ESTA FIRMA FOI FUNDADA EM 31-12-2004.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Coisas que me enfadam...

Há pequenas coisas do dia a dia que, não dizendo que me irritam, seguramente me enfadam.
Passo a enumerar:
-vou agrafar uns documentos e, precisamente, nesse momento, já não há agrafes na maquineta; há que recarregar- uma maçada...;
- vou imprimir um documento e o papel esgota na bandeja; há que colocar mais papel- uma maçada...
-ainda na impressora, o tinteiro já deu o berro e há que mudá-lo, alinhar os cartuchos- uma maçada...
- o telemóvel tem o cartão de memória cheio e já não aceita mais mensagens; é preciso apagar as antigas- uma pequena maçada:
- o papel higiénico acabou no momento em que a gente ainda precisa; há que colocar outro rolo lá no dispositivo- uma maçada...
Estes são apenas alguns exemplos.
Mas será que serão sintomas de estar atacado por uma doença algo comum que se chama "preguicite aguda" ?
Bom, se achas que também tu te enfadas com algumas destas coisas aparentemente tão triviais, vem em meu socorro e adianta lá uma das tuas maçadas...

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terça-feira, outubro 14, 2008

Há que prevenir o futuro

foto Peciscas Todos os anos, quando Agosto está no auge, lá vem o senhor Ferreira, com a sua velha, "chiante" e desconjuntada camioneta, descarregar a tonelada de lenha que lhe compro, pontualmente, há anos.
O Senhor Ferreira, com uma técnica perfeita, em dois tempos, encastela as achas, de tal modo, que nem uma cai.
Nessa altura, a madeira está seca e cheirosa. É a altura mais propícia à aquisição. Muito embora, em Agosto, a gente até esteja a transpirar e de mangas curtas.
Mas há que prevenir o futuro.
Depois, quando os dias e noites frias do Outono e Inverno chegam, sabe bem ficar em frente da lareira, a olhar o bailado colorido das labaredas e a sentir o calor agradável que nos envolve e nos conforta.

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terça-feira, setembro 23, 2008

Estamos na época do "vinho doce"

foto Peciscas Nesta época de vindimas e lagaradas, começam a aparecer letreiros deste tipo.
E há quem fique de água na boca, perante a oportunidade de beber uns goles daquela mistura de uvas, grainhas e sumo já em início de fermentação que é conhecida por "vinho doce".
Cá por mim, que me lembre, apenas provei uma vez essa beberragem e nunca mais repeti.
Até porque fui constantando que, muita gente que ingeria o produto, acabava por ter distúrbios gastro-intestinais, mais ou menos sérios.
Mas, de qualquer modo, continua a haver apreciadores.
E tu, já alguma vez provaste?
E, se provaste, gostas?

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sábado, abril 12, 2008

NATUREZA VIVA


Há muito, muito tempo, num cantinho qualquer deste mundo, ainda cheio de mistérios e incertezas, que habitamos, aconteceu, sabe-se lá como, o primeiro grãozinho de vida.
Dessa vida, tão minúscula e frágil, lentamente, muito lentamente, vieram a suceder outras vidas, já menos pequenas e frágeis, que se foram espalhando pela Terra.
E assim as montanhas, as planícies, os vales, os rios, os lagos, os mares, as grutas, os céus, foram-se povoando de seres, de todas as formas e cores.
Com o decorrer dos séculos a vida foi-se tornando mais exigente, os corpos foram-se aperfeiçoando, resistindo cada vez melhor, ao sol e à neve, à chuva e à trovoada, às secas e aos dilúvios.
A princípio, pequenas células isoladas, logo plantas, animais, da erva delicada e rasteira à altiva e imponente árvore, da insignificante e silenciosa larva ao gigantesco e atroador dinossauro, tudo foi surgindo.
E nesta história feita de um lento escorrer de minutos que se amontoam em dias, anos e séculos, quase sem se dar conta, foi surgindo uma vida que transportava em si uma qualidade que a distinguiu de todas as outras vidas e que era a possibilidade de aprender, de inventar, de compreender, de amar.
Esta era a vida de todos nós, dos homens e as mulheres, que foram construindo as casas, as ruas, as estradas, as fábricas, os livros, as máquinas, as armas, os perfumes, os remédios, os venenos, as músicas, as danças.
Tendo a capacidade de amar, os homens e as mulheres, desde logo descobriram a alegria de criarem outras vidas, pequenos homens e mulheres que, no princípio, têm de ser defendidos e protegidos para que possam, um pouco mais tarde, seres eles próprios sementes de outras vidas.
É porque temos atrás de nós e à nossa frente toda esta história interminável de vidas tão diversas, que não faz nenhum sentido inventarmos distinções, barreiras, que nos separem, por cores, por raças, por formas de pensar.
Afinal, todos irmãos numa mesma aventura, passageiros de uma mesma viagem, que dura um mero instante, somos, apenas, um traço de união entre o passado e o futuro.



