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quarta-feira, julho 16, 2008

Debate em torno da felicidade 7

Afinal, contrariamente ao que dizia ontem, ainda tenho mas um texto que, com muito gosto, vou publicar, antes de encerrar o debate.
Foi-me enviado pela amiga Addiragram , já há dias, mas , por qualquer motivo, tinha-se extraviado.
E esta amiga fala, no seu depoimento, de uma canção, com letra do Vinicius ( o inesquecível Poetinha) que recordo desde a minha adolescência.

Vale a pena ler:

Felicidade, esse substantivo abstracto, contém nele a sua impossibilidade, pois remete, quase de imediato, para a ideia de um estado que, por sua vez, se pressupõe, como permanente. Nestas condições felicidade é utopia e as utopias são perigosamente malévolas. Horizonte que se situa no infinito, adquire no terreno “concreto” da vida as formas mais ilusórias e mais perniciosas também - bem-estar material, sucesso, sociedade sem classes, saúde permanente, paraísos terrestres…Assim, procura-se descobrir a fórmula mágica que traga, de uma vez por todas, esse “estado de graça”. “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor”…é a “definição” que mais se aproxima do sentido que procuro dar vida. São os poetas como Vinicius que melhor tocam a beleza e transitoriedade desses instantes. Olho-a, sobretudo, como uma sintonia (sempre imperfeita, porque inacabada…) entre as “presenças” benfazejas que habitam
o nosso interior e momentos de encontro intimo e partilhado que a vida nos proporciona. Assim “Ela” expande-se da vida amorosa à vida familiar, à relação com amigos, a momentos de partilha e criatividade na vida profissional, etc. Essa gota de orvalho na pétala de flor dificilmente é possível, a meu ver, numa relação solitária. Ela implica partilha, intimidade e respeito pela diferença. O paradigma de felicidade é, em primeira instância a relação de encontro bem sucedida entre mãe e bebé em que por momentos dois se tornam um. Preseguimo-la toda a nossa vida, em níveis diferentes de relações. O nosso Eu mais íntimo, mais secreto, mais antigo, sabe sempre ler esses momentos verdadeiros. Eles contêm em si mesmos a vida. Cá for a, no exterior, encontram-se também algumas condições que se harmonizam com o sentir, mas que nunca serão o sentir.
Não poderei deixar de acrescentar que, não vivendo alienados do que nos rodeia, muito dificilmente poderemos viver esses momentos possíveis quando ao nosso lado estão pessoas em estado de grande sofrimento. Aí a felicidade poderá ser tentar aliviar essa dor.

segunda-feira, julho 14, 2008

Debate em torno da felicidade - 5

Retomo a publicação das participações no debate que lancei há dias.
Hoje, fala outra voz que me chega do outro lado do mar.
É a minha amiga Maray de quem, ainda recentemente falei, nas Viagens na Minha Blogosfera.
O seu depoimento coincide com a imagem que dela construímos quando lemos os seus sempre bem escrtos posts. Uma mulher atenta ao que se passa à sua volta, mas sem descurar as memórias do que já viveu e com um indisfarçável gosto pela vida.

Acho que é assim a coisa. Primeiro, tem que acreditar. Segundo, tem que fazer alguma coisa. A não ser que você acredite em duendes, fadas e quaisquer outras manifestações externas. E acredite também ser você o sujeito da atenção de semelhantes entidades.
Como eu não acredito em nada disso, mas acredito na felicidade, busco sempre o segundo quesito. Fazer por onde, como dizemos aqui.
A vida está ruim? Por quê? Será mesmo que é só por culpa do governo, por culpa dos outros, por culpa do aquecimento global, por culpa de pai e mãe, sogra e sogro, filhos e empregados? Sei não.
Pra mim felicidade é como tudo na vida: uma relação. Tem ida e volta. A inflação corrói salários e o governo ajuda no mal estar geral, mas você votou. Você continua comprando nos shoppings da moda o que a moda te manda comprar. Então, tem também a nossa participação na coisa. Duas mãos. Ficar só maldizendo o externo não ajuda muito na ação. Imobiliza. Deprime.
Então é isso. Felicidade é aquilo que cada um define como felicidade e sai buscando.
Felicidade é ver os filhos crescidos e bem criados, gente séria e de bom caráter.
Felicidade é ter saúde pra trabalhar.
Felicidade é uma boa relação conjugal, que dá mais vontade ainda de sair por aí construindo ...felicidade!!
Felicidade, finalmente, é meu Corinthians voltar pra primeira divisão.
E eu poder comemorar tomando um vinho e dançando um tango.

quinta-feira, julho 10, 2008

Debate em torno da felicidade - 4

Prossigo a publicação dos contributos para o debate que lancei.
Hoje, com esta mulher excepcional que, a maior parte de vocês já conhece.
E quem porventura ainda não conheça a Odele, vá aqui e confirmará a justeza daquilo que digo.
Quase não seriam precisas palavras para introduzir este depoimento. Ele fala por si , Qualquer um de nós não deixará de ficar emocionado com a sua leitura.
Só quero acrescentar que, depois de ler, senti-me penalizado por, de alguma forma, ter contribuído para o reavivar das mágoas desta Mãe Coragem.



