sexta-feira, setembro 28, 2007

Post sonoro 13

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Quem foi Helenio Herrera?

Se fizesse esta pergunta por aí, ao jeito dos inquéritos de rua que as televisões costumam realizar, quantos saberiam responder?
No entanto, nos anos 60, este treinador de futebol, nascido na Argentina, era apelidado de "O Mago" e as iniciais do seu nome eram consideradas como uma marca: HH.
Na sua longa carreira, coleccionou títulos. Entre os quais: duas vezes campeão de Espanha, com o Atlético de Madrid, outras duas, com o Barcelona, três vezes campeão em Itália, com o Inter de Milão e, a nível internacional, duas vezes campeão europeu e vencedor de duas taças intercontinentais.

Qual dos treinadores, no presente ou no passado, se pode gabar de tal palmarés?

Foi, talvez, o primeiro a usar a psicologia para motivar os seus jogadores e desestabilizar os adversários. Conseguia, como ninguém, mobilizar os adeptos no apoio às suas equipas (terá sido quem começou a incentivar a formação de claques organizadas) e proferia frases bombásticas, de que toda a imprensa fazia eco tal como :"Ganharemos sem sair do autocarro".

Aliás, ele incutia nos seus futebolistas um espírito ganhador, de tal modo que, uma vez, puniu um atleta que afirmou "Vamos jogar em Roma" quando ele exigia que se dissesse: "Vamos ganhar em Roma".
Era o Mago, tinha o mundo do futebol a seus pés embora, nesse tempo, os media não fossem tão poderosos e tão massacrantes da opinião pública como são hoje.
Mas ele sabia gerir a sua imagem e a sua carreira, de molde a atingir um estatuto especial no mundo do futebol.
Não consta, entretanto, que tenha participado em campanhas publicitárias de grandes marcas.
Retirou-se em 1980 e faleceu em 1997.
Nos seus tempos áureos, era "o maior".
Hoje, quem sabe quem ele foi?

Tudo isto nos mostra quão relativos são os qualificativos que, em cada época, se atribuem às "figuras públicas" e quão efémera é a sua passagem pelos cumes da fama.
E que, como já disse algumas vezes, tirando alguns génios que marcam, de facto indelevelmente, a história da Humanidade, como Shakespeare, Leonardo da Vinci, Picasso, Aristóteles, Miguel Ângelo, continuamos a fabricar ídolos de pés de barro que, tal como os foguetes nas romarias, sobem, brilham, pintam o céu, explodem num momento de glória, mas logo tombam, para ficarem reduzidos a insignificantes destroços, escondidos num qualquer desconhecido recanto.

terça-feira, setembro 25, 2007

Os ares que se respiram...

Há dias, a DECO, deu notícia sobre um estudo, realizado no nosso país, o qual referia que, na maioria das escolas portuguesas, as condições de salubridade, são claramente más.
É claro que o Ministério da Educação, apareceu logo a desdizer a validade do estudo, adoptando mesmo uma posição bastante agreste, chegando, mesmo, ao corte de relações com aquela Associação.
Esperando, então, que o Ministério promova o seu próprio estudo, para que todos possamos ter uma versão oficial sobre o que verdadeiramente se passa, aqui venho sugerir uma metodologia de trabalho que, para além de eficaz, será de aplicação particularmente barata, já que recorre a um equipamento acessível e, em princípio, disponível em todos os funcionários ao serviço da "5 de Outubro", Ministra e Secretários de Estado incluídos. Esse equipamento é, muito simplesmente, a membrana pituitária que se localiza na parte interna de qualquer nariz que se preze...
Para realizarem o estudo, bastará que andem um pouco por aí, visitando escolas, escolhidas aleatoriamente. Entrem em salas de aula, com elas a funcionar. Ou entrem nessas salas, nos intervalos das ditas aulas, após os alunos terem saído.E cheirem. Pura e simplesmente, deixem o olfacto actuar e registar sensações.
Sentirão, certamente, como a esmagadora maioria de nós, professores, sente ao longo dos anos, aquele característico odor a sapatilha, a sulfato de peúga ou mesmo à tal flatulência que obrigava a Carolina Salgado a acender cigarros.
De facto, quem não tem experiência destas coisas, nem imagina o que fica dentro de uma sala de aula, após uma hora de funcionamento de uma classe. E, também, como os nossos narizes se conseguem ir adaptando a essa mescla de cheiros que se instala em salas mal arejadas . Note-se que, no Inverno, não se podem abrir janelas para não aumentar o frio, que obriga, muitas vezes alunos a trabalharem com agasalhos vestidos. No Verão, o calor, aumentando a transpiração, agrava a situação. E mesmo que se pretendesse arejar as salas, durantes os intervalos, tal não seria possível, pois tudo tem que estar hermeticamente fechado, para não acontecerem desvios em haveres ou danos nos equipamentos.´
Quando trabalhava na escola, designadamente quando desempenhava cargos no Conselho Executivo, tinha, por vezes, de entrar em salas com aulas em funcionamento . Aí, vindo do ambiente mais despoluído dos corredores, dava conta daquela atmosfera enjoativa e desagradável que sentia menos, quando eu próprio dava as aulas. Ou então, quando tinha de ir, no intervalo, a uma sala de onde tinha saído uma turma e notava a tal mescla de odores, que parece que fica colada às paredes.
Mas, de tudo isto, sabem, há muito, os colegas que estão, diariamente, entre as quatro paredes das escolas.
Parece que, mais difícil é, os responsáveis do Ministério, que, normalmente, trabalham em gabinetes com ar condicionado, acreditarem que, nos edifícios escolares no nosso país, os ares que se respiram estão longe de serem os melhores.

