sexta-feira, dezembro 04, 2009

As cestas do carvão


Nos meus tempos de criança, morando numa pequena cidade do interior, a vinda a uma grande metrópole como o Porto, era fonte de encantamento para os meus olhos provincianos.
Os carros eléctricos, oa anúncios de neon a cintilar na noite, deixavam-me sempre embasbacado.
E uma das coisas que particularmente admirava, era, logo à entrada da cidade,uma espécie de teleférico que cruzava a estrada, fazendo correr, em vaivém interminável, umas pequenas cestas pretas que corriam em cabos, suspensos em torres de betão e aço.
Explicaram-me que era por ali que o carvão extraído nas minas de S. Pedro da Cova, era conduzido até ao Monte Aventino, na zona das Antas, já bem na zona nobre da cidade do Porto.
Mais tarde, quando vim morar para cá, por coincidência, a minha casa ficava a cerca de cem metros dessa linha.
Lá estavam as ditas cestas, correndo. Para cima traziam o carvão, para baixo seguiam vazias. Quando passavam pelo poste, faziam um ruído metálico monótono e não muito agradável.
Mas tudo tem um fim. O carvão mineral caiu em desuso. As minas foram desactivadas. As cestas deixaram de ter serventia. Por isso, essa espécie de teleférico foi eliminado.
Mas, um destes dias, fui encontrar uns restos de uma construção que me parecia familiar.
Pois, era isso mesmo. Aquilo que a minha foto mostra é, nem mais nem menos, do que uma parte de uma desses postes que sutentavam os cabos por onde passavam as cestas do carvão.
Por ali passa, diariamente, muita gente. Os jovens, que até já grafitaram o "monumento" não farão a mínima ideia do que aquilo é.
E ainda farão menos ideia de como era violenta a vida dos mineiros, trabalhando quase como escravos, no fundo de buracos insalubres, para ganharem uma miséria. E para, a breve trecho, verem a saúde consumida pela terrível silicose.
Quem, aliás, quiser saber mais um pouco sobre o que aí se passava, pode encontrar aqui um impressionante e real testemunho de um antigo mineiro.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Vou abrir um museu...

Sou daquelas pessoas que tem uma grande dificuldade em se desfazer de tralhas já obsoletas, sem grande serventia ou até mesmo avariadas.
Por exemplo, tenho cá em casa três computadores de mesa e dois portáteis.
Dos de mesa, só um funciona como deve ser. Um dos outros, o primeiro que tive, é um respeitável ancião que quase só serve para escrever uns textos.Raramente o uso. O outro, basicamente tem todas as funções activas, mas move-se a passo de caracol. Para passar de uma página a outra, espreguiça-se, boceja, olha para mim com ar enfastiado e, só depois de muito o encorajar é que ele segue em frente. Neste momento, só para que ele não se habitue à inacção, estou a usá-lo, precisamente para escrever este post.
Dos portáteis, um está operacional e o outro, foi definhando pouco a pouco, até que, há cerca de uma semana, deu o "bafo" definitivo.
Mas, que querem?  Com este meu respeitinho ancestral pelos direitos da terceira idade, teimo em manter na família estas peças de museu.
Já não falando em televisores, câmaras de filmar e fotográficas, aparelhagens de som.
Qualquer dia, com todas esta parafernália de velharias, ainda vou abrir um museu!

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Não me lembro de um Novembro como este...

- Não me lembro de um ano como este!
Eis uma frase que, actualmente, repetimos ciclicamente.
Por exemplo, eu não me recordo de acabar Novembro e só ter acendido a lareira uma vez. E por poucas horas, gastando apenas umas achas que tinham sobrado da época anterior..
De modo que, a tonelada de lenha que há anos compro, em Agosto, ao Senhor Ferreira, permanece ainda intacta na garagem.
E tudo isto tem causas bem determinadas.
O tal  aquecimento global do planeta, existe mesmo, não é ficção. Nós damos conta dele.
Mas os senhores do Mundo, dão conta?
A tal cimeira de Copenhaga, vai dando que falar. Avanços, recuos, indefinições, vão alimentando as páginas dos jornais e os tempos de emissão das televisões.
Mas apostam que, com algum "fogo de vista" para "empatar" vai ficar tudo na mesma?
E quando as coisas já não tiverem retorno? Com quem acertarão as contas as gerações que hão-de amargar todas estas diatribes ambientais?

