Seria este o pior motivo que me faria regressar, embora fugazmente a este espaço,
Mas tinha mesmo de aqui voltar.
Porque tu, Nucha, foste uma das primeiras vozes a saudar o meu ingresso na blogosfera.
Fomo-nos acompanhando ao longo destes mais de cinco anos que entretanto decorreram.
Depois, foste confrontada com a temível doença. Rara, como rara era a coragem e a determinação com que a enfrentaste.
Íamos falando de onde a onde. Pelo G Talk , de viva voz ou por mensagens escritas. Algumas vezes, através do telemóvel.
Conversas que tinham apenas como limite a hora de jantar.
Dizias sempre que não irias dar hipóteses à doença.E lutaste contra ela,com ganas de vencedora. Suportando com muita esperança e espírito guerreiro os exames e tratamentos,os internamentos, por vezes bem duros.
E o que é certo é que foste capaz de erguer um muro em que a malvada doença teve de embater,Na última vez que falei contigo, fiquei animado, pois as análises diziam que as coisas tinham sido controladas.
Não foi ela, afinal, quem te levou do nosso convívio. Mas outro imprevisto golpe que se abateu sobre ti.
Soube, há poucos minutos,através de um dos teus filhos, que encontrou o meu nome na tua lista de contactos telefónicos, deste triste desfecho.
Ele não me conhece mas sabe que éramos amigos.
Não sabe, se calhar, daquele cozido à portuguesa de que falámos várias vezes e que nos iria reunir, mais o Eduardo, aí perto da tua casa.
Essa refeição, ficará para sempre, adiada.
Porque, Nucha, tu já não estás aqui.
Já não estás aqui e eu não consigo escrever mais nada.
Até sempre, querida amiga!
Todos nós,a propósito disto ou daquilo, somos capazes de emitir PECISCAS peciscas = opiniões, bocas, bitaites,dicas,pitaco(termo brasileiro)...
quinta-feira, maio 06, 2010
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Até sempre gente boa!
No dia 31 de Dezembro de 2004 nascia este Peciscas.
Sem saber muito bem ao que vinha, abalancei-me nesta aventura de entrar na blogosfera.
A princípio, timidamente. Depois, ganhei-lhe gosto e fui por aí fora.
Escrevi sobre tudo e mais alguma coisa.
Lancei iniciativas, por vezes brincalhonas.
Talvez a que mais gozo me deu foi a edição dos posts sonoros.
Mas, o mais importante ter feito dezenas de amigas e amigos.Gente boa,que me enriqueceu a vida.
Alguns dos quais tive o gosto de conhecer "ao vivo". Outros que ainda "aguardam a oportunidade "daquele abraço" real.
Mas, passados estes 5 anos, o ânimo está a esmorecer.
Neste mundo actual de "fast food" internáutico, onde o que está na moda são as redes sociais, os twiters, os facebook, os netlog e por aí fora, parece já haver pouco espaço para o prosseguimento dos "bons velhos tempos" blogosféricos.
É certo que tenho, sempre por aqui, uma corte de indefectíveis que nunca me abandonam.
Mas, confesso que, nos últimos tempos tenho andado cada vez com menos vontade de vir aqui e trazer coisas novas.
Ou serei eu que estou a ficar velho e cansado.
Por isso, este aniversário é um bom pretexto para entrar numa pausa que não sei se será mesmo definitiva.
Assim, o Peciscas, no dia em que faz 5 anos, mete os papéis para a aposentação. Tal como o dono fez na sua profissão.
É claro que aprendi, há muito, que nunca se deve dizer "nunca".
Deste modo, é possível que venha aqui uma ou outra vez, se houver algum motivo imperioso para tal. Uma causa. Um movimento de solidariedade. Uma solicitação amiga.
Bem vistas as coisas, os aposentados, por vezes, fazem uns "biscates" para entreter...
Mas, a minha intenção, neste momento, é mesmo parar para pensar....
Entretanto, como dizia o conhecido político, "vou andar por aí"...Até sempre, gente boa!
sexta-feira, dezembro 18, 2009
"Casa do Americano 2009"
Por estas alturas festivas, costumo mostrar-vos imagens da "casa do americano", como é conhecida a moradia de um vizinho que, no Natal, sempre a decora de modo exuberante.
Também já vos tenho referido que, nesta época, há uma autêntica romaria de curiosos que passa pela rua onde se situa a habitação.
