque, em 2006 fora interpelado pela polícia e multado em 135 euros por ter dado em público uma par de bofetadas ao filho. Agora está de novo a contas com a justiça: por ter deixado o filho na esquadra é acusado de desobediência e abandono da criança."
Este caso pode ser caracterizado como insólito.
Mas, durante a minha carreira de professor, quantas vezes me confrontei com encarregados de educação com comportamentos afins?
Mais do que muitas...
Do género:
-Já não sei que fazer ao rapaz... Senhor professor, dê-lhe nas orelhas! Dê-lhe forte que não consigo fazer nada dele.
Mas nunca passei por nenhum caso de entrega do pimpolho na esquadra mais próxima...

segunda-feira, agosto 31, 2009

Andam por perto

Se a gripe A anda por perto, os incêndios ainda mais.
Há dias, um deles esteve a poucas centenas de metros daqui.
Valeram os helicópetros que, em poucos minutos, deram conta do recado.
Desta vez...

foto Peciscas foto Peciscas