segunda-feira, setembro 24, 2007

De que falar ?

De que falar neste início de semana?
Falar daquilo de que toda a gente fala?
Por exemplo, do caso McCann?
Mas se nem a PJ sabe ao certo o que se passou, como é que eu, que estou por fora de tudo poderei adiantar algo que não sejam meras e especulativas peciscas?
Ou, então, falar do Mourinho?
Mas, com toda a gente a falar, eu seria mais um a contribuir para a já enjoativa molhada que, em todo o lado, fala sobre a saída do treinador Chelsea e do seu futuro, como se isso fosse o assunto mais importante e decisivo para o futuro da Humanidade. Além do mais, correndo o risco, ainda por cima , de ser politicamente incorrecto e ganhar por aí algumas inimizades.
Ou falar sobre a questão da cena em que o Socolari, perdão, Scolari esteve envolvido?
Mas, se as imagens já mostraram tudo, que vou eu dizer de novo?
Ou falar sobre as eleições no PSD ?
Mas, para quê gastar palavras com um assunto que não me interessa minimamente e que, também, não me parece que venha alterar o que se passa no país nos tempos mais próximos.
Ou falar sobre as trapalhadas que a aplicação do novo Código Penal está a provocar?
Mas que conhecimentos jurídicos tenho eu para me meter em assuntos de tal modo complicados que, nem as grandes e sapientes cabeças parecem estar de acordo sobre a matéria?
Bem vistas as coisas, é bem melhor e mais prudente, falar sobré um tema original e que, aqui aparece em primeira mão: entrou o Outono, o tempo está agradável e estamos quase em Outubro...

quinta-feira, setembro 20, 2007

Afinal...

Já depois de ter preparado o post anterior, vim a saber que estas "casas do Padre Américo" estão, actualmente, debaixo da jurisdição da Paróquia de Baguim do Monte.
Ora, precisamente para as casas que se encontram degradadas, havia a intenção, animada por um grupo de cidadãos, de lá instalar equipamentos culturais, designadamente uma biblioteca, para a qual havia mesmo um considerável espólio, obtido, essencialmente, por doações.
Um dos habitantes da terra, entretanto falecido, tinha legado os muitos livros que tinha.
O Pároco de Baguim, em diversos contactos com o referido grupo de cidadãos, foi-se mostrando concordante com a ideia, pelo que se foi avançando com o trabalho.
Havia já um projecto, elaborado gratuitamente por um arquitecto, para o futuro equipamento.
Mas, um destes dias, soube-se que, afinal, o Senhor Padre, acabou por vender aquele espaço a um investidor particular, gorando-se assim as perspectivas do seu aproveitamento para a área da Cultura.
Ou seja, afinal, o vil metal falou mais alto e assim, o pão do espírito foi suplantado pelas fraquezas da carne...
Digo eu.

terça-feira, setembro 18, 2007

Património dos Pobres

O Padre Américo foi uma personagem bastante conhecida e popular, na primeira metade do século passado.
Tendo, inicialmente, uma carreira eclesiástica não muito canónica, acabaria por descobrir, mais tarde, a sua verdadeira vocação: a solidariedade social.
Assim, entre outras realizações, ficam para a história a Casa do Gaiato e o Património dos Pobres.
No contexto desta última, procurava, de algum modo, corresponder às extremas carências habitacionais de que padecia uma larga camada da população.
Deste modo, movendo influências junto dos poderes e dos interesses económicos, conseguiu promover a construção de algumas habitações.
Perto do local onde moro, junto à estrada Porto-Valongo, ainda se pode ver um complexo que se integrava nessa obra.
Algumas casas já estão bastante degradadas mas outras ainda estão habitadas.
Ali estão, como testemunho de uma época.
De uma época que parecendo tão distante, afinal o não é, já que, passadas várias décadas, o problema que originou este "património", está muito longe de ser erradicado de vez.
foto Peciscas
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