domingo, outubro 04, 2009

Morreu Mercedes Sosa


A lendária cantora argentina Mercedes Sosa faleceu hoje, informaram os familiares. Ela tinha 74 anos. "Nesta data, na cidade de Buenos Aires, Argentina, temos que informar que a senhora Mercedes Sosa, a maior artista da música popular latino-americana, nos deixou", diz um comunicado entregue pela família da cantora a jornalistas que estavam na frente da clínica Sanatório de la Trinidad, no bairro portenho de Palermo.

A notícia cai-me no e-mail, pela mão de um amigo e torna ainda mais cinzento este domingo em que a chuva regressa.
Mercedes Sosa foi uma voz da América Latina que era, desde há muito, uma referência para mim.
Não só cultural como também como exemplo de vida.
Esteve muitas vezes com as mães da Praça de Maio, chorando com elas o desaparecimento dos seus filhos, brutalmente assassinados pela cruel ditadura da sua Argentina.
Mercedes partiu fisicamente, mas a sua voz , o seu talento, a sua doçura melódica, ficam aí.
Uma das canções que ela celebrizou, repetia

Gracias a la vida

Também hoje digo

Agradeço à vida ter-nos dado uma mulher como Mercedes Sosa.

sexta-feira, outubro 02, 2009

O nome até era pomposo...

Brincadeira?
Já tinha passado algumas vezes por este local e julgava que aquele dístico pintado no muro, seria mais uma daquelas pichagens de teor mais ou menos humorístico que por aí abundam.

Mas um destes dias, parei mesmo e descobri que ali não há propriamente humor nenhum, mas simplesmente mais um daqueles negócios imobiliários em que as promessas não são cumpridas.
Aqueles tapumes e aqueles muros de blocos, seriam, supostamente, a imponente entrada de um condomínio privado. Com um nome bastante pomposo.
E o letreiro, em vez de pintado à mão, deveria, talvez, ser constituído por letras de metal dourado, cravadas numa bonita parede de granito.
Ou seja, os sonhos dos compradores dos andares ficaram a meio caminho da concretização.
O prédio existe, mas o que falta fazer também. Para além da entrada do condomínio, faltarão os equipamentos prometidos (pois o que se entrevê para lá dos tapumes é só mato) e mesmo as aberturas das garagens mostram que, por ali, a obra não acabou.

De passagem, pode-se apreciar a qualidade da construção, com o edifício, ainda recente, já a mostrar claros sinais de degradação.
Enfim, mais um exemplo de como há cidadãos que continuam a ser enganados, com falinhas mansas e muita impunidade.





quarta-feira, setembro 30, 2009

Obrigado Laura!


Há tempos, na última página do JN, vinha uma notícia que inevitavelmente me chamou a atenção. A Laura de Jesus, a "Laurinha da Unicepe" ia-se reformar, após 40 anos de trabalho.
Para quem não saiba, a Unicepe- Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, foi fundada em 1963, por um grupo de jovens estudantes que assim quiseram criar mais uma âncora de resistência cultural à ditadura.
Orgulho-me de ser um dos seus primeiros sócios, de ter sido seu dirigente e funcionário, até perto dos anos setenta.
E lembro-me muito bem da chegada da Laura à Unicepe. Primeiro, como empregada do pequeno bar que tínhamos, fazendo também limpezas. Entrando timidamente para um meio de gente com habilitações literárias de nível superior e, ainda por cima, não muito bem vista pelas "autoridades" de então.
Mas, apesar da sua escolaridade não ser elevada, a Laurinha, mulher inteligente , foi-se integrando no espírito da cooperativa, foi aprendendo mais e mais sobre livros e cultura, até se tornar uma peça-chave do funcionamento da Unicepe.
Agora, a Laurinha, aos 64, vai embora, com muitas recordações para evocar.
Sobre muitos vultos da cultura nacional que passavam por aquelas salas de um vetusto edifício da Praça de Carlos Alberto, onde ainda hoje se encontram as instalações.
E sobre um tempo de medos e coragens, que por ali vivíamos, sempre com a perspectiva de nos entrarem pelas portas adentro, aqueles vultos cinzentos e sombrios, para quem a cultura, como a Goebells, fazia "puxar da pistola".
Foi com pessoas como a Laura de Jesus que a Unicepe conseguiu resistir a muitas crises e a muitos obstáculos.
Em nome dos pioneiros da Unicepe, em memória desses tempos que agora recordamos, por toda a tua dedicação, por teres sabido sempre "vestir a camisola" da nossa Cooperativa,
OBRIGADO LAURINHA!

domingo, setembro 27, 2009

O costume...

