terça-feira, janeiro 09, 2007

Recantos 4

Jogos de sombras,luzes,névoas e mistérios, algures nas Antas, cidade do Porto.


foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Obrigado, gente amiga!

VOLTA CEDINHO

Minha mãe disse
Para eu voltar cedinho
Que a noite tem
Um espinho em cada esquina
Eu ainda
Sou o seu menino
Nem o tempo a vai mudar

Minha mãe disse
Para eu não me perder
Que a noite tem
Caminhos sem saída
Eu não sei
Se vai amanhecer
Prometo que vou ligar

Minha mãe disse
Que há medos e paisagens
Que a gente traz
No bolso à nascença
E o desejo
De muitas viagens
Para que o medo não nos vença

Por isso agora
Está na tua mão
Contar as pedras
Que há no teu caminho
Mas aceita
Uma sugestão:
Por favor volta cedinho

João Monge

Foi com particular emoção que li os comentários que me deixaram a propósito da "história real" que vos contei e que foi igualmente escrita com "o coração nas mãos" e a "névoa" nos olhos.
É esta solidariedade, é esta resposta à nossa partilha, que fazem valer a pena abrirmos um pouco da alma, nestes espaços chamados "virtuais". Por onde passa muita gente apressada, muita gente distraída, mas onde, felizmente, permanece gente boa, gente amiga, gente que, na maior parte dos casos nunca vimos, mas que sabemos que estão ao nosso lado.
Permitam-me que destaque, entre os vários comentários, aquele em que o João Monge, através de uma canção que escreveu para a sua própria mãe, homenageou tão ternamente a minha.
Como se sabe, este é um homem de grande sensibilidade e inteligência, autor de algumas das mais belas canções que andam por aí. Como "A Fisga", que os "Rio Grande" popularizaram e que, eu, profissional deste ofício de ser "mestre-escola", considero ser uma lição de pedagogia, muito mais densa e eficaz do que rimas de tratados que pseudo-entendidos na matéria, procuram impingir-nos como se fossem verdades definitivas e insofismáveis.
A todos e todas, o meu obrigado!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Uma história real.


Há muitos, muitos anos, era uma vez uma menina que vivia na aldeia, com o pai.
Apenas com o pai, já que a mãe, quando a menina era ainda uma criança, padeceu de um mal que na altura não tinha cura, e deixou-a mais só neste mundo hostil e inóspito. Uns anos mais tarde, apareceu, na aldeia onde vivia, um homem, bastante mais velho e que vinha de uma grande cidade.
O homem, que deu conta dos haveres que, então, o pai da menina possuia, arrastou-lhe a asa e menina, ingénua e desamparada, encantou-se com o senhor.
Passado algum tempo, ficou grávida e casou, já com uma barriguinha de seis meses.
Teve, depois, uma linda menina.
Mas, naquele tempo, a mortalidade infantil, era um facto assustador.A filha morreu com menos de três meses.
A jovem mãe ficou inconsolável, chorou lágrimas de sangue.
A ansiou ter outro bebé.
Então, todos os meses, quando sentia chegar a menstruação chorava de novo.
E ficava a esperar mais um mês.
Até que, finalmente, conseguiu de novo engravidar e, com que desvelo e emoção acompanhou a gestação do novo ser.
Quando o rapaz nasceu, ela não deixava de o vigiar noite e dia, para que nada de mal lhe acontecesse.
Deu-lhe tudo o que podia e o que não podia. É que entretanto, a vida tornou-se cada vez mais difícil. O pai morreu e o homem, de início tão sedutor, não se revelava particularmente diligente na angariação de meios de vida para o lar. E, ainda por cima, a breve trecho, começou a tornar a vida da menina-feita-mulher, um martírio. Agressões, traições, imposições absurdas, de tudo ela sofreu.
Como tantas vezes acontece, a jovem mãe, apostou tudo naquele filho que tanto ansiou. Queria que ele tirasse um curso, "que fosse alguém na vida".
Mas, com os magros recursos de que dispunha, depressa entendeu que só poderia criar condignamente aquele filho.
Então, e porque naquele altura a contracepção era rudimentar, quase se limitando ao preservativo, que o homem se recusava a usar (e era ele quem mandava) a menina-feita-mulher, agora chorava quando a menstruação não chegava.
E, nessas alturas, lá ia, e sempre com uma infinita tristeza a torturar-lhe as entranhas, recorrer às "curiosas" que faziam "desmanchos" baratos. Tão baratos que, por vezes as coisas corriam muito mal.
Por mais do que uma vez, a menina-feita-mulher, esteve às portas da morte.
Mas sempre amando ferozmente o filho que ansiou e defendendo o seu futuro.
Muitos anos mais tarde, haveria de desejar outro filho (as condições já eram um pouco melhores) e acolheu-o com o mesmo amor e carinho com que recebeu os filhos que sentia poder criar.
Sempre disse e assumiu:
-Eu só tive os filhos que pude criar.Se tivesse mais dinheiro, teria todos os filhos que aparecessem.
Esta menina-feita-mulher. foi aquela que me pôs no mundo, a quem devo quase tudo o que consegui alcançar na vida. A quem amei violentamente, que recordo com imensa saudade e com um respeito do tamanho do mundo.
Assim, quando ouço gente a despejar insultos e peçonha sobre as mulheres que tiveram, como última solução, de recorrer a tão traumatizante medida, só me posso sentir revoltado.
Recentemente, o Papa, ao comparar o aborto ao terrorismo, excedeu tudo o quer poderia ser dito.
Na tumba onde minha mãe jaz há mais de dois anos, foi despejado mais um anátema. Tão terrível quão injusto.
Não o perdoo!
Criminosa, terrorista, a minha mãe nunca o foi.
Reflecti bastante antes de publicar este texto.
Mas sei que, se ainda fosse viva, a minha mãe faria questão de ver conhecida esta história real.
Que, quer se queira quer não, atingiu, atinge e atingirá, milhões de mulheres em todo o mundo.
Mesmo, estou certo e ciente, algumas que aparecem por aí a lançar definitivas diatribes sobre tais actos.
Perante os quais, bem o sabemos, terão de ser encontradas as soluções que o afastem cada vez mais da vida das mulheres.
Porque, sei-o por este testemunho tão próximo e íntimo, que ninguém, aborta com gosto.
Fá-lo sempre com amargura, sofrimento, que deixam marcas para toda a vida.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Comparações

