terça-feira, dezembro 05, 2006

Conotações

Em tempos que (felizmente) já lá vão, havia produtos cuja comercialização era muito difícil (senão mesmo impossível) em Portugal.
Por exemplo, a Coca-Cola só cá entrou após Abril de 74, pois o Salazar simplesmente, não queria. Muito embora houvesse por aí refrigerantes em que entrava o termo "coca".
Um sabonete, que noutros países tinha o nome "Rexona", entre nós, só pôde ser comercializado com o nome de " Rexina" dada a terminação da designação original ser propícia a rimas cuja moral vigente de todo impedia.
Outro exemplo, tem a ver com o modelo da Opel de que encontrei recentemente um exemplar estacionado por aí.
Pois este carrito, nunca pode ser publicitado, pelo facto de o seu nome ser impronunciável sem a tal ...conotação pecaminosa.
Deste modo, o modelo teve uma reduzida implantação no nosso país.



segunda-feira, dezembro 04, 2006

Metáfora das travagens

foto Peciscas
Às vezes, não há outra hipótese, senão travar a fundo.
Mas, quando isso acontece, é sinal que, antes, existiram circunstâncias que obrigaram a essa atitude extrema.
Ou porque se andou depressa demais.
Ou porque se ia distraído.
Ou porque se confiou nos outros em demasia.
Ou, ainda, porque não fora tidos em conta, todos os dados da situação que se tinha pela frente.
Mas, seja como for, uma travagem violenta, deixa sempre marcas.
A maior parte delas, o tempo, mais tarde ou mais cedo, encarrega-se de as apagar.
Outras, irão permanecer para sempre.
Assim é na estrada.
Assim é na vida de cada um de nós.
Assim é na história do país em que vivemos.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Truculências ou má-criações?

Há por aí umas figuras públicas a quem parece ser tudo permitido.
Quando arreiam umas bojardas plenas de má-criação, lá vem a benevolente comunicação social, dizer "no estilo truculento que o caracteriza, F. afirmou..."
Têm tal estatuto, entre outros, Alberto Jardim e Valentim Loureiro.
Este último, quando confrontado com os privilégios monetários de que beneficiam os administradores do Metro do Porto, empresa com elevado défice, saiu-se com esta, que todos terão ouvido:
-Estamos num país de pedintes, pé-descalços e invejosos...
E lá seguiu, de papo empoado, impune e altivo.
Mas eu até acho que ele foi muito meigo, pois poderia, ainda, ter usado mais um termo:
-parolos
que é o que somos todos os que permitimos, por acção ou omissão, que seja possível a existência desta gente que faz gala dos seus proventos e insulta os seus concidadãos.
Para que imperem estes tiranetes "bem sucedidos na vida" é preciso que haja centenas de milhar de pedintes, pé-descalços e, também,... de parolos.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Cuidado!

Se tens um carro um pouco mais idoso do que a maioria, prepara-te para a eventualidade de, um destes dias, teres afixado no para-brisas, um recado de um solícito industrial, que quer, como é óbvio, prestar-te uma inestimável ajuda.


foto Peciscas
foto peciscas

terça-feira, novembro 28, 2006

TLBX?

Conforme já tenho dito, anda o pessoal que ensina Português à rasca com a TLEBS , quando seria muito mais aconselhável que estudasse a TLBX que é a linguagem que os putos usam entre si.
Eis um belo exemplo (real), transcrito (sic) de um bilhetinho que uma aluna passou a outra, no decorrer de uma aula:
"ontem de madrugada dixx.m td u k axa xobr mim foi rialment mt xinxeru ! ele e d+ adurei xt fim.d.xmana ontem d manhã fui s durmir km a kabexa deitada n kolu dl :):):):):) nóx tamux mlhor k nunca, tou a fikar mal abituada lol"

Bom, ká por mim k até xou netu de galego, axo mt bem ext tipo de linguax.
Xó k n era prexixo gaxtar tempu a extudar exa komplicaxão dos nomx não komtavs maxivus e n maxivus, animadus e n animadus e exas koxas todax da TLBX...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Cultura de badanas

foto Peciscas
Entre as diversas coisas que fiz na vida, trabalhei numa livraria.
Porque havia clientes que gostavam que se adiantassem umas peciscas sobre as novidades livreiras que iam aparecendo, procurava estar minimamente informado sobre essas obras.
Mas, é claro, que, chegando às bancas, dezenas de títulos em cada semana, não seria humanamente possível ler todas elas.
Então, que fazer?
Recolher dados no material informativo das editoras e, sobretudo, ler as chamadas "badanas".
Para quem não estiver familiarizado com o termo, explico que eram (são ainda?) assim designados aqueles prolongamentos das capas dos livros, que ficam dobrados "para dentro".
Aí, normalmente, colocam as editoras um breve resumo da obra, ou, pelo menos, uma pequena descrição que ajude o presumível comprador a situar-se no seu contexto.
Ou seja, assumo que, na maior parte dos casos, eu fazia uso daquilo que se convencionou, então, chamar "cultura de badanas".
Esta designação aplicava-se, de um modo geral, aos pseudo-intlectuais, que discursavam, com ar convincente, sobre a mais diversa literatura, esmagando os outros com a sua enorme capacidade de leitura.
Agora, grande parte dos livros já não trazem as ditas badanas. Mas a contra-capa serve às mil maravilhas para os que continuam a fazer crer aos outros que lêm tudo e mais alguma coisa.
Assim, quando vejo, ao domingo, o professor Marcelo, a fazer desfilar aquela livralhada toda que lhe oferecem e que vai contribuir para o gracioso enriquecimento da sua biblioteca, não posso deixar de me lembrar dessa designação que trago na memória desde a minha juventude.