(Texto de introdução que escrevi para o manual escolar de Ciências na Natureza-6º ano, “Natureza Viva", de que fui co-autor, em 2001)

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sexta-feira, abril 11, 2008

Adeus, V.

O V. entrou, como funcionário auxiliar de acção educativa, para a escola onde trabalhei, vindo de um outro sector da função pública, que nada tinha a ver com Educação.Estava eu no Conselho Executivo.
O V. quando chegou, não tinha a formação adequada para lidar com jovens estudantes.Mas, rapidamente, "vestiu a camisola" e, a breve trecho, já era um excelente elemento da equipa. Da "nossa equipa".
Trabalhador dedicado e empenhado. De trato afável, sempre pronto para o que fosse preciso fazer. Desde uma reparação ou manutenção de instalações, ao chamado "serviço de módulo", em que se dá assistência a professores e alunos, durante o funcionamento das aulas, até à vigilância da portaria.
Mas, o V. adoeceu. Gravemente.
Teve problemas pulmonares complexos. Com hemoptises frequentes. Com internamentos prolongados. Teve de colocar um pacemaker.Voltava ao serviço, mas, debilitado, já sem forças para ser o V. que sempre foi.
Foi a juntas médicas, carregado de relatórios, dos médicos que o assistiam. Esperançado de que lhe dessem a aposentação por incapacidade, que todos julgávamos ser óbvia.
Mas, não!
"Apto para trabalhar".
Ele, a quem os clínicos impediam de fazer esforços, de apanhar frio.
Entretanto aposentei-me, e, por vezes, falava com o V. Estava agora a prestar serviço na biblioteca, onde, por bom senso, o actual órgão executivo da escola o colocou.
"Apto para o serviço".
Há dois dias, foi internado, de urgência, com mais um grave problema de saúde.
"Apto para o serviço".
Vai hoje a enterrar, o V.
O V. cujo relacionamento com os outros sempre cativou alunos, professores e colegas. Que hoje andavam mais silenciosos, pesarosos pela perda de "um de nós".
"Apto para o serviço".
Mais um caso de insensibilidade das tais "juntas médicas".
Só que este, quase de certeza, não virá nos jornais.
Adeus, V. Obrigado pelo muito que deste à escola que foi a minha!

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segunda-feira, janeiro 21, 2008

Quem ouve, o quê?

O público adulto tem um tempo limite de atençãode 45 minutos. Nesse espaço, só absorve cerca de um terço do que é dito e um máximo de sete conceitos.
(in "Como fazer comunicações" de Tim Hindle, colecção " Os manuais práticos do gestor", ed.Civilização).
Aqui está uma constatação que qualquer professor minimamente atento ao que se passa à sua volta, tem como dado adquirido.
Com efeito, durante a minha vida profissional, fui aprendendo que grande parte daquilo que dizia aos alunos ( que, não sendo adultos, têm uma capacidade de atenção ainda menor), se perdia no tecto ou nas paredes. E que, se tinha algo de mais importante a comunicar, o melhor era despachá-lo nos primeiros dez minutos.
Enquanto não me fui apercebendo de tais factos, dava por mim, em certas alturas, a duvidar de mim próprio, quando, estando convicto de que tinha proferido uma dada afirmação, nenhum aluno reconhecia tê-la ouvido.
Ora, se a maioria dos professores já sabe destas coisas (embora, por vezes haja colegas que não as tenham em devida conta) , encontramos, por aí, a cada passo, gente que parece ignorar estas "leis".
E, assim, prega-nos com doses intragáveis de discursos e arengas, de que apenas fica na memória (quando fica), uma ínfima parte.
Os políticos são, em muitos casos, um exemplo deste desperdício de tempo, saliva e paciência.
A História regista muitos exemplos daquelas personagens que eram (são) capazes de discursar durante horas.
Para quê?Quem, verdadeiramente, os ouve?