sexta-feira, novembro 27, 2009

Segurança nas Piscinas - Petição on-line

A nossa amiga Odele, que a maioria de vocês já conhece é uma mulher fora do comum.
Há cerca de uma dúzia de anos viu a sua filha Flavia afastada de uma vida saudável e feliz que estava a iniciar, por um absurdo acidente ocorrido na piscina do prédio onde moravam.
Desse terrível episódio resultou o estado de coma vigil em que a Flavia vive actualmente.
A Odele, há cerca de três anos, criou o blog http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/
Aí, para lá de se reportar ao acidente, aos cuidados desvelados que presta diariamente à sua filha, bem como às lutas judiciais que tem desenvolvido para obter a condenação dos responsáveis pelo acidente, esta corajosa lutadora, bate-se pela criação de mecanismos legais que possam evitar a futura repetição de acidentes em piscinas, que, infelizmente, ainda vão ocorrendo, um pouco por todo o mundo.
A sua mais recente iniciativa tem a ver com a exigência de uma Lei Federal sobre segurança nas piscinas que se pretende ver aprovada para vigorar em todo o Brasil.
Para tal, está on-line uma petição que pode ser subscrita por cidadãos de todo o mundo e que poderá contribuir para que tal lei seja implementada.
Apoiar a Odele nesta nova fase da sua abnegada luta é, certamente, uma forma de, também nós, não só homenagearmos a Flavia como também podermos contribuir para a prevenção de novos acidentes tão brutalmente danosos como aquele que ela sofreu..
Para assinares a petição, clica na imagem seguinte




Se estiveres de acordo com o assunto desta petição, por favor ajuda na sua divulgação, colocando no teu blog, site ... ou enviando para os teus contactos um apelo nesse sentido.
A imagem que é o logotipo desta petição, da autoria de Isabel Filipe , pode ser utilizada nessa divulgação, por exemplo colocando-a na barra lateral do teu blog.
Para tal, podes copiar o código html contido na caixa seguinte e colá-lo no teu template , no local onde achares conveniente.


quarta-feira, novembro 25, 2009

Dia Internacional de Combate contra a Violência Doméstica.



Normalmente sou um tanto avesso a assinalar dias internacionias disto ou daquilo. Porque, normalmente, estas efemérides são pouco mais do que um "descargo de consciência" que deixa ficar tudo na mesma.
No entanto,  a este Dia Internacional de Combate contra a Violência Doméstica não posso ficar indiferente.
É que, durante bastantes anos, na minha juventude, convivi de muito perto com este drama.
A minha mãe, criatura frágil e indefesa, foi uma vítima silenciosa de um cenário repetido de violência, que conjugava agressões verbais e físicas com desprezo intelectual.
Porque, nesse tempo em que o salazarismo (não tenhamos receio em usar o termo porque essa triste realidade existiu mesmo) dominava mentes e corpos,  as leis não davam a mínima protecção à mulher. O marido tinha todo o direito de a maltratar sem que a vítima pudesse recorrer a algum mecanismo de defesa. Por exemplo, se a mulher fugisse da casa onde era violentada, o marido tinha todo o direito de a ir buscar, dar-lhe "uns safanões" e obrigá-la a voltar regressar. E as autoridades policiais colaboravam quantas vezes, na descoberta do paradeiro da fugitiva.
E mesmo a religião, convenhamos, afirmava o dever de "obediência" da mulher em relação ao homem. Obediência igual a submissão.
No entanto, mesmo com a elaboração de leis que os novos tempos determinaram, que protegem a mulher e os seus direitos e punem os agressores domésticos, o problema está longe de estar erradicado.
Ainda persistem (em todas as classes sociais) casos de estrema e abjecta violência sobre mulheres por parte dos cônjuges, companheiros ou mesmo namorados, que passam impunes e ignorados.
Mas esta aberração social só será de todo vencida quando as próprias mulheres ganharem plena consciência da sua liberdade, da sua dignidade e do direito de verem punidos os seus agressores.A generalização dessa consciência será o passo decisivo que fará com que não mais seja necessário assinalar um dia como este.

terça-feira, novembro 24, 2009

Os portugueses, com a crise, estão a cortar na alimentação...

Nestes tempos de crise (económica e de ideias), muito custa alimentar um blog.
Coitadinho deste Peciscas que, actualmente, só come umas três vezes por semana.E, por vezes, só uma sopinha ligeira.
Mas, como os nossos governantes e o Vitor Constâncio vão dizendo que a coisa já está a melhorar, espero, vivamente que o pobrezito, dentro em breve, passe a ter uma dieta mais constante e nutritiva.
Se não, um destes dias, ainda falece à míngua...

segunda-feira, novembro 23, 2009

Pelos Caminhos da Ìndia - Ester Afonso


A amiga Ester ou Tulipa, está a expor fotografias que obteve numa recente viagem à Índia.
Esta mostra já esteve presente aqui no Porto, mais propriamente em S. Mamede de Infesta.
Tive o grato prazer de ter visto as fotos da Ester e digo-vos que esta é uma exposição a não perder.
De modo que, quem puder dar um saltinho até à Biblioteca Municipal de Alpiarça, vai certamente dizer que valeu a pena lá ir.
As imagens e os comentários que as acompanham, revelam-nos uma artista sensível e atenta.
Vão gostar!