Quando, há cerca de dois anos, viajei pela Europa Central, tive a oportunidade de visitar alguns países do chamado "ex- bloco de leste".
Durante o trajecto, pudemos constatar aquilo para que os guias alertavam e que era evidente:o estado de degradação e a arquitectura básica patenteados pelas construções que eram testemunhas do tipo de regime (e das respectivas concepções) que vigorou nesses países.

foto Peciscas
foto Peciscas
foto Peciscas Só que,nós também temos cá "telhados de vidro".

Vejam, por exemplo, um edifício, de construção bem mais recente do que aqueles e o estado em que se encontra a fachada.
foto Peciscas
foto Peciscas

terça-feira, janeiro 02, 2007

A "justiça" obscena.


Confesso-vos uma coisa: fui ao YouTube para ver o vídeo da execução do Saddam. Mas ao fim de alguns segundos, dei-me conta de que estava a participar num espectáculo obsceno e saí dali.
Porque, de há muito tempo que considero (e ainda bem que muita gente está comigo) a pena de morte como um exercício obsceno de "justiça".
É um facto que, neste caso, se tratava de um ditador sanguinário, sem o mínimo decoro humano. Como muitos outros que a História regista.Para estes, o castigo terá sempre de ser duro e exemplar.
Mas a morte é uma punição sem retorno e nada justifica que se recorra a esta medida.
Por variadas razões. Desde logo, porque não tendo retorno, nunca terá remédio um eventual erro judicial ( e quantos se têm detectado após aplicações da pena capital, ...). Mesmo, que, como no caso presente, haja provas evidentes dos crimes praticados. Depois, porque a superioridade moral de um "estado de direito" passa pela capacidade de evidenciar os princípios dessa mesma superioridade. Ora, se recorrer às mesmas armas de violência e terror daqueles que afirma querer combater, está, precisamente, a debilitar a qualidade do seu nível civilizacional.Finalmente porque o "não matarás" é um princípio inultrapassável e não apenas por motivos religiosos.
É por tudo isto que não entendo que haja pessoas que se congratulam com a liquidação física de um criminoso. Tenho amigos, aliás, que afirmam essa concordância, que defendem sem outro argumento que não seja o do "olho por olho, dente por dente".
No século XXI, acho lamentável e aberrante a persistência desses "ajustes de contas legais" de carácter primitivo e medieval que, ainda por cima, nunca provaram serem capazes de evitar a reincidência dos crimes que pretendem prevenir.
Muito antes pelo contrário.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

A todas e todas que passaram por aqui, em especial, para os que deixaram agradáveis palavras de felicitações pelo segundo aniversário deste despretencioso PECISCAS, deixo um reconhecido agradecimento.
Alás, é por vossa causa que eu continuo por aqui ( e isto poderá ser uma ...ameaça...).