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Amor pela terra

foto Peciscas
foto peciscas
foto Peciscas Nos meus 45 minutos (quase) diários de marcha pedestre, passo por pequenas hortas que se intercalam com espaços urbanos, maiores ou menores.
Entre elas, chama-me particularmente a atenção, uma que é cultivada por um casal de anciãos, que, faça sol ou frio ou chova, lá andam, à volta das verduras, das flores, do milho, das batatas. Com carinho e com esmero, apesar dos danos físicos com que o tempo já marcou aqueles corpos tisnados.
São um exemplo. Que demontra um apego à Natureza que está muito para lá das palavras profundas e bonitas que tantas vezes por aí ouvimos.
Este casal não quererá muito saber de férias, de subsídios. Não se preocupará com o Tratado de Lisboa ou com a contenção do défice ou com a localização do novo aeroporto.
Mas sabe o que é o amor à terra e à vida. E isso lhe basta.
Só que dou por mim a pensar que, em breve, o ciclo de vida deste casal de agricultores estará terminado. E, o mais certo é que aquele espaço verde , que, teimosamente, ainda resiste à voracidade da especulação imobiliária, vai ter o destino traçado.
Deixará de ser vivo e verde, para dar lugar ao betão.

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quarta-feira, dezembro 05, 2007

Bom tempo? Mau tempo?

Um destes dias, ouvi, no programa do provedor do Ouvinte (Antena 1) alguém que criticava o facto de os locutores, ao darem a previsão do tempo, falarem, frequentemente, em "bom tempo" ou "mau tempo", sem se aperceberem de como esses conceitos são relativos.
E dava um exemplo: para um agricultor ou um criador de gado, que vê as suas culturas estiolarem com falta de água, ou o seu gado morrer à fome por falta de pastagens, sol a brilhar é sinónimo de angústia. É mau tempo.
É claro que, que para vendedores de gelados, calor e sol, querem dizer bons negócios. È bom tempo.
Aliás, os próprios meteorologistas, acabam, com frequência, por embarcar nessa onda e falar em melhoria do estado do tempo, quando deixa de chover.
Estes dias que estão a passar, com temperaturas amenas, pouca chuva, céu azul, não são vulgares.
Podem ser agradáveis para nós, citadinos, mas não são desejáveis para muita gente, que depende da regularidade da Natureza.
Essa regularidade, está cada vez está mais alterada. As estações do ano, como bem sentimos, nós os mais velhos, já não são o que eram dantes.
E tudo isto tem a ver com o facto de, alegremente, estarmos a degradar, cada vez mais , a saúde do planeta.
E que vai pagar tudo isto, serão, sobretudo, as gerações mais novas.
Que terão, se as coisas não mudarem, um muito mau tempo.

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quinta-feira, novembro 29, 2007

Poema para Galileu revisitado 4

Galileu, foi julgado por heresia, por, entre outras coisas, afirmar que era a Terra que girava em volta do Sol e não o contrário, como afirmava, dogmaticamente, a "ciência oficial" de então. Mas, haveria, como se sabe, de se provar que era o sábio quem tinha razão.
Este acontecimento deveria ficar como lição para a subsequente história da Humanidade.
Mas, não ficou.
Por isso, continuamos a esbarrar, a cada passo, com situações em que aquilo que parece evidente, afinal não o é.
Não só na ciência (e as contradições entre as opiniões médicas são um exemplo), como na vida de todos os dias.
Vou relatar dois casos em que estive envolvido, na semana passada.

Num deles, ao procurar um medicamento que tomo há algum tempo, o farmacêutico, porque tinha uma dúvida acerca da legibilidade da receita, mostrou-me, de longe, uma embalagem, para eu confirmar se era aquele.Respondi que não era, pois havia lá um pormenor gráfico que não reconhecia. Como o homem insistia que talvez fosse aquele, fui dizendo que, então teriam alterado a embalagem.
Acabei por trazer o medicamento, já que no interior lá estava o produto a que já estava habituado, mas sempre a insistir, convictamente, que a embalagem não tinha o mesmo desenho.
Ao chegar a casa, fui logo verificar a embalagem que ainda tinha e logo vi que tinha "metido água". Era exactamente igual à que tinha acabado de comprar.
É claro que, no dia seguinte, fui à farmácia pedir desculpa ao paciente funcionário.

