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quinta-feira, março 01, 2007

Zeca Afonso 2


Continuo, hoje, a falar do Zeca Afonso, para evocar um episódio que guardo na memória, relacionado com o genial artista.

Colaborava eu num programa que era emitido pela Rádio Renascença do Porto, quando a editora Arnaldo Trindade, através da etiqueta Orfeu, lançou, em 1970, o álbum "Traz Outro Amigo Também". Deve, entretanto referir-se, que esta editora manifestava uma certa dose de coragem pois, editar Zeca Afonso, nessa altura, era arrostar com a evetualidade de complicações diversas. Honra, portanto, lhe seja feita.

Então, fizemos, no referido programa, o lançamento do disco, passando algumas faixas e dando a oportunidade aos ouvintes de participarem , através de telefonemas que eram postos no ar.

Na altura, escrevi um pequeno texto em que dizia, nomeadamente, que um novo disco do Zeca devia ser celebrado com "festa, foguetes, vinho novo".

Passados uns dias, ao passar por um quiosque onde estavam expostos alguns jornais, dei com a primeira página de um jornaleco que, para além da sua fraca qualidade devia a existência ao facto de louvar diariamente o regime vigente na altura.

Metiam-se connosco, começando o articulista por dizer algo como "estava eu calmamente a jantar, com a rádio ligada, quando me caiu, na sopa, um foguete". E, a partir de aí, desancava o Zeca, tratando de traidor para cima.

Como se confirma, o cantor incomodava (incomoda) mesmo.

Menino do bairro n...

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