1. P. A FELICIDADE EXISTE?

R. O conceito de felicidade é relativo e muda de pessoa para pessoa. Portanto, a felicidade existirá para uns e para outros não.

2. HAVERÁ DEFERENTES TIPOS DE FELICIDADE?


Para quem acredita ou pode sentir felicidade, óbvio: Sim, haverá diferentes tipos de felicidade. Por exemplo pode-se estar feliz pelo nascimento de um filho, sua formatura, seu sucesso profissional. Pode-se estar feliz, por uma conquista nossa, por exemplo, a compra de um imóvel, a realização de uma viagem há tempos desejada, ou o reencontro com uma pessoa querida que há tempos não víamos. Pode-se estar feliz também por nos sentirmos amados por uma pessoa. E por muitos outros motivos é possível sentir-se felicidade, portanto, a resposta é SIM.

3. O QUE É PARA TI SER FELIZ?


Conforme eu respondi na tua primeira pergunta, o conceito de felicidade varia de pessoa para pessoa. Para uns é ter muito dinheiro, para outros é ser bonito, para outros ainda é amar e ser correspondido, No meu caso, ser feliz, é principalmente ter saúde para mim e meus entes queridos, principalmente meus filhos. E como sabes do problema de saúde de minha filha, podes concluir que posso no máximo sentir algumas alegrias, mas felicidade não. Por causa do estado de coma de Flavia, a felicidade se afastou de mim. Para sempre.

4. É POSSÍVEL SER PERMANENTEMENTE FELIZ OU APENAS EXISTEM EPISÓDIOS DE FELICIDADE?


Não acredito que alguém possa ser permanentemente feliz. Existirá sempre alguns momentos, por infinitas razões, em que a pessoa sentirá tristeza: Por exemplo, a perda de um amor, a morte de alguém querido, ou uma doença grave que lhe chegue, serão motivos para lhe embotar a felicidade. Para quem a felicidade ainda é possível, eu acredito que ela seja feita de "momentos felizes", Portanto, quantos mais momentos felizes a pessoa tiver, mais feliz ela será.

5. PODERÁ ALGUÉM TER UMA VIDA INTEIRA SEM QUALQUER MOMENTO DE FELICIDADE?


Eu não saberia responder com total convicção esta tua pergunta. Mas acredito que não. Acredito que por mais infeliz que seja uma pessoa, em algum período de sua vida, em algum momento, algo de bom lhe aconteceu ou acontecerá que lhe deixou ou lhe deixará feliz.

Para concluir eu gostaria de colocar o seguinte:
Eu já tive muitos momentos de felicidade em minha vida, mas desde que minha filha entrou em coma, que eu deixei de me sentir feliz. Fico contente em algumas ocasiões, mas não feliz, porque felicidade para mim é algo mais intenso. Como pode alguém ser feliz com um filho em coma?! Como posso ser feliz se vejo diariamente o sofrimento no rosto de minha filha? Podem achar que sou "down" ou coisa que o valha, mas eu não posso mais ser feliz, e confesso, que neste momento em que escrevo esta conclusão de minha participação em teu post sobre felicidade, aqui, ao lado de minha filha inconsciente, imóvel e com a vida tolhida, eu me sinto muito infeliz e estou em lágrimas.

Mas ainda assim, fico contente em muitas ocasiões, por vários motivos. Há poucos dias fiquei muito contente ao ver meu filho apresentando seu trabalho de término da Faculdade. E fico contente quando ele conquista algo que lhe é importante. Fico contente quando o vejo sorrir. Fico contente quando estou cuidando de minhas plantas e muito contente quando as vejo dar flores. Outro motivo que me faz sentir bastante contente é ter a amizade de vocês, meus novos amigos conseguidos através do blog de Flavia. Eu e tu António, temos amigos comuns, Isabel Filipe e Fatyly, por exemplo. Porque sinto muito carinho por elas, estar em contato com Isabel e Fatyly, me deixa contente, E tu António, me deixas sempre contente com tua atenção e carinho para comigo e Flavia. Ficar contente,ter momentos de alegria. É o que a vida no máximo me permite hoje. Mas desejo, do fundo de meu coração, que vocês tenham muitos e muitos momentos felizes. E vou me sentir contente com a felicidade de vocês.