O outro caso passou-se numa bomba de gasolina.
Após liquidar a importância devida pelo consumo, estava a agurdar que se processasse no respectivo cartão magnético, os pontos que a Galp atribui aos seus clientes para ulterior aplicação em brindes e outras benesses (questões de marketing...).
Ouço então, atrás de mim, uma voz, bastante impaciente:
-Saia daí, que há mais gente à espera de ser atendido!
Ou seja, o indivíduo, estava convicto de que, eu estava ali parado, a olhar para o funcionário, porque me apetecia...
Depois de perceber que se tinha enganado, o homem, algo contrariado, lá foi pedindo "mil perdões".
Ou seja, mais uma vez, aquilo que parecia, não era o que realmente acontecia.
E nunca nos devemos sentir "dispensados de buscar a verdade".

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quarta-feira, novembro 28, 2007

Poema para Galileu revisitado 3

Tenho para mim que há duas qualidades que assumem particular relevância na formação do carácter e personalidade individuais.
Essas qualidades podem parecer contraditórias, mas, em boa verdade, não o serão.
Uma é a perseverança na defesa das convicções em que sinceramente se acredita.
A outra é a humildade para, permanentemente, se porem em questão essas próprias convicções.
Durante a minha vida como professor, procurei, crescentemente, adoptar estes dois princípios, como base essencial do meu trabalho.
Assim, perante os alunos, tentei assumir a posição de alguém que ali está para abrir caminhos de crescimento, mas também, para ouvir e aprender.E quantas coisas fui aprendendo com as centenas de jovens que tive perante mim...
E posso dizer que sai da profissão com mais dúvidas do que certezas.
Mas encontrei muitos colegas cujo discurso passava por uma grande dose de auto-suficiência, como se fosse sinónimo de "fraqueza" o admitir insuficiências na sua própria actuação.
Assim, perante o insucesso dos alunos, a resposta era, por parte desses colegas, o recurso, quase invariável, a velhos chavões : "eles não estudam nada", "não sabem nada" "os pais não ligam nenhuma"...
É bem verdade que, muitas vezes, essas são razões a ter em conta.
Mas, um bom professor, é, sobretudo, aquele que é capaz de questionar a própria actuação, no sentido de descobrir os aspectos em que pode melhorar e, assim, contribuir para que os seus alunos também melhorem.
Era por isso, que, muitas vezes, em reuniões, em acções de formação, ou em simples conversas informais, recorria à frase que retirava do poema de Gedeão que me tem servido de referência para os posts desta semana: "é que a nenhum de nós Deus pode dispensar de procurar a verdade".

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terça-feira, novembro 27, 2007

Poema para Galileu, revisitado 2


Conforme disse em post anterior, durante esta semana, revisito um dos "poemas da minha vida", o "Poema para Galileu", de António Gedeão.
D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas, é um prelado "a quem Deus não dispensou de procurar a verdade", conforme diz o poeta.
Numa longa entrevista concedida a Maria Flor Pedroso, emitida pela Antena 1 ( quem quiser ouvir a peça integral, pode encontrar aqui, a sua reprodução em formato podcast; em alternativa, pode-se ler aqui um resumo das suas declarações mais importantes).
Pois, este membro da hierarquia da igreja católica portuguesa, manifesta as suas preocupações a propósito de muitas situações, num espírito de procura da verdade que não se compadece com ideias feitas e inquestionáveis.
Por exemplo, interrogado sobre se considerava o uso do preservativo como "um pecado", o Bispo respondeu, sem hesitações "NÃO".
O que nos leva a concluir que a noção de pecado, na religião católica ou em outras religiões, tem a ver essencialmente com concepções humanas e, como tal, falíveis e discutíveis.
Faria falta, digo eu, haver muitos bispos como D. Januário.
Talvez assim a igreja católica se aproximasse mais da vida real dos homens e mulheres deste tempo.

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segunda-feira, novembro 26, 2007

Poema para Galileu, revisitado 1




António Gedão é um dos meus poetas preferidos.
E, dentro da sua obra, o "Poema para Galileu", é, para mim, um dos mais belos e mais fortes.
A quem, eventualmente não conheça este belo texto, recomendo, vivamente, a leitura pausada e integral (deixo aqui um link a partir do qual se pode encontrar o poema).
Por agora, transcrevo a parte final, que irá servir de mote, aos posts que irei publicar ao longo da semana:

Ai, Galileu!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andava a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileu Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.