Estou em frente ao televisor a ver a "noite eleitoral".
Como, é costume, ouço quase toda a gente a dizer que ganhou. Ou a dizer que não perdeu.
Mas, para lá das palavras, sabemos que, por isto ou por aquilo, todos tiveram as suas frustrações. Ou porque não ganharam tanto como queriam. Ou porque outros ganharam mais do que eles.
Por isso, quando ouço os dirigentes a falar, dou pouca importância ao que dizem.Prefiro imaginar o que pensam, lá no seu íntimo.
Mas, mais do que tudo isso, acabo a noite a pensar naquilo que vai acontecer. Em que medida a minha vida e a dos outros, vai mudar depois desta noite.
Se vai haver mais emprego. Se vai haver mais segurança. Se vai haver mais esperança.Se vai haver mais cultura. Se vai haver mais futuro.
Provavelmente nada de substancial vai mudar.
Aguardemos.

sexta-feira, setembro 25, 2009

O velho "Timor"

O "Timor" era um velho navio da frota colonial que assegurava as ligações entre a então chamada "Metrópole" e a então chamada "Província".
Quando o conheci, já ele tinha uma provecta idade, e os vestígios da velhice acumulavam-se por todo o lado.
Havia, no entando, um sector que eu valorizava bastante. Era o salão de acesso ao restaurante, que tinha uma escadaria dupla encimada por uma grande pintura representando o Régulo D. Aleixo Corte-Real, um histórico herói timorense.
Mas o "Patas de Aço", como era conhecido na gíria local, lá se arrastava pelos sete mares, numa viagem que durava cerca de 45 dias, com passagens por Angola e Moçambique. Ia a Timor duas vezes por ano.
Certa vez. o barquito avariou e esteve muito tempo sem aparecer. Foi uma desgraça... Os géneros começaram a faltar e tivemos de improvisar soluções para conseguirmos subsistir.
Mas, quando ele aportava a Timor, era uma festa!
O navio trazia tropas para rendição das que já tinham cumprido a comissão de serviço e tranasportava víveres e outros géneros de que dependia a nossa vida. Como, por exemplo, as batatas, a cerveja, o tabaco, o vinho e por aí fora.
Nos poucos dias em que o "Timor" ali permanecia, ia-se até lá dentro. Para tomar um café. Para tomar um pequeno almoço à "moda da Metrópole". Para beber um "gin orange". E para comprar tabaco estrangeiro de contrabando, que os tripulantes exibiam às claras.
Os próprios timorenses, faziam os possíveis para subirem a bordo, pois o navio, apesar de até nem ser muito grande, era, para eles, imponente.
E entre eles, havia algumas pobres prostitutas locais que ali iam oferecer os seus serviços aos marinheiros, saturados de tanto mar.
Recordo ainda uma almoçarada a bordo do "Timor" conseguida por um amigo que conhecia um tripulante. Comemos uma soberba caldeirada, regada por um vinho tinto que, mesmo não sendo propriamente um "Barca Velha" nos pareceu o melhor dos néctares. De tal modo que, finda a refeição e regressando a terra firme, não fora agarrarmo-nos firmemente às cordas que ladeavam a escada, teríamos todos mergulhado nas cálidas águas da baía de Dili.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Se é de borla...

Uma boa parte dos nossos concidadãos pela-se porque alguém lhe faça chegar às mãos seja o que for por que não pague um cêntimo.
Por isso, logo que lhe acenem com qualquer produto que seja oferecido, aí está uma fila de gente ansiosa por não perder a oportunidade.
Foi assim, há dias em Santa Catarina, aqui no Porto.
E foi assim, há anos, ali na Praça da Liberdade, onde uma conhecida marca de aperitivos franceses destribuía copinhos da sua bebida (por sinal nada ao gosto português).
Então, um homem que passava, perguntou a um seu conhecido que já estava de copo na mão:
-Ó pá. Que é isso que estão aí a dar?
Resposta:
- É uma bebida francesa.
- E isso é bom?
-Ó pá, é uma m.. . Mas como é de borla...

foto Peciscas
foto Peciscas

terça-feira, setembro 22, 2009

É tudo espectáculo.

Segundo o que tem vindo a público, os debates entre os líderes dos partidos com assento (cadeira...) na Assembleia da República, bateram recordes de audiência.
Os programas dos Gato Fedorento em que os políticos se sujeitam a situações embaraçosas, também têm muita gente a ver.
E aquelas reportagens que mostram a intimidade desta gente, parece que também despertam muita curiosidade.
Já ouvi comentadores a dizerem que isso acontece porque o bom povo português quer ser esclarecido e está mais exigente. Por isso procura inteirar-se das ideias para, depois, ter um voto mais consciente.
Em meu modesto entender, não é nada disso. O que o Zé quer é espectáculo.
Ver se A esmaga B.
Ou se C se engasga com as rasteiras de D.
Ou se E tem uma casa bonita.
Ou se F consegue dizer uma piada que não tenha sido preparada pelos assessores.
Quanto a mim, estamos a assistir a um processo de americanização da política portuguesa.
Repito, é tudo espectáculo.
E, na hora de votar, pelos vistos, estas peças teatrais já ninguém as recorda.
Esperemos pelo dia 27 para o comprovar...