Nota- Durante o próximo fim de semana interromperei a publicação das participações no debate.
Continuarei na segunda -feira.

quinta-feira, maio 15, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 9 Conclusão

Chega agora ao fim, o longo post interactivo em que se debateu a questão das amizades que se podem (ou não) construir através da Internet.
Devo dizer que a ideia de conversar convosco sobre este tema nasceu de um reflexão muito pessoal. É que, ao longo destes últimos anos foram-me acontecendo surpresas bem agradáveis. Quase sem dar conta, gradualmente, comecei a verificar que havia um núcleo de pessoas, de quem já não dispensava a presença e que, me apareciam a “bater à porta” quase todos os dias. E que me deixavam palavras que demonstravam, carinho, proximidade, afecto.
E eu perguntava-me: mas como é que isto aconteceu?
Eu ouvia e lia, há muito, ecos de grandes preocupações sobre o uso destes novos meios tecnológicos e confesso que inicialmente, também parti para esta “aventura” algo desconfiado. Embora também já soubesse que preconceitos com as formas de comunicação que vão aparecendo, são de sempre. Assim sucedeu com o correio, com o telefone, com a televisão e por aí fora.
Mas bem cedo percebi que o “mal”ou o “bem” não estará nunca nos meios de aproximação que se utilizam. Tudo depende daquilo que as pessoas já são. Do seu carácter, da sua formação, dos seus sentimentos., da sua cultura, da sua inteligência.
Então, concordo, com a generalidade do que vocês disseram: as amizades que se constroem através da net e, designadamente com a blogosfera, são bem reais. Porque “do outro lado da linha” está sempre uma pessoa. Com as suas virtudes, com os seus defeitos, com a sua história de vida. Não é um robot que nos responde (embora até já haja por aí utensílios tecnológicos desse tipo).
Por outro lado, é bem verdade que, entre tanta gente boa também, circula algum “lixo” (para usar a expressão de uma das minhas amigas). Mas quem ignora que, por carta, por telefone, num café, ao cruzar numa esquina, há sempre a possibilidade de nos aparecer um vigarista, um sedutor de falinhas mansas, um vendedor de ilusões, um predador pronto a atacar uma vítima mais desprotegida? Para essas situações, temos de estar prevenidos, atentos e criarmos defesas. Defesas que terão de vir, sobretudo, da razão, que nos deve alertar e que, em certas circunstâncias, deve fazer tocar a campainha de alarme.
Também estou de acordo com quem disse que, estas novas tecnologias, ao invés de contribuírem para o isolamento das pessoas, podem ser uma forma de aproximação que contraria a tendência para o isolamento e para o egoísmo que as sociedades actuais mais desenvolvidas, com o seu frenesim competitivo, estão a estimular crescentemente.
E eu tenho exemplos bem vivos dessa realidade.
Através da net, através da blogosfera, compartilhei emoções, pontos de vista, alegrias e tristezas. Senti o eco da solidariedade, do apoio. Mas também do humor e da alegria de viver. Assim, posso dizer que tenho por aí amigos e amigas que já não dispenso. Amigos e amigas de todas as gerações, com diversas maneiras de ser e de pensar e que aprendi a amar (terá aqui o termo “amor” uso adequado? – ainda haveremos de falar mais disso).
Com o e-mail, com o Messenger, troquei confidências, amarguras, angústias, solidariedades, sorri, emocionei-me, dei-me mais a conhecer, conheci melhor outras pessoas, até aí anónimas e distantes. Com algumas, até tive o grato prazer do encontro pessoal que me fez comprovar a imagem positiva que já tinha construído.
Mais recentemente, através da descoberta do Google Talk, pude mesmo falar, de viva voz, com gente muito boa, que está mais perto ou que está mais longe. E aí, a proximidade fica mais íntima. É assim que, a cada passo, acontece ouvir vozes amigas. De conversar sobre coisas triviais do dia a dia, de trocar gargalhadas, mas também de sentir as lágrimas, de trocar preocupações sobre o que nos inquieta, antecipar encontros, deixar uma palavra que possa ajudar a superar um mau momento.
E se tudo isto é virtual, então já não sei o que será a realidade.
No final desta conversa que, afinal se estendeu mais do que inicialmente supunha, quero agradecer a todos e a todas que quiseram participar e nos acompanharam durante estes dias. Se mais não houvesse, bastava este facto para garantir a realidade das amizades que granjeei, desde que, em boa hora comecei a andar por aqui.
E cá por mim, de hoje em diante, dificilmente voltarei a usar a palavra “virtual” para vos designar, minhas amigas e meus amigos.

quarta-feira, maio 14, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 8

Termino hoje a publicação das contribuições para o debate que me foram chegando, por diversas vias.
E faço-o, com a presença de uma mulher excepcional, um amiga muito especial que, embora vivendo lá longe, está muito perto do nosso coração. Quem por aqui anda, na sua maioria, já sabe da imensa qualidade humana da Odele. Por isso e por muito mais, se justifica encerrar esta parte do post interactivo que há dias lancei, com as suas palavras .

