quinta-feira, setembro 07, 2006

Não há direito!


Foi com um misto de espanto e de raiva que ouvi, na televisão, dizer que os atletas deficientes que estão a competir nos Mundiais de Atletismo, não correm com equipamentos com as cores nacionais, simplesmente porque a respectiva federação não tinha dinheiro para os comprar. Assim , actuam com umas camisolas amarelas (os homens) e cor-de-rosa (as mulheres) que lhes arranjaram em qualquer loja dos "trezentos".
Estes atletas que fazem sacrifícios enormes para treinarem e para competirem, e que até ganham medalhas, são quase ignorados por aqueles que enchem a boca com palavras lindas quando se trata de enunciar propósitos, mas que falham redondamente quando se trata de passar à prática.
Quando estive ligado à arbitragem da natação, tive o privilégio de lidar de perto com este tipo de atletas e testemunhei, com alguma emoção, o modo entusiástico como eles entravam nas provas, como sofriam com os fracassos, como exultavam com os sucessos.
Vi também o carinho como os seus treinadores e dirigentes os acompanhavam no seu esforço.
Por isso digo, bem alto, que não há direito que, no mínimo, não concedam a estes cidadãos, o direito de usarem as cores do seu país, quando o estão a representar, com toda a dignidade e empenho.
Se calhar, um destes dias, quando regressarem, irão ser levados para mostrarem as medalhas, a uma qualquer cerimónia em que serão fotografados e filmados, onde haverá discursos a louvar e a agradecer, onde se dirá que continuará a haver apoios, ou mesmo que eles serão aumentados.Com alguns a quererem apropriar-se de uma parte das medalhas que, afinal, se devem apenas ao esforço desses atletas fora-de-série e aos que lutam ao seu lado no dia-a-dia.
Depois, tudo ficará na mesma. Com as bandeiras nas janelas, os milhões de euros, as parangonas e os debates, a serem, quase exclusivamente, dedicados ao tal "desporto-rei", que impera num país que ... até se diz republicano.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma sensação de perda


Andando por aí, tenho visto que alguma gente que me habituei a visitar, com quem por vezes conversava, fechou as portas, ou, pelo menos, parou de publicar, sem qualquer outra explicação.
O Eduardo do Bloguices
A Alice do Lique
A Nucha do Soshana
por exemplo.
Mantenho ainda esses links porque este pessoal faz parte da minha memória blogueira e espero que ainda haja, pelo menos para alguns, retorno para o seu desaparecimento internáutico.
Mas tudo isto mostra quão efémeras e talvez desgastantes são estas presenças virtuais.
Se calhar, começa-se por curiosidade. Às vezes essa curiosidade passa a vício. E gastam-se horas frente ao computador.
Mas quando o vício passa, ou o cansaço aparece, ou a sensação de não haver eco suficientemente reconfortante para aquilo que vamos por aqui fazendo, ou, então, muito simplesmente, porque acontecem na nossa vida outras coisas que consideramos como mais importantes e que se sobrepõem a "esta coisa", então, vamos embora.
Não sei quanto tempo mais estarei por cá.
Mas, pela minha parte, quando vejo alguém a despedir-se, fico sempre com uma sensação de perda.

terça-feira, setembro 05, 2006

TLEBS

Aqui há tempos, falando em questões relacionadas com exames, referi-me à Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, vulgo TLEBS.
Houve gente que me perguntou o que era isso.
Não sou especialista na matéria, mas sei que esta nova terminologia esteve em experiência e que , neste ano lectivo que está a começar, vai entrar em vigor, abrangendo os alunos dos 5º e 7º anos.
Desde meados do ano passado, que os meus colegas da área da Língua Portuguesa andam a frequentar acções de formação sobre este assunto e parece que as coisas não estarão ainda muito claras.
Pelos vistos, há uma série de denominações, na chamada gramática (usando este termo para simplificar) que permanecem, mas, muitas outras mudam de nome ou são ampliadas.
Vou tentar dar um ou dois exemplos, socorrendo-me de umas folhas que uma colega de LP me emprestou.
Assim,
dantes:
-entre as funções essenciais de uma oração os alunos tinham de detectar o sujeito;
agora há mais a saber:
-Sujeito:
Sujeito simples vs. sujeito composto
Sujeito nulo -sujeito nulo subentendido; sujeito nulo indeterminado;sujeito nulo explectivo.

