Mostrar mensagens com a etiqueta pessoas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pessoas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 27, 2009

Cidadãos com necessidades especiais - 1

Não concordo com o termo "deficiente" para designar pessoas que têm limitações de ordem física, sensorial ou mental.
Porque, no fundo, se calhar a maioria de nós teria de ser considerada dessa forma.
Por exemplo: eu uso óculos. Portanto,nessa perspectiva, serei portador de uma deficiência visual.
Prefiro usar "cidadão com necessidades especiais" para falar dessas pessoas.
Poder-se-á dizer que isso se será um eufemismo. Mas eu sustento que não, pois ao falarmos nestes termos estamos a manifestar a atitude de considerarmos estes homens e mulheres como seres com direitos, dignidade e não como alguém que merece comiseração.
Há quem encare estes cidadãos como alguém a quem apenas se concedem pequenos gestos de "caridade" tais como ajudar a atravessar uma rua, ceder o lugar num transporte ou empurrar uma cadeira de rodas.
Quem assim encara a situação, não se indigna quando vê as cidades e as construções cheias de obstáculos que impedem a circulação desses cidadãos. Ou constata serem ocupados os lugares destinados a essas pessoas por outras que deles não necessitam.Ou sente que há descriminação negativa na maioria de serviços que não prevêem o correcto atendimento desses indivíduos com necessidades especiais.
Fui professor de alunos com algum tipo de limitações e aprendi muito com eles. A descobrir as potencialidades de que qualquer ser humano dispõe para vencer, com mais ou menos facilidade, desafios e obstáculos.
Por isso fui levado, cada vez mais, a respeitá-los e a considerá-los como credores de carinho e apoio.

(para não tornar o post demasiado extenso, publicarei, amanhã, a parte restante deste texto).

quarta-feira, julho 15, 2009

As palavras podem ser pistolas carregadas.

O escritor e filósofo francês Brice Parain, disse um dia
"As palavras são pistolas carregadas".
Nunca essa frase que li algures, aos meus 17 anos, me fugiu.
E ela serve-me muitas vezes de guia quando tento pôr em palavras ideias, sentimentos, observações.
Designadamente, quando passo por espaços na blogosfera tenho uma de duas atitudes: se o texto que está publicado é demasiado extenso ou denso para aquele momento, passo à frente ou deixo para outra oportunidade e saio sem comentar; se o posso ler com o devido tempo, procuro inteirar-me do seu espírito, interpretá-lo, compreendê-lo. Só deste modo poderei deixar um comentário que seja minimamente informado e construtivo.
Já me tenho deparado por aí com situações perfeitamente insólitas e desagradáveis, de gente que circula apressadamente por blogs, lê com metade do olho e do cérebro e depois deixa comentários absurdos.
Muitas vezes, esses comentários (porque as palavras são pistolas carregadas) podem mesmo ser ofensivos e causar nos destinatários danos bem pesados.
Medir as palavras, pensá-las, voltar atrás para pesar os seus posíveis efeitos, é um exercício que deveria estar presente no nosso dia a dia.
Como em muitas outras coisas, procurar estar "na pele do outro" é essencial. Para procurar prever o efeito que as nossas palavras lhe possam provocar.
Mas há gente que nunca o conseguirá fazer. Porque fala por falar. Porque quer que olhem para si e reparem que existe. Porque se quer afirmar, mesmo que não tenha coisas importantes a dizer.
Essa gente acaba por passar ao lado não deixando nenhum rasto aproveitável.
Mas, num dado momento, é capaz de incomodar o suficiente para nos merecer um suspiro de irritada impaciência.
Apenas um suspiro porque mais não merece.

Este post é dedicado, com toda a solidariedade, às amigas Odele e Flavia.

terça-feira, junho 30, 2009

A Justiça, afinal, pode funcionar...


Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de prisão por um tribunal de Nova Iorque, pela maior fraude financeira da História.

Segundo o que ouvi, este processo, decorreu muito rapidamente e constava em apenas uma meia dúzia de folhas A4. Estava lá tudo o necessário para acusar o homem e condená-lo severamente.
Seria pelo mediatismo e pelas consequências universais das vigarices do Nadoff. Ou será que a justiça americana funciona de um modo diferente da nossa?
Aqui, são precisos anos para se julgarem os casos e são utilizados quilos e quilos de papel.
Seja como for, esta notícia mostra que é possível julgar rápida e eficientemente. Tudo o mais, são desculpas já gastas.

segunda-feira, junho 29, 2009

Mas vou falar de uma morte...

foto Peciscas
Serigrafia de Nuno Barreto

Como um pouco por todo o mundo se fala da morte de Michael Jackson, eu não iria acrescentar nada.
Mas vou falar de uma morte.
A do Nuno. Nuno Barreto.
Qual de vós sabe quem era?
Conhecem melhor o irmão António, porque escreve nos jornais, aparece na televisão e foi ministro.
Para quem não sabe, o Nuno era pintor. O Nuno Barreto fez ilustrações para os meus arroubos de poesia do final da adolescência.
Lembro-me do Nuno, já aqui no Porto, quando cursava Belas-Artes, a prescindir do almoço para poder comprar tintas (“vou comer umas tangerinas”).
Foi professor nessa mesma Escola de Belas-Artes onde estudou. Ao que sei, bom professor.
Esteve largos anos em Macau, onde deixou marcas.
Morreu há dias, quando ainda tinha muito para fazer por cá.
Tenho ali uma serigrafia do Nuno.
E tenho a memória de um artista.