1- As amizades que eventualmente se possam criar através da internet e, designadamente, ao circular na blogosfera, serão mesmo virtuais, por isso mesmo fictícias, ou podem ser bem reais?
R. Sim, as amizades criadas através da Internet podem ser reais. Às vezes tão ou mais reais do que aquelas existentes entre pessoas que se encontram fisicamente. Acredito que isto aconteça porque os amigos reais estão sempre muito ocupados com seus próprios afazeres e nem sempre buscam a companhia uns dos outros, o que acaba por esfriar a relação e distancia-los. Já os amigos virtuais vão estando em contato com tal frequência que passam a ter entre eles um vínculo de afeto que pode se tornar algo forte, profundo e gratificante. Há que se considerar a facilidade do contato virtual. O amigo não está em outro bairro, em outra cidade, e não temos que sair de casa e enfrentar trânsito e eventualmente longas distâncias para vê-lo. O amigo virtual está muito mais próximo, pois para estar em contato com ele, basta um simples toque no mouse.
2 - Haverá perigos ou contra-indicações que nos levem a evitar este tipo de relacionamentos?
R- Sim, acho que existem alguns perigos. Muitas pessoas de má índole, usam a Internet para se fazer passar por aquilo que na realidade não são e após conquistar a confiança dos amigos virtuais, começam a lhes causar transtornos. Por isso eu diria que uma certa cautela é necessária, mas não acho que esse inconveniente seja forte o suficiente para nos afastar da possibilidade de conhecermos pessoas maravilhosas com as quais, o contato, mesmo que virtual, só nos enriquece.
3 - Será que a internet estará a contribuir para um maior isolamento das pessoas, ou será precisamente o contrário?
R- Acredito que é exatamente o contrário, pela facilidade que temos de "estar" a todo momento com os amigos virtuais. Para estar com eles não dependemos de horário, de transporte. A distância não existe entre os amigos virtuais. Podemos contatá-los a qualquer momento, a qualquer horário em qualquer dia. Se não estão conectados, deixamos um recado de voz ou um e-mail e está estabelecido o contato. Já com os ditos amigos reais essa possibilidade não existe e daí que as pessoas mesmo próximas fisicamente, acabam por se isolar umas das outras.
4 - Será verdade que as pessoas que usam a internet como forma de relacionamento inter-pessoal, têm um perfil que passa pela solidão, por alguma espécie de frustração da vida social e ou familiar?
R- Pode até ser que algumas pessoas que usam a Internet tenham esse perfil, mas não necessariamente. Esse perfil se aplicaria apenas àquelas pessoas que usam a Internet em excesso, excluindo os relacionamentos reais e abdicando de suas outras atividades para ficar na Internet. Além disso não devemos esquecer que mesmo pessoas que NÃO USAM a Internet podem ter esse perfil aqui mencionado.

terça-feira, maio 13, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 7

Eis uma participação no debate, que, apesar de me ter chegado"sobre a hora", já quando tinha preparado os posts finais, não vou deixar de publicar. Ao lerem, vão entender porquê: trata-se de um testemeunho vivido, de alguém que viu abrir-se-lhe "uma porta para o resto da vida".
A palavra, pois, ao Marte.



Eu devo muito à Internet. Comecei nestas andanças em 1996 com 14 anos. Desde logo senti-me atraído pelos Chats. Queria conhecer pessoas de todo o mundo. Fascinava-me a possibilidade de falar com pessoas de outras culturas que conhecessem outras coisas… e assim foi. Durante alguns anos mantive contactos por mail e por carta(!) com amigos dos E.U.A., Argentina e Suécia. Vivia ansiando por receber notícias, sendo que, se as cartas ou emails se atrasavam 1 dia do previsto, entrava em pânico pensando o pior. De dois em dois meses falava com alguns por telefone. Para além do conhecimento, estas amizades foram óptimas para treinar o meu Inglês, escrito e falado, pelo que teve grande contribuição para as boas notas que fui tendo nessa disciplina. Destas primeiras amizades não mantive nenhuma, infelizmente, fui perdendo os seus contactos e agora ficam apenas as memórias.
Uns anos mais tarde, já comunicava com portugueses. Fui criando novas amizades. Como a proximidade era maior, o desejo de conhecer as caras era também maior. Conheci muita gente. Vivi algumas aventuras. E conheci uma pessoa que me abriu as portas para o resto da minha vida. No primeiro encontro face-to-face ela levou algumas amigas com ela (o receio do desconhecido estava presente) e foi quase como paixão à primeira vista… não pela minha amiga virtual, mas sim pela amiga da minha amiga virtual (ao estilo do Hi5…). Estamos juntos vai fazer 9 anos (7 de namoro + 2 de casamento) e temos um filhote com 15 meses. Por tudo isto não vejo a Internet como um meio de isolamento. A internet tem imenso potencial de Socialização, desde que seja bem aproveitada. Sobretudo há que se ser verdadeiro na comunicação via Net; se não se for verdadeiro, o medo de se ser desmascarado na vida real estará sempre presente e aí sim, surgirá o isolamento de forma a que não caía a máscara de quem tecla…

