segunda-feira, maio 18, 2009

Blogagem Colectiva em Defesa da Infância.

Por lamentável lapso da minha parte, publiquei este post antecipadamente, na passada sexta-feira, quando o deveria ter feito hoje. Por isso, aqui o repito, agora na data certa, pedindo-vos desculpa pelo engano e em especial à Isabel Filipe que,foi na minha onda e publicou, também antes da data prevista, a intervenção na blogagem colectiva .



Hoje estou a participar na Blogagem Colectiva "Em Defesa da Infância", promovida pelo blog Diga Não À Erotização Infantil .
Durante a minha vida de professor e de gestor de uma escola pública, contactei, infelizmente, com casos diversos de abusos sexuais cometidos, sobretudo, em jovens alunas.
Por isso, aprendi a estar muiito atento a sinais que podem indiciar que se está perante uma situação de pedofilia.
Quando um(a) aluno(a) começa a ter comportamentos estranhos, tais como o isolamento, o silêncio, o desinteresse pelas actividades escolares, crises de choro repentinas, ou, então, inexplicáveis acessos de revolta, poderemos estar em presença de sinais de alerta que importa não negligenciar. Muitas vezes, poderá não ser nada de muito grave. Mas, uma abordagem, discreta, mas afectiva com o(a) jovem em questão, poderá revelar histórias escondidas, de contornos muito sérios.
É claro que a experiência também me disse que, nos casos em que os abusos envolvem raparigas (a grande maioria dos casos), as jovens abrem-se menos com os homens. As colegas professoras têm, por isso, muito mais facilidade em chegarem à fala com as vítimas dos abusos.E a psicóloga escolar (infelizmente muitas escolas continuam sem estes importantes técnicos) desempenha, nestes casos, um papel decisivo.
Depois, segue-se uma fase sempre difícil de denúncia dos abusadores, porque, nem sempre a vítima está disposta a permitir que o caso avance para as autoridades , por pudor, por sentimento de auto-culpabilização ou então porque, com frequência, o criminoso é seu familiar mais ou menos próximo.
Mas, o nosso dever, enquanto professores e adultos responsáveis, é mesmo denunciar.
Nestes casos, o silêncio, é uma conivência que só protege os prevaricadores.
Existem , em Portugal, instituições que podem e devem ser envolvidas nestes casos. Para além da própria polícia( designadamente a Escola Segura), destacaria a Comissão Nacional das Crianças e Jovens em Risco.

Resumiria, em três palavras o que penso poder ser uma contribuição para um combate mais persistente e ficaz contra os abusos sexuais cometidos sobre crianças:

ATENÇÃO


DENÚNCIA


PUNIÇÃO

1 comentário:

SILÊNCIO CULPADO disse...

António

Um post excelente que tem um alerta fundo. A criança é sempre um ser desvalido e amedrontado perante as situações de abuso. Sofre e deturpa-se e perde-se do caminho sob o jugo dos abusadores e a indiferença de quem a cerca.

Felizmente ainda há pessoas como tu que são professores inteiros e não mestres de encher cabeças com matérias.


Abraço