dantes:
- no que se refere a advérbios, a classificação era esta:lugar; modo; tempo; afirmação; negação; quantidade; dúvida;exclusão;interrogativos.
agora: advérbio de negação; advérbio adjunto (adjunto de tempo;adjunto de lugar; adjunto de modo); advérbio disjuntivo; advérbio conectivo.

Ressalvo, nestes exemplos, algum lapso que esteja a cometer, por, como já disse, não ser esta a minha área profissional. Colegas que por acaso venham aqui ler este texto e queram corrigir algo do que estou aqui a dizer, estejam,portanto, à vontade.

De qualquer modo, quem quiser conhecer,um pouco mais a fundo, esta questão, pode aceder aqui à portaria que criou a TLEBS, em 2004

segunda-feira, setembro 04, 2006

Rentrée


Acabou Agosto e tudo recomeça.
Depois de umas semanas com o país a meio gás,com grande parte em férias e outra parte a desculpar-se com o calor para justificar a menor produtividade, parece que se desperta de novo para as coisas triviais. Para o dia-a-dia de todo o ano.
Os políticos fazem os seus comícios de abertura da nova época.
Os supermercados e as livrarias, seduzem os consumidores mais jovens, obrigando os pais a comprarem o que é preciso e o que não é, para o novo ano escolar.
A moda Outono-Inverno, começa também a aparecer por aí.
Até os blogues, que andaram um tanto desertos, voltam, também, a animar-se.
Os tribunais reabrem.
As escolas, pouco a pouco, também.
A Assembleia da República, só daqui por mais uns tempos terá plenários.

Novidades?
Nada!
Tudo na mesma!
Ou haverá?
Vamos a ver...
Ah, já agora,
a minha rentrée oficial começa hoje.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Não deixem secar esta Árvore


Um destes dias vi o pintor José Rodrigues na televisão a falar das dificuldades financeiras que a Cooperativa Árvore atravessa.
O Solar dos Meireles, onde, desde sempre, se alberga a sede da instituição, está a necessitar de urgentes obras de conservação e, pelos vistos, não há recursos suficientes para o fazer.
Tive o privilégio de assistir à inauguração desta Cooperativa, em 1963 e , desde então, ali tive acesso a inúmeras iniciativas de ordem cultural.
Logo a seguir ao 25 de Abril, a Árvore foi alvo de um atentado à bomba, oriundo da tristemente célebre "rede bombista" , que danificou seriamente o edifício.
Vários sectores da cidade, souberem, então, erguer-se, para o reconstruir.
Agora, os tempos são outros.
Perante as actuais dificuldades, parece haver um onda de indiferença. que, em certo sentido, pode prefigurar um "ajuste de contas". Se não, como se compreende, por exemplo, que a Câmara do Porto, não possa, de algum modo, intervir na resolução do problema.
E o que é triste é sabermos dos milhões que foram (são) gastos com estádios de futebol ( já disse várias vezes que gosto deste espectáculo) e vermos organismos de inegável valor cultural, andarem a mendigar apoios que, noutras circunstâncias e noutros países, seriam óbvios.
É pois, imperioso e urgente, que não se deixe secar esta Árvore.

terça-feira, agosto 29, 2006

Anúncio publicado no passado Sábado, no Jornal de Notícias.

Segundo consta, o Brown, depois de ler isto, emitiu dois latidos lancinantes.
Espera-se que, com essa demonstração, venha a comover os seus pérfidores raptores e, em breve, este caso venha a ter um desfecho feliz.