segunda-feira, maio 12, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 6

Volto com o debate que aqui lancei há dias e que está na sua fase final.
Hoje divulgo um conjunto de participações que, nem por serem mais curtas e singelas, deixam de assumir importância. Até porque representam um "estar presente" que muito me sensibiliza.
Aos leitores habituais das "páginas " deste debate dispenso, desta vez,o discurso habitual sobre os comentários.


Andreia do Flautim
Eu acho que se podem criar amizades reais na internet e acho que na internet há de tudo como na vida real. Há os mais solitários que se refugiam lá, e há os que a usam como mais uma maneira de comunicar com os amigos. Eu acho que me incluo na segunda hipótese.
Zé Povinho
Podem ser bem reais.
Tudo depende das pessoas, mas essas são as mesmas que encontramos na vida real.
Isolamento? Talvez, mas há pessoas que a isso se prestam.
Frustrações? Bem eu gostava mais de ser rico, mas a saúde e a felicidade até hoje foram suficientes para eu viver relativamente contente com a minha modesta vidinha.
Thiago
Posso dizer-te que o mundo virtual já me ofereceu amizades e até amores duradouros. Não tenho qualquer preconceito em relação a esta nova forma de socializar e conhecer .
Manel
Tive vários conhecimentos virtuais que se materializaram em boas amizades nada virtuais!
A começar por ti...
Professorinha
Amizades virtuais são, muitas vezes, armadilhas... Outras vezes, fantasias...
Ando um pouco pessimista...

Grilinha
Comecei por usar a internet numa fase complicada da vida.A saúde traíu-me de um dia para o outro e fiquei presa em casa meses a fio.Aos poucos fui fazendo amizades nos chats.Hoje tenho um enorme grupo de amigos que nasceu no virtual e passaram ao real.Sempre que tenho de me afastar do pc e da net fico cheia de saudades dos emails e das noticias dos net_amigos.Para não me alongar mais;Eu abro as portas da minha casa aos meus net_amigos e tb os visito.
Addiragram
1- Umas nunca passarão de de fogos fátuos (como nos acontece ao longo da vida); outras têm "pernas para andar" e tornam-se relações sólidas.
2- o principal perigo poderá derivar de uma idealização que este tipo de comunicação facilita. Outros perigos serão aqueles que ocorrem em todas as relações.Admito, contudo, que pode haver situações em que a coberto do anonimato,se podem passar problemas complicados.
3-A internet pode combater o isolamento, mas pode tornar-se também um comportamento de natureza aditiva.
4- Não há um perfil. Contudo, admito que personalidades com dificuldades nos contactos sociais sejam mais predispostas a usar a net. A net aparece também como uma janela que se abre em determinadas circunstâncias de insatisfação pessoal. A net pode ser ainda um território acessível à construção de um espaço de criatividade que faz falta a todo o bicho humano.

quinta-feira, maio 08, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 5

Hoje publico mais dois textos no debate que, por ora se interrompe, para concluir na próxima semana.
E reuni, neste mesmo post, dois amigos, com quem tenho o prazer de contactar, de vez em quando e que são , também, amigos entre si ("manos" como carinhosamente se apelidam).
A Helena ( a nossa Nucha), terá sido a primeira pessoa que saudou a minha entrada na blogosfera. O Eduardo, agora um pouco menos presente, por razões muito íntimas que ele deu a conhecer no seu Bloguices, além do mais, foi o meu conselheiro técnico quando debutei nestas coisas.

Curiosamente, comecei nestas andanças da internet e da blogosfera por uma questão de economia...Nessa altura, a minha filha estava a viver nos Estados Unidos, e como telefonar se tornava dispendioso, optámos por nos falarmos via Eurochat.
Vai daí, iam aparecendo outras pessoas que metiam conversa. Umas bem intencionadas, outras, nem tanto.
Mas na vida real não acontece o mesmo?
Posso dizer que sou uma mulher de sorte. Que encontrei aqui bons amigos, bem reais.
Mesmo não conhecendo, pessoalmente, alguns, sinto que quando teclamos ou falamos (como as novas tecnologias permitem) eles estão ao meu lado e assim se tornam reais.
Quando leio ou ouço dizer carinhosamente "a nossa Nucha", quando me abrem o seu coração, quando me abrem as portas das suas casas, quando me preocupo com eles e eles se preocupam comigo, não posso dizer que se trata de algo virtual
Perigos na Internet? Só se não tivermos maturidade e perspicácia para separar "o trigo do joio". É tão fácil descobrir a verdadeira intenção das pessoas, se estivermos atentos. Ninguém engana ninguém o tempo todo.
As motivações para este tipo de interactividade são várias. Podem passar pela solidão (nalguns casos) ,mas não necessariamente.

