terça-feira, maio 09, 2006

Trabalhar até sermos velhinhos?

A ideia de, para dar um pouco mais de oxigénio à Segurança Social, colocar a idade da reforma num limite cada vez mais alto, parece ao Governo uma excelente medida.
Mas, será mesmo?
Para além das vozes discordantes dos sindicatos (como seria de esperar) as próprias confederações patronais já vão dizendo que não lhes parece nada bem a obrigatoriedade de manterem a trabalhar pessoas depois dos 65 anos.
A mim, que sou um mero, simples e ignorante cidadão, já me tinha parecido que, uma consequência inevitável do envelhecimento da população activa, seria o abaixamento da produtividade nacional.
Ou será que, paralelamente ao aumento da idade da reforma, o Governo vai distribuir doses industriais de revigorantes, tipo Ginseng?
Aos vinte, trinta, quarenta, trabalhamos, horas a fio, e nem damos conta do cansaço.
Quando comecei a minha carreira, tinha trinta horas lectivas semanais, para além das horas de preparação das aulas, da correcção de testes, de reuniões e das viagens para cá e para lá.Hoje, nem por sombras seria capaz de "ter pedalada" para tais "performances".
Por outro lado, mantendo as pessoas até mais tarde a trabalhar, que podem esperar os mais jovens que estão à procura de entrar no mercado de trabalho?E os que são despedidos ?
Depois, claro, lá aparecem os subsídios, lá aumentam as taxas de criminalidade, ... E isso não tem custos?
E, se em vez dessas medidas "óbvias" ( ainda por cima parece que a situação de pré-falência do sistema não está claramente demonstrada), se procurassem outras, talvez mais eficazes e consensuais?
Como, por exemplo, para os reformados com um nível de rendimentos acima de um determinado patamar, a obrigatoriedade de manter descontos para a dita Segurança Social? A mim, que já estou habituado a esses descontos há longos anos, não me iria causar qualquer oposição. Continuaria a contribuir, como agora, deixavam-me ir fazer outras coisas enquanto ainda as posso fazer e dava o lugar a outro, com mais vitalidade, mais paciência, porventura com mais capacidade para inovar.
Mas não! Apenas se lembram de nos manterem a trabalhar até sermos velhinhos.
Ah! E também de avisarem o pessoal que tem de fazer mais filhos.
Mas essa será matéria para outro texto...

segunda-feira, maio 08, 2006

Coincidências

foto Peciscas
Ontem, foi o Dia da Mãe.
Na corda, roupa a secar.
A camisa às riscas, é a do filho.
A verde, sem riscas, é a da mãe.
O vento, chegou e fez o que se vê.
Foi ele e mais ninguém, quem enlaçou as roupas.
Quereria dizer alguma coisa?
Ou foi apenas uma coincidência?

sexta-feira, maio 05, 2006

Quem se lembra?


Como todos sabemos, a evolução da tecnologia é constante e vertiginosa.
As indústrias estão sempre à procura de novos produtos e novas soluções que levem os consumidores à necessidade imperiosa de adquirirem as "novidades" que se vão lançando no mercado.
Assim, no que se refere aos equipamentos de áudio e vídeo, os fabricantes vão lançando, com grande rapidez sistemas inovadores, que se encarregam de tornar obsoletos aqueles que temos em casa e que julgávamos acompanharem as nossas aspirações durante o resto da vida.
Com os telefones, passa-se o mesmo. Mesmo com os chamados telefones fixos.
Por exemplo, quem se lembra, hoje, do revolucionário, Ericofon, mundialmente célebre há umas quatro décadas?
O Ericofon, é um marco no design de telefones. Produzido na Suécia, no final dos anos 50 e começo dos 60, viu a sua produção interrompida voltando a ser fabricado, com toda a força, nos anos 70. O seu disco de marcação ficava na base do aparelho, e no centro dele, existia um enorme botão vermelho que desligava o telefone quando colocado em pé sobre uma superfície.
Hoje será uma peça de museu ou um ícone para os coleccionadores especializados.

quarta-feira, maio 03, 2006

Histórias da Matemática 1

De vez em quando, deixarei aqui algumas páginas da história da matemática, tratadas de modo ligeiro, na tentativa de demonstrar que esta ciência não será tão árida como a pintam.
Começarei por um matemático chamado Leonardo que, sendo morador de Pisa, a cidade onde existe a famosa torre inclinada, era conhecido como Leonardo de Pisa. E, como nascera de família de boa estirpe, ficou também conhecido como Fibonaccci, que significa, literalmente, "filho de boa gente".