A quem já tem visto as imagens dos anos anteriores, poderá parecer que são sempre iguais. Mas não é assim. Os organizadores do "espectáculo" fazem questão de, todos os anos, acrescentar novidades à decoração.
Este ano notei , pelo menos,um comboio com renas e Pai Natal...
Nas redondezas, há quem procure seguir o exemplo e já tem , também, um respeitável elenco iluminativo.
Mas nada que chegue aos calcanhares do "americano".
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Devemos andar todos surdos...
Pelos vistos vivemos num país de surdos...
Não,. Não digo isto em sentido figurado, procurando atingir políticos ou outros figurões.
É que, não há publicação escrita que não traga, diariamente, extensos anúncios, a reclamar as virtudes milagrosas de aparelhos que vão melhorar decisivamente a audição. Ou, então,dentro de revistas ou directamente para a nossa caixa de correio, lá estão os papelinhos a propor testes ou experiências com estes aparelhinhos.
E fazendo sempre passar a mensagem de que aquilo é extremamente barato.
Ora, a avaliar pela extensão dos meios publicitários envolvidos (uma página inteira de jornal, por exemplo, é bem cara) deve tratar-se de negócio bem lucrativo
Até porque conheço um amigo, que comprou um desses utensílios e pagou quase 2000 euros..
E, segundo ele, a audição em pouco melhorou, porque , quando está no meio de um grupo a conversar em simultâneo, não consegue distinguir os sons, que se baralham em irritante confusão.
Mas,enfim, devemos ser muitos a ter dificuldades de audição, porque eles continuam a atacar por todo o lado.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Almoços e jantares de Natal...
Nesta altura do ano, há uma roda-viva de almoços ou jantares de Natal.
Grupos de amigos, colegas de profissão, confrarias gastronómicas tudo serve para pôr "os pés de baixo da mesa".
Dezembro, é, pois, um mês em que se deve esconder a balança e evitar fazer análises.
No passado sábado, lá estive, em mais uma dessas confraternizações, Neste caso de professores aposentados, a que chamamos o "Grupo da Boa Memória".´
Cerca de 40 à mesa e. no final, a habitual troca de "prendas", em que, normalmente, trazemos para casa mais una bugiganga que vai para o monte da tal tralha que por aí se amontoa.
Mas, neste almoço, o que me calhou em sorte até foi divertido e certeiro. De facto, a frase pendurada no porta-chaves, passados três anos, continua a traduzir fielmente o meu estado de espírito...
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Projecto Viva
No nosso dia a dia, há pequenos acontecimentos , que de tão habituais e mecânicos, já não assumem qualquer significado especial para nós.
Por exemplo, abrir uma torneira, lavar as mãos, ou beber um copo de água, ou encher uma panela para cozinhar.
No entanto, mais perto ou mais longe, há outros seres humanos , para quem esse tipo de acontecimentos representam um drama diário.
Porque há locais da terra onde a água é um bem quase inacessível. Obter o precioso líquido (e quantas vezes em condições totalmente insalubres) exige esforços e sacrifícios quase inacreditáveis (como, por exemplo, andar 42 km a pé).
E nós, que abrimos a torneira mecanicamente e só nos damos conta de como a água nos é indispensável quando há avaria na rede e ela deixa de jorrar, que poderemos fazer?
Pequenas coisas, tais como evitar desperdícios inúteis.
Ou, como tive oportunidade de fazer, colaborar numa campanha, como o Projecto Viva.
No supermercado, no momento em que ia pagar as minhas compras, vi que poderia registar mais um artigo: uma garrafa de rótulo azul, vazia, colocada num pequeno escaparate.
Paguei 1 euro pelo registo. Recebi em troca um cartão, que aqui reproduzo.
Será que este gesto sossegou a minha consciência?
Nem tanto. Pelo contrário. Vim do supermercado a pensar em tudo isto. Nas disparidades que ainda subsistem no mundo. E de como são limitadas as capacidades de intervenção dos "comuns mortais" como eu.
Posso supor que aquele euro, junto com outros, poderão ajudar a abrir um poço, numa localidade distante, que nem sei ao certo onde fica. Mas será apenas um poço, que minorará o sofrimento de alguns semelhantes.
Eu sei que estes pequenos gestos, contam.
Mas, mais ainda do que isso, é urgente engrossarmos um largo movimento de opinião e de pressão, para que os "senhores do mundo" sejam capazes dos "GRANDES GESTOS" que esses sim, sejam capazes de alterar significativemte estas tão injustas como injustificadas disparidades.
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