Nucha


Amizades reais/Amizades virtuais

Tudo depende da variante em que estamos, amigo António.
A Internet é uma coisa, a realidade pode ser outra. Há aqui várias situações que podemos esclarecer; quem tecla, transmite o que quer. Quem escreve apenas, simbolicamente, testemunhamos o seu estado de alma, e acompanhamos o seu desenrolar do dia-a-dia como quem bebe um café matinal à mesma hora e nos encontramos por acaso.
Por outro lado, existem laços que se vão criando pela forma como que nos interligamos e nos vamos “conhecendo”.
Há um factor importante a ter em conta: a necessidade de diálogo, de ouvir do outro lado uma palavra de apoio, um carinho ou uma atenção que nos faça sentir que estamos cá. No meu pensamento, alastra a ideia de que a maior parte das pessoas precisa (necessita) de extravasar, dialogar, estar na frente.
Num outro dia, o Pedro Lomba (com quem me cruzo esporadicamente) chamou-me “veterano” nesta brincadeira dos blogs. Talvez com a razão dele. O certo é que quem anda aqui vai fazer seis anos, é “obrigado” a estar atento ao que tu chamas de amizades virtuais. No meu caso, não me posso queixar. Sempre tive o claro “encosta-te a mim” cantado por quem conheces, e que por vezes não sou capaz de lhe dar seguimento pelas razões que são conhecidas dos mais próximos. Mas, inclusive, como também sabes, nunca me neguei a qualquer diálogo, ou ajuda, de quem precisasse.
Por isso, e tudo o mais que a gente vai aprendendo, posso afirmar que fiz AMIGOS que nem sequer conheço, e tenho plena confiança de que não me engano quando os refiro como tal.
Daí, não concordar em absoluto com a Paula Raposo, que continuarei a estimar, quando afirma que um dos problemas dela é não acreditar nas pessoas. Terá as suas razões. De qualquer forma, de todos quantos me possa livrar (os problemas), esse nunca será um deles. Até prova em contrário, acredito na rapaziada dos blogs que fazem questão de serem meus amigos. Sejam eles reais ou virtuais.
Um abraço.
A gente vê-se por aí.
Eduardo

quarta-feira, maio 07, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 4

Chegou a vez de dar voz à amiga e artista que é a Isabel Filipe.
Após alguns dias em torno do mesmo tema, quem me visita vai , por vezes, sentir que o seu comentário poderia ser repetitivo. Assim, quem ler, poderá optar por sair sem comentar ou apenas deixar uma palvra ou um smile, como se fosse um "cartão de visita".


1- As amizades que eventualmente se possam criar através da internet e, designadamente, ao circular na blogosfera, serão mesmo virtuais, por isso mesmo fictícias, ou podem ser bem reais?
Da experiência que tenho ... as amizades não são ficticias ... são bem reais ... e para tal não é obrigatório conhecer-se pessoalmente a pessoa ... poderão haver outros relacionamentos que não sejam amizade ... chamemos-lhes de "camaradagem" .... damo-nos bem com alguém ... gostamos de conversar ... mas isso não quer dizer que seja amizade ...
Na net fiz verdadeiras amizades ... posso contar-te um exemplo: uma das minhas melhores amigas actuais, considero-a como uma irmã ... conheci-a há uns 7 anos pela net .... só nos encontramos fisicamente pela 1ª vez aí há uns 3 anos e meio ... e não foi um 1º encontro ... conheciamo-nos realmente há já os tais 7 anos ....
2 - Haverá perigos ou contra-indicações que nos levem a evitar este tipo de relacionamentos?
Claro que há ... mas como em tudo na vida há que saber-se separar o que é bom do que é mau ... quando se é simpático demais corre-se o risco de ser mal interpretado .... e eu já tive um problema relativamente chato com um idiota que se armou em "engatatão" ... mas serviu-me de emenda ... passei a estar sempre muito atenta a esse género de sinais ...
3 - Será que a internet estará a contribuir para um maior isolamento das pessoas, ou será precisamente o contrário?
Não creio ... acho precisamente o contrário ....
Eu não comecei na internet pela blogosfera, mas sim pelos grupos do MSN ... as saudades batiam e eu andava à procura de recordações de Moçambique .... através desses grupos conheci pessoas novas e reencontrei pessoas que não via há quase trinta anos ... foi deveras gratificante ... Entretanto, junto com dois amigos, criámos um grupo no MSN, que hoje tem mais de 600 participantes ... foi gratificante ... é gratificante ... contribuimos para o reencontro de imensa gente ... pessoas de Moçambique ... antigos combatentes ... pessoas de algum modo com alguma ligação a Africa ... organizam-se convivios ... trocam-se lembranças e vivências actuais ....
Se quiseres espreitar vê nos meus links MGM - Moçambique, Gentes & Memórias ....
4 - Será verdade que as pessoas que usam a internet como forma de relacionamento inter-pessoal, têm um perfil que passa pela solidão, por alguma espécie de frustração da vida social e ou familiar?
Dum modo geral claro que não ... embora todos saibamos que há muitos que andam aí pela internet que sofrem disso ... são normalmente os tais que têm "duas caras" ....