Pois este Fibonacci publicou, em 1202, um livro chamado "Livro dos Ábacos" onde tratava de vários temas matemáticos que considerava como importantes. Um deles, provavelmente inventado por ele próprio, tratava do problema de calcular quantos coelhos poderiam ser produzidos em um ano, a partir de um único casal. Da forma como foi enunciado por Fibonacci, o problema é muito artificial.
Supõe-se que cada casal leva um mês, após nascer, para ficar fértil, e gera sempre outro casal, a cada mês, e nenhum coelho morre durante o ano.
O mês inicial (0) é usado para que o primeiro casal atinja a fertilidade. No mês seguinte o casal está fértil e um novo casal é gerado. Portanto, durante o segundo mês, teremos dois casais, o original e o novo , ainda infértil. No terceiro mês, o casal original gera mais um casal e o segundo casal fica fértil. Portanto, nesse terceiro mês teremos três casais. Agora, os dois primeiros casais estão férteis e geram, cada um, um novo casal. Dessa forma, o número de casais no quarto mês será 5. E assim por diante.
O resultado é uma seqüência de números em que cada um deles é obtido pela soma dos dois números imediatamente anteriores, conforme se pode ver nesta imagem:

E a seqûência continuaria indefinidamente:

1, 1, 2, 3, 4, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, ...
Esta é a "seqüência de Fibonacci".

Repare-se que,a partir do terceiro, como se disse, cada termo é sempre a soma dos dois anteriores (p. ex 144=89+55)

Mas esta descoberta de Fibonacci, tem outras aplicações.

Algumas plantas e árvores crescem ramificam-se de acordo com a série de Fibonacci.Um exemplo encontra-se na disposição das pequenas sementes que formam o miolo do girassol.

Por outro lado, há animais que possuem no corpo padrões que respeitam essa seqüência, como a cauda do pavão e as escamas de certos peixes ou as divisórias da concha do Nautilus.

Alguém disse que artistas e matemáticos são privilegiados leitores da natureza. Poincaré, um dos maiores matemáticos da história, afirmou que o elemento dominante na criatividade matemática é mais estético do que lógico”.


terça-feira, maio 02, 2006

Hipocrisias


Vieram recentemente a lume (e como este termo fica aqui bem...) notícias que referiam uma quebra nas receitas do imposto sobre o tabaco que se situam nos 38,7%, no primeiro trimestre de 2006.
O Ministro das Finanças foi confrontado pelos jornalistas com este facto, tido como um fracasso da política financeira do país.
E o Ministro lá foi dizendo que era um cenário que já tinha sido equacionado e que iria tomar medidas para compensar essa "perda de receitas". Mas fê-lo num tom que denunciava alguma frustração pelo sucedido.
Essa tal "quebra de receitas" só ocorreu devido à redução do consumo de tabaco por parte da população.
O que deveria ser motivo para regozijo e júbilo e não pesar.
Ora, não tem sido anunciado que o Governo está apostado em combater o tabagismo?
Mas, é claro que, por trás do consumo dos cigarros, estão interesses poderosos e diversificados. Desde a indústria ao próprio Estado, há muito quem lucre com o aumento ou, no mínimo, a manutenção do número de fumadores.
Só que não o confessam abertamente.
Hipocrisias...

segunda-feira, maio 01, 2006

1º de Maio


Sabe-se (quem sabe) que se chama "Dia do Trabalhador".
Para muitos, o 1º de Maio será apenas mais um feriado.
Para outros, a evocação da tragédia que lhe deu relevo, ocorrida em Chicago, em 1886.Era a reivindicação das 8 horas de trabalho.
Como isso parece distante.
Para outros, ainda, mais uma jornada de luta.
Há quem evoque as cargas policiais na baixa de Lisboa ou Porto, nos "tempos da velha senhora".
Ou, então, uma recordação, agarrada a velhos auto-colantes que se guardam no fundo de uma gaveta.