quinta-feira, agosto 24, 2006

Geni dos meus oito anos

Chamava-se Geni a não vestia de organdi mas era loura e tinha os olhos azuis.
Andávamos na mesma escola (era particular e por isso, nesses velhos tempos de separação inter-sexos, podia ser mista).
O pai estava preso, mas isso não me importava nada.
Escrevia-lhe bilhetinhos em papel pardo, que lhe entregava, disfarçadamente, pelo caminho.
Ela respondia-me no outro dia.
Uma vez, como não conseguiu entregar-me o papelinho antes de chegarmos à escola, passsou pela minha carteira e, rapidamente, meteu-me a cartinha no bolso.
Mas, desgraçadamente, o papel caiu.
O Rodrigo (acho que tinha ciúmes ) tinha topado tudo, e com ar inocente, foi entregar o bilhete a D. Sabina, a professora.
A senhora, uma excelente mestra, mas pautada pelos códigos vigentes na altura, chamou a Geni e deu-lhe duas reguadas. Era menina e, nesse tempo, as meninas não podiam tomar iniciativas no amor. Eu, macho, safei-me. Mas, como se impunha, lá fora, fui às fuças ao Rodrigo.
Nas longas e quentes alentejanas (morava em Évora nessa altura) ficava debaixo da janela dela, a dizer frases românticas. Que em certa ocasião foram escutadas pela vizinha de cima, o que significou que, na manhã seguinte, essas inspiradas tiradas, fizeram as delícias dos (sobretudo das ) moradores do prédio.
Nunca mais soube dela.
Chamamava-se Geni, não vestia de organdi, mas foi, aos oito anos, o meu primeiro amor.

quarta-feira, agosto 23, 2006

O que não mata, engorda


Nos últimos tempos, têm vindo a público com frequência inusitada, notícias que dão conta da contaminação das águas de bastantes praias.
Nas reportagens que vamos vendo, a propósito destes acontecimentos, não faltam as entrevistas a banhistas, que ignorando os avisos, com um sorriso aberto (um tanto alarve diria eu), fazem gala de continuar a mergulhar nas poluídas águas.
-Já aqui venho há dez anos e nunca tive problemas.
-Mas as águas estão contaminadas...
-Ora... A gente come tanta porcaria por aí que, olhe, é mais porcaria menos porcaria! E nunca ouviu dizer que o que não mata engorda?
É por estas e por outras que, se calhar, o "nosso cantinho" vai demorar muito tempo a sair da "cepa torta".

terça-feira, agosto 22, 2006

Para quem não foi ao concerto no Dragão

e porque, como estamos no Verão,
poucas coisas mais ocorrerão...
(não se assustem com as imagens...)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Declarações de amor


Há uns anos atrás, havia um cantor de voz delicodoce, chamado Pat Boone, que cantava "Love letters in the sand" (que se pode ouvir em fundo) para explicar quão efémeras são as cartas de amor escritas na areia.
Agora, as declarações de amor são, muitas vezes, escritas noutros suportes, certamente mais duráveis. Nos muros, nas portas, até no alcatrão das estradas.
Umas mais artísticas, outras mais toscas.
Algumas, até com um toque poliglota.
Mas, apesar de algumas das mensagens jurarem que o amor é "para sempre", apostaria que muitas delas apenas perduram no sítio onde foram escritas, pois, na vida real, o mar do tempo já as terá apagado.

foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas
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foto Peciscas

quinta-feira, agosto 17, 2006

Funcionários públicos... (lá como cá)!


Como é que um funcionário público cumprimenta um colega que está a chegar ao trabalho?
-Acorda e pisca-lhe o olho direito...

Nas repartições modernas, estão a colocar no chão, um traço contínuo, para que os funcionários que entram não choquem com os que estão de saída.

Três miúdos conversam sobre os respectivos pais, para saberem qual é o mais rápido:
- É o meu que é piloto de avião!
- Nada! O meu é que é, pois é astronauta.
- Ora! O meu, que é funcionário público é o mais rápido de todos, pois trabalha das 9 às 6 da tarde e às 4 já está em casa!

NR - Ouvi estas piadas que se referem aos funcionários públicos...holandeses, da boca de um guia turístico dessa nacionalidade.
Ou seja: por muito que se diga, não temos o exclusivo...

terça-feira, agosto 15, 2006

Bicicletas

Há, em diversos países da Europa, uma crescente utilização da bicicleta como meio de transporte.
Eficiente e não poluente.
Na maioria dos casos. há mesmo uma protecção aos ciclistas, criando-se pistas exclusivas para a sua circulação e legislação que os protege.
Em certos casos, por vezes, essa protecção é mesmo um tanto excessiva.
Como acontece, por exemplo, na Holanda.
Em Amesterdão, os c1clistas circulam, à vontade, por onde lhes dá na gana (com frequência nem respeitando semáforos). Se alguém, mais descuidado, se atravessa na frente, arrisca-se a ser atropelado. Nesses casos, vejam lá. o atropelado, não só fica com as "amassadelas" por sua conta, como ainda tem de pagar os eventuais danos causados na bicicleta e respectivo utente.
Nesta mesma cidade, são roubadas, por ano, dezenas de milhar de bicicletas, muitas das quais aparecem depois nos canais que tornam famosa esta bela localidade.
De tal modo que, há quem retire a roda da frente do velocípede, na tentativa de precaver o seu desaparecimento.
Tive a oportunidade de ver em Amesterdão, parques de estacionamento de bicicletas, com um número impressionante destes veículos.

foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas
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