terça-feira, maio 06, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 3

Neste debate, tem agora a palavra a amiga Fatyly .
Conforme tenho vindo a dizer, compreenderei que quem me visita possa , por vezes, sentir que o seu comentário poderia ser repetitivo. Assim, quem ler, poderá optar por sair sem comentar ou apenas deixar uma palvra ou um smile, como se fosse um "cartão de visita".

1-Podem ser tão reais como as de outrora, ou seja na época das cartas em que durante anos havia uma cumplicidade na troca de correspondência. Nunca tive nenhum(a) correspondente, mas conheço quem ao fim de 20/30 anos tivesse conhecido o autor(a) das centenas de cartas que foram trocadas.
As amizades criadas aqui podem ter o mesmo conteúdo e textura das no dia-a-dia: ou acabam ou conhecem-se e ainda se tornam mais fortes.
2- Há sempre perigos e contra-indicações, porque a vida é recheada de tudo isso e não é por isso que deixamos de gostar de viver.
3- Poderá ser mais um meio para o isolamento de alguém que por si só já se tinha isolado na vida. Mas falo por mim, que não dependo da internet e é gratificante ler, ler-vos e quem sabe um dia conhecer pessoalmente quem está por detrás desta tela. Se estiver aqui e alguém telefonar ou bater à porta... queres ir ali ou acolá? fecho de imediato o PC e vou dar uma volta.
4- Não necessariamente embora exista de tudo, como lá fora.
Mas olha lá rapaz quem já não teve ou tem frustações da vida social e ou familiar? Para mim...amigos vão, amigos vêm e não fico a marinar nos que já me lixaram ao longo da vida, incluindo familiares! O meu desejo é "liberdade e que sejam felizes"!
A maior frustacção que tenho é de não ter poderes mágicos para pôr fim ao "sofrimento dantesco" que muitos passam, transvessal a todas as idades, sexo e raça... até chegar à palavra FIM. Não quero, não quero mas não sei se será esse o meu destino e...enfim! "

segunda-feira, maio 05, 2008

Debate "Amizades reais/amizades virtuais"- 2

Retomo a publicação dos textos que tenho recebido para intervenção no debate que lancei na semana passada.
Desta vez, divulgo o depoimento de uma amiga do Brasil, a Maray.
Conforme já disse, dado que o assunto dos próximos posts será sempre o mesmo, compreenderei que quem me visita possa , por vezes, sentir que o seu comentário poderia ser repetitivo.
Assim, quem ler, poderá optar por sair sem comentar ou apenas deixar uma palvra ou um smile, como se fosse um "cartão de visita".