Por isso, estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão direta dos quadrados dos tempos.

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quarta-feira, junho 13, 2007

De baixa e arrependido...

Isto de estar horas seguidas a mexer em ratos e teclados que não são inteligentes, deu este resultado: avariei a asa direita e , agora,tenho que ficar uns tempos em dieta informática.
E já estou arrependido de, no post anterior, ter criticado as coisas inteligentes. Pois, se tivesse um computador daqueles que fazem tudo a partir dos comandos da nossa voz, já nada disto acontecia.
Assim, se não me virem andar por aí, já sabem qual é a razão: estou de baixa (não fraudulenta)...
Até breve!

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quinta-feira, junho 07, 2007

Hoje é dia de




e de







Fiquem bem, que eu vou tentar fazer o mesmo!<>

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quarta-feira, maio 16, 2007

Aquela Santa...

foto Peciscas
Há uma certa tradição, vigente um pouco por todo o mundo, segundo a qual os genros e as sogras se digladiam constantemente.
Há muitos anos atrás, o saudoso Vasco Santana, tinha um programa na então Emissora Nacional, os "diálogos do Zequinha e da Lélé", onde ele passava a vida a dizer coisas duras sobre "Aquela Santa" (a dita sogra).
Cá por mim, não sigo essa tradição.
Talvez porque tive a sorte de me calhar uma sogra com a qual me dou bem.
De quando em quando, tem as suas rabugices, perante as quais, por vezes, reajo com alguns amigáveis "ralhetes". Mas, para além disso, faz os possíveis para me mimar e acata, em geral, os meus conselhos e opiniões.
Quando recentemente, conforme já aqui contei, fui operado, ao regressar do bloco operatório, tinha a família mais chegada no quarto, à espera.
Lá estava, então, também, a " mamã-segundo-a-lei"(como dizem os ingleses), fazendo-me umas festinhas acompanhadas de um carinhosos beijos na fronte.
Ainda meio zonzo da anestesia e com a voz entaramelada, saí-me com esta:
-Veja lá! Agora tem de me fazer uma travessa de leite-creme!
Ela descobriu, em tempos, que eu apreciava esta lambarice tradicional, de que aprendi a gostar com a minha própria mãe. Quando ela faleceu, essa herança passou para a minha sogra.
É claro que aquele meu apelo pós-operatório não caiu em saco roto.
Deste modo, logo que me deram autorização para voltar à chamada "dieta normal" cá veio o petisquinho parar a casa.
Conforme a imagem acima documenta.

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segunda-feira, abril 16, 2007

Uma hora que não conta...

Que estava a fazer ali?
Deitado na maca, naquele corredor iluminado por mortiças luzes azuis.
Por mim passavam, de vez em quando, batas verdes, com gente que me lançava um olhar indiferente, profissional.
Chegaram mais duas macas, que foram estacionadas na fila.
O anestesista, pegou na minha papelada e fez-me duas ou três perguntas. As do costume, creio eu. Porque é a primeira vez que me vejo nestas andanças.
Que estava ali a fazer?
Por que me ia entregar a alguém que ainda há pouco tempo desconhecia totalmente e que iria remexer nas minhas entranhas, para fazer o que lhe aprouvesse?
Daí a alguns minutos, alguém empurra a minha maca para a sala de operações.
-Passe ali para a mesa!
Por cima de mim, agora só vejo uns holofotes azuis e brancos, ainda apagados.
Quem estava por ali, vai lançando umas frases de conversa de circunstância, relacionada com clubes de futebol.
Sinto então a meu lado, o anestesista, que me diz qualquer coisa que não retenho.
Depois, a hora seguinte, não conta nas minhas memórias. Não estive cá...
Por isso, no passo seguinte, salto para uma outra sala, onde um enfermeiro olha para mim.
Apetece-me dizer: "mas quando é que isto começa?"
Já tinha acabado.Ainda meio adormecido, dou por mim a pensar que a nossa vida está à mercê de acasos que podem ter vários desfechos.
E que, afinal, poderia ter acontecido que, daquela hora, na passada sexta-feira, em que estive ausente, poderia não ter havido retorno.

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