"Você quer saber sobre amizades virtuais.
Olha, acho que pode sim, existir algum risco. Pelo menos aqui no Brasil já tivemos muitos casos de moças e senhoras que foram roubadas, agredidas e até mortas por uso de internet na busca de parceiros. Por outro lado, conheço dois blogueiros que encontraram suas esposas através da internet e com elas estão para mais de 10 anos.
Acho que há problemas em toda parte. Há que se tomar cuidado e usar o bom senso.
Mas no caso de blogs como os nossos, de crônicas geralmente, não vejo nenhum problema. Eu sempre busco por blogs literários ou de crônicas, reminiscências, humor. Sabe o que costumo fazer? Vou ao google e digito uma palavra não muito usual. Como resposta vêm também os blogs. Encontrei vários assim.
E nesse universo, fiz muitos amigos!
Por mais que a pessoa se esconda atrás de uma história, de um conto, de uma crônica, depois de algum tempo dá para perceber o caráter, traços de personalidade.
Tá bom, muita gente poderá argumentar que os maiores criminosos foram gente inteligente, meticulosa, planejadora. Mas eu tendo a confiar no ser humano.
Veja você: a gente não se conhece, mas sabemos ter muitos gostos em comum. A faixa etária também. Estou com 58 e você não tem tantos mais assim. Somos bem casados. Temos filhos. Gostamos de animais.
Se um dia eu for a Portugal - e pretendo - gostaria de conhecê-lo sem medo. Acho que a gente se daria bem.
Foi assim com 3 amigas argentinas que conheci através de blogs. Mês que vem volto a Buenos Aires e estarei com elas. O mais interessante é que elas não se conheciam entre si e acabaram, até por minha interferência, tornando-se amigas também!
Isso é uma coisa que só a internet pode propiciar!
Outro lado interessante da internet é a proximidade. Meu filho vive em São Francisco. Está lá há 3 anos, casado. Quando aqui estava, apesar de morar relativamente perto, só me telefonava ou visitava de quando em vez, apesar da gente se adorar.
Agora com internet e também pela saudade que a distância dá, falamo-nos muito mais!
É claro que eu preferia que ele estivesse aqui, mas imagino como seria essa distância entre nós sem internet! Com a rede eu posso saber se ele está trabalhando ou não, pelo messenger podemos falar, pela webcam podemos nos ver, pelo flicks trocamos fotos.
E não, não me considero nem problemática, nem mal amada, nem solitária de qualquer maneira. Faço uso da rede porque ela me dá prazer. Como fazer artesanato, como ler, como ouvir boa música, como até mesmo fazer palavras cruzadas. São passatempos que me dão alegria. A internet é mais um.
Tentei responder. Não sei se a contento.
Quem sabe não estará perto o dia em que nos conheceremos? Ou nós aí ou vocês aqui!
Minha casa está de portas abertas. Casa simples mas amiga. E abro as portas sem medo nenhum. Confio no "peciscas" !

quarta-feira, abril 30, 2008

Amizades reais/amizades virtuais- Debate 1

distinção atribuida pela amizade da Wind e do Armando
Lancei há dias uma proposta para debatermos uma questão que muitas vezes se coloca a quem viaja na internet e, em particular na blogosfera.
Como já estava à espera, houve muita gente que por aqui passou e saiu silenciosamente. Ou porque o tema não lhe dizia nada, ou porque não sentiu ter nada para dizer ou, muito simplesmente, porque não se quiz expor. Para essas pessoas, toda a compreensão e nenhum ressentimento. Uma das coisas que mais prezo na vida é a liberdade que cada um deve ter, para agir da forma que melhor entender.
Mas, também sabia, que tenho a felicidade de contar com
um precioso lote de gente que sinto bastante próxima eque correspondeu ao meu "desafio".
Assim vou passar a divulgar as opiniões que me chegaram, quer por e-mail, quer pela caixa de comentários.
E vou ter "pano para mangas" pois, como tenho diversos textos para publicar ( e outros ainda vão chegar), terei que desdobrar este debate por vários posts, em dias diferentes.
E, desde já, quero dizer-vos que, é bem possível que os meus visitantes habituais sintam alguma dificuldade em comentar as participações das várias amigas e dos vários amigos que por aqui vão passar. Por isso, se não tiveres nada a acrescentar, não precisas de deixar comentário. Ou então, se preferires, deixa um comentário em branco ou com um breve "smile" assim como quem deixa apenas um cartão de visita a dizer "estive cá!".
A primeira intervenção no debate pertence à Paula Raposo que, com muita pena minha, interrompeu recentemente a publicação do seu espaço. Espero que, em breve, o retome.

"Comecei a relacionar-me com pessoas através da internet há 3 anos, em 2005.Não farei um apanhado dos que considero amigos virtuais ou não, uma vez que na vida real poucos são os que considero amigos, mesmo muito poucos. Aliás, como bicho do mato que sempre fui e sou, prezo bastante a minha intimidade, embora eu saiba que não é essa a imagem que transmito. Defeito meu, sem dúvida. As amizades virtuais podem tornar-se reais, tal como uma real o é. Não acredito totalmente nisso, porque ao longo destes 3 anos sempre necessitei de tentar conhecer pessoalmente as pessoas com as quais dialoguei via computador. Se tal não é possível, a conversa termina por aí. Penso que no final existe sempre maior isolamento das pessoas e que o veículo internet que parece o contrário, para mim não o é. Quanto às pessoas que se conhecem virtualmente se têm mais ou menos frustrações a algum nível, não sei. Alguns sim, outros não.Que isto é mundo diabólico em todos os sentidos, quero eu dizer, incluindo a realidade, é.Que existe cinismo, hipocrisia, mentira, falsidade existe, como nos relacionamentos reais. Resumindo: não acredito nas pessoas, mas o problema é meu."

(Paula Raposo)